Muitas matérias-primas terminaram 2025 em níveis recorde, mas o petróleo foi uma exceção. O preço do barril de Brent desceu quase 20%. Para 2026, não prevemos uma recuperação da procura nem uma redução da oferta, necessários para sustentar uma subida dos preços do crude.
Caracas com papel reduzido
Os acontecimentos na Venezuela não deverão ter um impacto significativo no preço do crude. Num mercado petrolífero mundial bem abastecido, a influência da Venezuela permanece reduzida.
O país detém as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 300 biliões de barris, mas, devido à falta de manutenção das infraestruturas nos últimos anos, produz apenas 850 mil barris por dia, menos de 1% da oferta mundial.
Mesmo que as petrolíferas norte-americanas venham a regressar em força, o que atualmente não está garantido, relançar a indústria petrolífera venezuelana exigiria dezenas de biliões de dólares e vários anos de trabalho.
As petrolíferas exigirão garantias de longo prazo antes de se comprometerem de forma significativa na Venezuela, o que, na prática, implica estabilidade no país. Nesse cenário, haveria um aumento da oferta global e, desde que a procura se mantenha nos níveis atuais, exerceria pressão para baixa nos preços.
Preços sob controlo
Estimamos que os preços do petróleo em 2026 não registem subidas substanciais, salvo uma redução acentuada da produção por parte da OPEP nos próximos meses ou um grave incidente geopolítico.
O primeiro evento é pouco provável devido à falta de acordo e o segundo fenómeno é imprevisível. Mas nem o ataque de Israel e dos EUA ao Irão conseguiram fazer aumentar a cotação do barril mais do que uma ou duas semanas.
A agência governamental dos Estados Unidos para a energia antecipa para 2026 um preço médio do Brent em torno de 55 dólares por barril, com uma ligeira recuperação no final do ano. O nosso cenário continua a ser o de excesso de oferta, com o Brent abaixo dos 60 dólares.
Impacto na energia e nas bolsas globais
As capacidades produtivas lançadas nos últimos anos entrarão em funcionamento este ano, nomeadamente na Guiana e no Brasil, num contexto de desaceleração da procura mundial de petróleo, em particular na China. Neste país, a expansão dos veículos elétricos limita o consumo de gasolina.
Prevemos, assim, uma descida dos lucros das atividades petrolíferas, parcialmente compensada pelo aumento da produção, bons resultados na refinação no início de 2026 e a progressão dos lucros no gás. Este último é cada vez mais utilizado para a produção de energia destinada a centros de dados.
Além disso, o setor da energia representa pouco mais de 3% do índice mundial MSCI World, pelo que a sua evolução tem um impacto limitado nos mercados acionistas. Ainda assim, embora o setor não deva registar uma forte recuperação em 2026, consideramos que a maior parte das quedas já ocorreu.
Conselho: ações
As petrolíferas norte-americanas poderão ser as mais beneficiadas, caso tenham acesso às reservas da Venezuela. A Chevron está na linha da frente, tendo em conta a sua presença histórica no país. A Exxon também deverá posicionar-se para crescer assegurando reservas ainda pouco exploradas, numa altura em que a bacia do Pérmico, na Califórnia e no Texas, atinge a maturidade.
As empresas de serviços ao setor da energia, como a Halliburton, Baker Hughes e Schlumberger, poderão beneficiar dos investimentos a realizar na Venezuela. Mas serão necessários muitos anos para modernizar as instalações do país. Mantenha estas ações se já as detiver em carteira.
Em suma, aos níveis de preços atuais, as grandes petrolíferas continuam capazes de financiar dividendos atrativos, o que justifica a manutenção das posições, mas não um reforço. Consulte os conselhos para as ações do setor energético da nossa seleção.
Conselhos: fundos, ETF e ETC
Existem fundos de investimento e ETF dedicados ao setor energético mundial. Se tem em carteira algum dos produtos mais bem avaliados e este não tem um peso elevado na sua carteira, pode manter. Caso contrário, venda e reinvista em setores mais promissores.
Já nos ETC (produtos idênticos aos ETF), a valorização está diretamente ligada à cotação do barril do petróleo. São adequados apenas para perfis mais especuladores. Dadas as fracas perspetivas para a cotação do crude não se apresentam nem como uma aposta especulativa interessante.
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