Trump mostrou mais uma vez que exerce forte influência sobre o mercado bolsista. Ao adotar uma postura beligerante em relação ao Irão, fez aumentar os preços da energia, com a questão da reabertura do Estreito de Ormuz a ser talvez a maior preocupação dos investidores.
Ainda assim, beneficiando do otimismo do início da semana, as bolsas fecharam em terreno bem positivo, com o S&P 500 e o Nasdaq a ganharem 4,2 e 5,8%, respetivamente, ao passo que o Stoxx Europe 600 subiu 2,7% na última semana.
Graças a alguma flexibilização das taxas de juro de longo prazo e à diminuição da perceção de risco, o setor tecnológico mundial (+6,2%) recuperou bastante, com algumas grandes empresas a registarem fortes ganhos, como foram os casos da Intel (+23,3%), Meta (+6,8%) e Alphabet A (+9,7%). A Nvidia (+7,5%) investiu 2 mil milhões de dólares na Marvell Technology para colaborar no desenvolvimento de equipamentos para data centers.
Os setores do aço e ferro (+3,8%) e do transporte aéreo (+4%) também fecharam em alta. Por sua vez, o setor europeu da defesa disparou 10,2% em plena guerra no Médio Oriente e a beneficiar do progressivo rearmamento da Europa. As ações da Thales subiram 8,7% e as da BAE Systems valorizaram 7,4%. Por fim, as empresas de matérias-primas subiram, em média, 6,1%.
Apesar de ter voltado a estar em alta durante o fim de semana, após as novas ameaças de Trump, o preço do petróleo acabou por recuar 3,5%, arrastando para baixo o setor energético (-1,3%), que foi dos poucos que fechou em queda na última semana. A Chevron recuou 5,6% e a ExxonMobil desvalorizou 4,7%.
Lisboa fixou novos máximos desde 2008
A bolsa de Lisboa (+3,3%) acompanhou a tendência positiva das suas congéneres mundiais na última semana e acabou por fixar novos máximos desde junho de 2008. Desde o início do ano, o índice PSI acumula uma forte valorização de 13,4%.
Numa semana mais curta devido aos feriados pascais e sem notícias empresariais muito relevantes, destaque para a boa recuperação da Mota-Engil (+8,9%), que liderou os ganhos, seguida dos CTT (+6,6%) e do BCP (+6,5%). Igualmente em alta e a estimular a praça nacional esteve o grupo EDP, com a casa mãe a subir 4,7% e a EDP Renováveis a valorizar 4,6%.
De resto, apenas a Altri (-0,3%) fechou em território negativo, e até a Galp (+0,3%) terminou em alta ligeira, numa semana em que o setor petrolífero corrigiu um pouco dos fortes ganhos recentes.
Números da semana
+44,5%
Sem grande surpresa, a Galp Energia é a ação nacional que mais subiu desde o início de 2026, com um ganho acumulado de 44,5%. No segundo lugar das cotadas nacionais, surge a NOS (+38,5%), ao passo que a Sonae fecha o pódio, com uma valorização de 22,1%.
+23,9%
O setor energético é claramente o principal beneficiado com a guerra no Médio Oriente e, mesmo após a ligeira correção da última semana, acumula uma valorização de 23,9% desde o início do ano. A forte subida do preço do petróleo tem estimulado a cotação das petrolíferas.
Top subidas
Intel +23,3%
Corning +14,0%
Ralph Lauren +9,8%
Stellantis +9,8%
Alphabet A +9,7%
Top descidas
Atenor -6,5%
Chevron -5,6%
Kion Group -5,3%
Exxon Mobil -4,7%
BASF -3,9%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +2,7%
EUA S&P 500 +4,2%
EUA Nasdaq +5,8%
Lisboa PSI +3,3%
Frankfurt DAX +2,7%
Londres FTSE 100 +3,0%
Tóquio NIKKEI 225 +2,9%
Variação das cotações entre 30/3/26 a 06/4/26, em moeda local.