ETFs para investir na Índia e aproveitar a nova abertura económica
A economia indiana começa a sair do isolamento.
A economia indiana começa a sair do isolamento.
Progressivamente, o mercado indiano, com cerca de 1500 milhões de habitantes, está a sair do isolamento. Durante muito tempo relutante face a uma abertura que pudesse prejudicar os produtores locais, a Índia começa finalmente a abrir-se à concorrência estrangeira, o que tornará o mercado mais competitivo e dinâmico. Esta mudança foi bem recebida pelo mercado acionista indiano.
Penalizada ao longo de 2025, a bolsa recuperou finalmente algum fôlego. Num momento em que o dólar permanece relativamente fraco e em que os investidores procuram alternativas às ações norte-americanas, a Índia e a sua investment story atraem interesse crescente. Esta abertura do mercado interno poderá, assim, marcar o início de um novo período de valorização dos ativos indianos.
Apresentado como a “mãe de todos os acordos” e assinado após quase duas décadas de negociações, o acordo com a União Europeia cria, em teoria, um mercado de dois mil milhões de consumidores. Elimina igualmente os direitos aduaneiros sobre 90% das exportações indianas para a Europa. Em setores que domina, como os têxteis, a Índia será um concorrente de peso face a outros produtores asiáticos. Além disso, a Índia espera atrair investimento e know-how para outros setores, que passarão a produzir para o mercado local e europeu.
Outro aspeto relevante é a mobilidade de trabalhadores qualificados e estudantes, que beneficiarão de um acesso temporário simplificado ao mercado de trabalho e às universidades europeias.
Trata-se de uma oportunidade para a Índia melhorar a formação da mão-de-obra e para a Europa colmatar algumas carências de trabalhadores. De fora do acordo ficaram alguns temas sensíveis, sobretudo nos produtos agrícolas.
Os EUA são o principal cliente da Índia, absorvendo 20% das exportações. Tarifas de 25% e uma sobretaxa de 25% elevavam a carga total para 50%. Um nível dos mais elevados que foram aplicados por Trump aos parceiros comerciais e que aniquilava a competitividade dos produtos indianos.
Agora, o novo acordo fixa tarifas em apenas 18%. Trata-se de um nível ainda elevado, mas que já é gerível, na medida em que a Índia deixa de estar em desvantagem face aos concorrentes asiáticos (Filipinas, Indonésia e Vietname pagam entre 17% e 20%).
Este acordo comercial estabelece ainda as bases para um outro mais amplo no futuro.
Os acordos comerciais entre a Índia e os mercados ocidentais são interessantes para todas as partes. Ao contrário da China, a Índia não conheceu uma melhoria significativa na gama da sua produção, pelo que não é, pelo menos por agora, um concorrente direto.
Ao invés, as economias são complementares e a abertura de um mercado desta dimensão às empresas ocidentais é positiva, num momento em que alguns setores carecem de novos clientes.
Esta parceria alinha os interesses do Ocidente com o desenvolvimento do mercado indiano, permitindo a criação de uma vasta classe média local, capaz de consumir produtos e serviços ocidentais.
O mercado acionista indiano não está em níveis atrativos. O rácio cotação/lucro esperado é de 21 da bolsa de Bombaim, claramente acima da sua média histórica (15) e da média atual dos emergentes (14).
Contudo, encontra-se no limiar de um período que poderá ser de forte crescimento, impulsionado pela aceleração das trocas com o Ocidente e o aumento do investimento no mercado interno.
Em termos setoriais, o índice MSCI India é dominado pelas financeiras (30%), mas é bem diversificado, com uma presença significativa de empresa produtoras de bens de consumo e das tecnologias.
Os investidores com um perfil mais agressivo podem dedicar até 5% da carteira a ETF ou fundos de ações indianas.
Franklin FTSE India UCITS ETF (IE00BHZRQZ17)
Fundo Jupiter India Select L EUR Acc (LU0329070915)
iShares MSCI India UCITS ETF USD Acc (IE00BZCQB185)
Xtrackers MSCI India Swap UCITS ETF 1C (LU0514695187)