ETF para investir no Brasil
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O Brasil é um grande produtor de matérias-primas
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
O Brasil é um grande produtor de matérias-primas
Há pouco mais de dez anos, o Brasil viveu num período de grande instabilidade económica e política. O preço das matérias-primas, das quais o Brasil é um grande produtor, colapsou em 2014. Este movimento reduziu de forma abrupta as exportações e as receitas fiscais, provocando desequilíbrios profundos nas contas externas e nas finanças públicas.
Para os corrigir, as autoridades reduziram acentuadamente o investimento público e as transferências sociais, enquanto o banco central foi forçado a subir as taxas de juro para limitar a depreciação do real brasileiro.
Excessivamente bruscas, estas políticas acentuaram e prolongaram a recessão. Como a tímida retoma foi interrompida pela pandemia de covid, só em 2022 a economia brasileira recuperou o nível de 2014.
Este renascimento coincidiu com o regresso de Lula ao poder. Tal como durante os seus primeiros oito anos à frente do país, entre 2003 e 2011, o Presidente brasileiro colocou a tónica na procura interna para reanimar a atividade económica.
Contudo, tem tido uma abordagem mais consensual, o que tranquiliza os agentes económicos após anos de escândalos de corrupção e de polarização do país entre os apoiantes de Lula e do anterior presidente, Jair Bolsonaro.
As políticas de Brasília suportaram o mercado interno. O aumento do salário mínimo, redução da tributação sobre alguns bens essenciais, reforço das transferências sociais e uma tributação mais progressiva dos rendimentos melhoraram o poder de compra das famílias de rendimentos mais baixos.
Tal reduziu a pobreza e dinamizou o consumo, a atividade económica e a criação de emprego. A descida do desemprego para um mínimo histórico alimentou as despesas das famílias e desencadeou um círculo virtuoso. Entre 2021 e 2024, o crescimento anual do PIB superou sempre as expectativas, situando-se em, pelo menos, 3%.
O aumento da procura interna provocou, como habitual, pressões inflacionistas devido a estrangulamentos internos. Ainda assim, a subida da taxa diretora até 15% não travou o consumo, graças à forte redução do desemprego e à subida acentuada dos salários reais.
A aplicação de uma importante reforma fiscal até 2033 deverá atenuar as tensões sobre os preços, ao criar um verdadeiro mercado nacional para as empresas reduzindo a atual fragmentação territorial.
Embora o Brasil permaneça relativamente fechado ao comércio externo, as exportações de mercadorias, em especial de matérias-primas, também sustentaram o crescimento do PIB nos últimos anos. Apesar da animosidade entre Lula e Trump, apoiante do antigo Presidente Bolsonaro, as exportações brasileiras mantiveram-se dinâmicas em 2025.
Apesar das tensões, Brasília preservou sempre um espaço de diálogo com Washington, o que permitiu afastar a maioria das tarifas pretendidas por Trump. O apaziguamento foi facilitado pela necessidade de conter pressões inflacionistas nos Estados Unidos, levando a Casa Branca a anular algumas taxas sobre produtos alimentares brasileiros, como o café e a carne.
Com quase 20% das reservas mundiais de terras raras, o Brasil dispõe ainda de um trunfo importante para negociar com os Estados Unidos, que procuram reduzir a dependência da China neste domínio.
Para contrariar a ameaça tarifária norte-americana, o Brasil intensificou também as trocas com outros clientes, em particular a China, que se tornou o principal destino dos produtos brasileiros. A recente assinatura do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia confirma igualmente a vontade de desenvolver o comércio fora do mercado americano.
As eleições presidenciais de outubro prometem ser menos turbulentas. As sondagens apontam para uma nova vitória de Lula face a um candidato da direita. E o surgimento de um candidato centrista que viesse a derrotar o Presidente em funções, também não implicaria uma rutura com o atual rumo das políticas.
Mesmo assim, as tensões políticas aumentarão nos próximos meses e a volatilidade financeira poderá intensificar-se.
A implementação gradual da reforma fiscal e a continuação das reformas num quadro político mais estável aumentarão o potencial económico do país. Depois de uma valorização de 35% nos últimos doze meses, a bolsa brasileira deverá continuar a ganhar terreno.
Porém, dada a elevada volatilidade, este mercado não se adequa a investidores com perfis mais defensivos.
Franklin FTSE Brazil UCITS ETF (IE00BHZRQY00)
iShares MSCI Brazil UCITS ETF (DE000A0Q4R85)
A dívida soberana do Brasil denominada em reais é igualmente interessante. As yields rondam atualmente os 13,5% ao ano. Um nível muito atrativo, além de que as cotações destes títulos deverão beneficiar com a expectativa de redução dos juros a médio prazo.
Como sempre, o principal risco das dívidas emergentes está na vertente cambial. Embora o valor do real beneficie da credibilidade do banco central brasileiro, existe a possibilidade de um recuo do real face ao euro, o qual penalizará o rendimento dos investidores europeus.
Bradesco Brazilian Fixed Income EUR R (LU0508552956)