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Estados Unidos: uma tarifa igual para todos

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As tarifas comerciais de Trump foram invalidadas pelo Supremo Tribunal dos EUA

Publicado em: 23 fevereiro 2026
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As tarifas comerciais de Trump foram invalidadas pelo Supremo Tribunal dos EUA

O Supremo Tribunal dos EUA abalou a estratégia comercial da Casa Branca. Qual o impacto nos mercados e nos investimentos? 
O alcance desta decisão sobre a economia norte-americana e mundial demorará a clarificar-se. Deve diversificar adequadamente a carteira e não negligenciar a componente dedicada aos mercados emergentes, que continuam a beneficiar de uma conjuntura favorável.

Supremo Tribunal dos EUA trava estratégia das tarifas 

O Supremo Tribunal dos EUA declarou que as tarifas comerciais impostas por Donald Trump são inválidas: o Presidente usou de competências que seriam do Congresso. 

Esta decisão abala a estratégia da Casa Branca, que contava com os direitos aduaneiros para discriminar entre os seus diferentes parceiros comerciais em função do grau de alinhamento com as orientações de Washington e das posições do Presidente Donald Trump. 

A decisão foi relativamente surpreendente, pois o Supremo Tribunal, com vários juízes escolhidos por Trump, é habitualmente favorável à Casa Branca. E agora? 

O Presidente rapidamente retorquiu que iria usar outros recursos legais para impor uma tarifa global de 10%... 15%, umas horas depois. Estas podem vigorar até 150 dias sem autorização do Congresso.

Tarifa única de 15%: consequências para o comércio internacional 

O impacto de uma mudança desta natureza é significativo. Não se exporta um produto da mesma forma com uma tarifa de 10%, 15%... ou 50%. Alguns países podem perder uma vantagem relevante, enquanto outros voltarão a ganhar terreno. 

As empresas terão de se adaptar a alterações da procura e, em certos casos, ao regresso significativo de concorrentes que consideravam afastados. Trata-se de um verdadeiro puzzle, sendo necessário algum tempo para avaliar, setor a setor e empresa a empresa, o alcance efetivo da decisão do Supremo Tribunal e da nova resposta da Administração Trump.

Mercados emergentes podem beneficiar da reconfiguração comercial 

Alguns países, como a China, saem favorecidos desta evolução. Ao optar por não ceder perante os Estados Unidos e ao resistir a concessões, Pequim vê a sua estratégia validada.

As empresas chinesas, que até aqui estavam sujeitas a direitos aduaneiros relativamente elevados consoante os setores, poderão regressar de forma significativa à concorrência internacional. 

Outros mercados, como a Índia ou o Brasil, também figuram entre os potenciais beneficiários. A maioria dos emergentes encontra-se, assim, numa posição favorável para tirar partido desta reconfiguração.

União Europeia e Japão perdem vantagem estratégica? 

Em contrapartida, a União Europeia, Reino Unido, Austrália e Japão poderão sentir maior pressão. Depois de terem desenvolvido estratégias comerciais alinhadas com o Presidente norte-americano, veem agora essas bases fragilizadas. 

O tratamento preferencial de que beneficiavam poderá ser reduzido e, para estes parceiros, será necessário redefinir a abordagem. Para já, alguns, como o Japão, manifestem intenção de manter os acordos assinados, independentemente da decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

Incerteza nos Estados Unidos: investimento e competitividade em causa 

Nos Estados Unidos, este novo capítulo nas relações comerciais introduz incerteza. Os investimentos prometidos em território norte-americano pelos diferentes países e empresas vão se concretizar? Serão rentáveis caso a produção interna venha a enfrentar uma concorrência asiática mais competitiva? 

As empresas poderão pedir reembolsos das tarifas já suportadas em 2025? E depois do período de 150 dias?

Bolsas próximas de máximos enfrentam nova vaga de volatilidade 

Perante esta multiplicidade de interrogações, as bolsas pouco reagiram no imediato. Num momento em que muitos mercados estão próximos dos máximos históricos, os investidores optam por consolidar posições antes de definir uma nova trajetória. 

A diversificação continua a ser essencial. Recomendamos que inclua uma exposição relevante aos mercados emergentes, que permanecem sustentados por uma conjuntura favorável. 

 

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