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Publicado em: 26 maio 2026
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Autor: Jorge Duarte

SpaceX com ambições astronómicas e riscos elevados

A SpaceX prepara entrada no Nasdaq com avaliação potencial de 2 biliões de dólares. Ambição, inovação, prejuízos elevados e dependência total de Elon Musk marcam um IPO altamente mediático.
A SpaceX está mais perto de entrar para a bolsa Nasdaq. Embora ainda não se conheça o nível da cotação, nem o número de ações a colocar junto do mercado, o prospeto para a entrada em bolsa (IPO) foi tornado público.

IPO da SpaceX: entrada na Nasdaq e avaliação de 2 biliões de dólares

Segundo as estimativas, a capitalização pode atingir 2 biliões de dólares, o que colocaria a SpaceX no top 10 das maiores capitalizações mundiais.

A missão da SpaceX, como é descrita no prospeto, consiste em construir sistemas e tecnologias para tornar possível a vida multiplanetária, compreender a verdadeira natureza do universo e “estender a luz da consciência até às estrelas

Modelo de negócio da SpaceX: espaço, Starlink e inteligência artificial

Na prática, a SpaceX, fundada em 2002, é uma empresa verticalmente integrada que constrói infraestruturas materiais e de software para o espaço, conectividade e a IA de Elon Musk (Grok).

A atividade combina o fabrico de foguetões e naves, serviços de lançamento, transporte espacial, serviços de conectividade através dos satélites Starlink e de infraestruturas de IA.

A SpaceX estima aceder a um mercado colossal (28,5 biliões de dólares, isto é, quase o valor do PIB dos EUA), sendo 370 mil milhões no espacial, 1,6 biliões na conectividade e 26,5 biliões na IA. Tudo isto, sem ter em conta a China e a Rússia.

Resultados financeiros: prejuízos elevados e forte consumo de capital

Até à data, a SpaceX acumula prejuízos. Em 2025, apresentou uma perda de 5 mil milhões de dólares. E, apenas no primeiro trimestre de 2026, o prejuízo atingiu 4,2 mil milhões, quase tanto como as receitas de 4,7 mil milhões.

Atualmente, as atividades de conectividade fornecidas pela rede Starlink (9600 satélites e 10 milhões de assinantes) já são rentáveis ao nível operacional.

No entanto, o espaço e, sobretudo, o desenvolvimento da IA continuam a ser sorvedouros financeiros. Estas atividades absorveram mais de 10 mil milhões de dólares de investimento, apenas no primeiro trimestre.

O desenvolvimento das infraestruturas (IA e lançamento espaciais) e das capacidades das constelações de satélites continuará a exigir meios muito elevados.

A captação de capital prevista com a introdução em bolsa (75 mil milhões de dólares) servirá para financiar estes investimentos. Apenas no primeiro trimestre, a tesouraria da SpaceX diminuiu 9 mil milhões para 16 mil milhões de dólares.

Elon Musk e o controlo absoluto da SpaceX

Existem ações A e B da SpaceX. Atualmente, Elon Musk detém 12,3% das ações A e 93,5% das ações B. Esta estrutura confere-lhe 85,1% dos direitos de voto, antes da IPO.

As ações A, que vão ser as colocadas junto dos investidores, conferem apenas 1 direito de voto por ação, enquanto cada ação B dá 10 direitos.

Logo, Elon Musk continuará a determinar as decisões estratégicas da SpaceX. Investir na SpaceX equivale, portanto, a acreditar em Elon Musk e na sua visão. É, em grande medida, a sua personalidade que determinará o valor da SpaceX.

Quando entra a SpaceX em bolsa e como investir

Ainda não foi fixada uma data para a entrada em bolsa, mas a operação deverá iniciar-se a meio de junho, com uma primeira cotação apontada para 12 de junho.

Como é habitual neste tipo de IPO no Nasdaq, o pequeno investidor residente em Portugal não deverá poder aceder diretamente.

Quem quiser adquirir ações da SpaceX terá de aguardar e comprar após o início da negociação no Nasdaq.

A cotação da SpaceX após o IPO: o que esperar

A procura, impulsionada pelos fundos e ETF, que irão integrar progressivamente a ação nas suas carteiras, deverá muito provavelmente exceder a oferta. Porém, não deve “correr” atrás de uma valorização nos primeiros tempos de negociação.

Trata-se de uma abordagem particularmente arriscada. Além disso, os ETF dedicados ao Nasdaq 100 e S&P 500 também irão dar-lhe exposição à empresa de Musk quando entrar, em breve, para os respetivos índices.

Assim que for possível iremos realizar uma análise mais detalhada sobre o potencial da SpaceX em bolsa. Fique atento.

ETF do setor espacial: alternativa para reduzir risco?

Tal como a SpaceX, as empresas deste subsetor estão numa fase inicial de desenvolvimento, necessitam de elevados financiamentos, apresentam prejuízos e dependem de um número limitado de contratos.

A comprovar o efeito moda, o ticker de um dos principais ETF do Espaço é JEDI.

Investindo através de ETF, que irão comprar a SpaceX, reduz riscos específicos. Porém, mesmo assim, é uma opção apenas para investidores com “fé” e pouco sensíveis às fortes variações neste mercado.

Descubra os melhores ETF dedicados ao Espaço e saiba se são um investimento interessante.

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