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Publicado em: 08 abril 2026
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Autor: Jorge Duarte

Cessar-fogo: o que muda?

Foi alcançado um acordo para suspender a guerra por duas semanas. Os mercados acolheram a notícia com euforia. O que se segue?

Perante a resistência do Irão e o bloqueio do estreito de Ormuz, que ameaça a economia mundial, o Presidente norte‑americano parecia preparado para uma escalada militar.

À última hora, os EUA aceitaram suspender as operações militares durante duas semanas e, em troca, o Irão prometeu reabrir o estreito de Ormuz, ainda que pretendendo manter o controlo desta via marítima.

Este anúncio de um cessar‑fogo provocou euforia fez cair a cotação do barril em 15%. As bolsas também recuperaram, em particular na Ásia mais dependente do petróleo do Médio Oriente. A trégua beneficiou especialmente a banca, o luxo e as ações cíclicas. As taxas de juro também recuaram de forma generalizada nos mercados de obrigações.

Negociações difíceis

Apesar de a interrupção dos combates ser uma excelente notícia, será difícil alcançar um acordo. A proposta de paz de Teerão exige, nomeadamente, o fim das sanções internacionais, o controlo iraniano do estreito de Ormuz e o reconhecimento dos direitos em matéria de enriquecimento de urânio.

Embora Donald Trump tenha declarado que as exigências poderiam servir de base, estas são inaceitáveis para os Estados Unidos e ainda mais para Israel. A questão das indemnizações de guerra também deverá revelar‑se delicada. Por fim, Teerão pretende passar a cobrar taxas pela passagem no estreito de Ormuz.

Não celebrar demasiado cedo

Na prática, os próximos dias serão cruciais para a evolução da situação. Será necessário, antes de mais, que o cessar‑fogo seja efetivamente respeitado e já há desacordos. A interrupção dos combates aplica‑se também ao conflito no Líbano?

Outro risco reside no arrastamento das negociações. Tal poderá levar os EUA ou Israel a retomar as operações militares, mantendo a instabilidade na região e perturbando o mercado energético. Mesmo num cenário de negociações construtivas, não se deve esperar um regresso rápido à normalidade. Com apenas 200 navios a poderem transitar por dia, serão necessárias semanas para que os 3000 navios bloqueados de ambos os lados do estreito de Ormuz retomem a sua rota.

Consequências duradouras

Os 40 dias de guerra perturbaram profundamente o mercado energético. Centenas de milhões de barris de petróleo ficaram em falta e será necessário tempo para absorver definitivamente este défice. Ao mesmo tempo, os combates atingiram infraestruturas cuja reparação pode exigir vários anos.

Embora o preço do Brent tenha recuado de 110 para 95 dólares, continua mais de 50% acima dos 60 dólares em vigor no início do ano. Este facto ilustra o impacto da guerra, mesmo após o acordo de cessar‑fogo.

O aumento do custo dos combustíveis é real e penaliza o poder de compra das famílias e os resultados das empresas. E, como será necessário tempo para um regresso à normalidade no mercado petrolífero, não é expectável um maior colapso dos preços do crude no curto prazo.

Negociações bem‑sucedidas e que resolvam de forma duradoura as relações com o Irão permitiriam um apaziguamento do mercado petrolífero e uma recuperação da economia mundial no segundo semestre. Neste momento, porém, esse desfecho permanece altamente incerto.