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Concentração setorial: o risco invisível dos índices

ETF

Muitos índices bolsistas estão muito expostos às grandes empresas tecnológicas

Publicado em: 03 fevereiro 2026
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ETF

Muitos índices bolsistas estão muito expostos às grandes empresas tecnológicas

A aparente diversificação dos grandes índices esconde uma forte dependência das tecnológicas norte-americanas. 
Apesar da aparência de diversificação, muitos índices estão fortemente expostos às grandes empresas tecnológicas. A concentração aumenta a vulnerabilidade a choques específicos e reforça a importância de uma diversificação efetiva.

Diversificação do índice global? 

Apesar de apresentado como índice do mercado acionista global, o MSCI World está fortemente dependente dos Estados Unidos, que representam a maior fatia da capitalização (cerca de 70%) e do setor tecnológico. 

Além disso, o peso de 27% no MSCI World em tecnologia subestima a exposição real ao setor. Quando se inclui o setor das comunicações, onde se encontram empresas como Alphabet e Meta, a dependência do índice global a modelos de negócio digitais é significativamente superior. 

Assim, choques específicos às big techs do mercado norte-americano tendem a propagar-se de forma quase automática ao desempenho do índice global. 

Essa concentração é ainda mais evidente no índice norte-americano S&P 500, onde a tecnologia (35%) combinada com comunicações (11%) cria uma exposição dominante a um número reduzido de grandes empresas. 

O desempenho do mercado norte-americano, e por extensão do índice global, fica assim fortemente condicionado à evolução deste núcleo restrito. 

Este fenómeno foi extremamente benéfico para os resultados de muitos ETF nos últimos anos, mas esconde o risco de correções sincronizadas quando os mercados entrarem numa fase menos boa.

Mercado global (índice MSCI World) 

Tecnologia: 27% 

Financeiro: 17% 

Industrial: 11%

Estados Unidos (índice S&P 500) 

Tecnologia: 35% 

Financeiro: 13% 

Comunicações: 11%

Em contraste, a zona euro e o Japão apresentam uma estrutura mais diversificada do ponto de vista setorial. Na zona euro, a combinação entre financeiro, industrial e tecnologia dilui a dependência de um único motor de crescimento 

No Japão, o peso do setor industrial introduz uma exposição mais direta ao ciclo económico global e ao comércio internacional, com menor dependência das grandes plataformas digitais. 

A Suíça constitui um caso ainda mais particular, com uma concentração elevada em cuidados de saúde. Embora esta concentração reduza a volatilidade e ofereça características defensivas, também limita a participação no crescimento das tecnológicas.

Zona euro (índice Euro Stoxx 50) 

Financeiro: 27% 

Industrial: 21% 

Tecnologia: 15%

Japão (índice Topix) 

Industrial: 26% 

Consumo não-essencial: 17% 

Financeiro: 15% 

Suíça (MSCI Switzerland) 

Cuidados de saúde: 37% 

Financeiro: 20% 

Consumo essencial: 15% 

Já a China apresenta uma exposição relevante aos bens de consumo, mas trata-se sobretudo da Alibaba, a “Amazon chinesa”. No total, as tecnológicas num sentido mais lato superam os 40% do índice MSCI China. E como outros mercados emergentes, a China tem riscos adicionais associados às oscilações regulatórias, governance e maior volatilidade. 

Mesmo assim, a influência das tecnológicas e similares já se faz sentir nos índices emergentes globais, como o MSCI Emerging Markets devido ao elevado peso de empresas como a Tencent, Alibaba, TSMC e Samsung Electronic. O seu preso combinado ronda os 38%.

China (índice MSCI China) 

Consumo não-essencial: 28% 

Comunicações: 23% 

Financeiras: 18% 

Mercados Emergentes (índice MSCI Emerging Markets) 

Tecnologia: 28% 

Financeiras: 22% 

Consumo não-essencial: 12%

Mitigar a concentração da carteira 

Quando se investe, por exemplo, comprando ETF globais do MSCI World, a concentração regional e setorial é considerável, isto é, implica uma elevada exposição aos EUA e às suas grandes tecnológicas. 

Já, combinar o investimento em ETF do S&P 500 e do MSCI World traz mais sobreposição na carteira do que uma real diversificação. 

Ao invés, se Incluir ETF de mercados igualmente atrativos, mas menos dominados pela tecnologia norte-americana, permite reduzir a dependência de um único país e de um conjunto restrito de empresas com negócios similares. 

 

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