Diversificação do índice global?
Apesar de apresentado como índice do mercado acionista global, o MSCI World está fortemente dependente dos Estados Unidos, que representam a maior fatia da capitalização (cerca de 70%) e do setor tecnológico.
Além disso, o peso de 27% no MSCI World em tecnologia subestima a exposição real ao setor. Quando se inclui o setor das comunicações, onde se encontram empresas como Alphabet e Meta, a dependência do índice global a modelos de negócio digitais é significativamente superior.
Assim, choques específicos às big techs do mercado norte-americano tendem a propagar-se de forma quase automática ao desempenho do índice global.
Essa concentração é ainda mais evidente no índice norte-americano S&P 500, onde a tecnologia (35%) combinada com comunicações (11%) cria uma exposição dominante a um número reduzido de grandes empresas.
O desempenho do mercado norte-americano, e por extensão do índice global, fica assim fortemente condicionado à evolução deste núcleo restrito.
Este fenómeno foi extremamente benéfico para os resultados de muitos ETF nos últimos anos, mas esconde o risco de correções sincronizadas quando os mercados entrarem numa fase menos boa.
Mercado global (índice MSCI World)
Tecnologia: 27%
Financeiro: 17%
Industrial: 11%
Estados Unidos (índice S&P 500)
Tecnologia: 35%
Financeiro: 13%
Comunicações: 11%
Em contraste, a zona euro e o Japão apresentam uma estrutura mais diversificada do ponto de vista setorial. Na zona euro, a combinação entre financeiro, industrial e tecnologia dilui a dependência de um único motor de crescimento
No Japão, o peso do setor industrial introduz uma exposição mais direta ao ciclo económico global e ao comércio internacional, com menor dependência das grandes plataformas digitais.
A Suíça constitui um caso ainda mais particular, com uma concentração elevada em cuidados de saúde. Embora esta concentração reduza a volatilidade e ofereça características defensivas, também limita a participação no crescimento das tecnológicas.
Zona euro (índice Euro Stoxx 50)
Financeiro: 27%
Industrial: 21%
Tecnologia: 15%
Japão (índice Topix)
Industrial: 26%
Consumo não-essencial: 17%
Financeiro: 15%
Suíça (MSCI Switzerland)
Cuidados de saúde: 37%
Financeiro: 20%
Consumo essencial: 15%
Já a China apresenta uma exposição relevante aos bens de consumo, mas trata-se sobretudo da Alibaba, a “Amazon chinesa”. No total, as tecnológicas num sentido mais lato superam os 40% do índice MSCI China. E como outros mercados emergentes, a China tem riscos adicionais associados às oscilações regulatórias, governance e maior volatilidade.
Mesmo assim, a influência das tecnológicas e similares já se faz sentir nos índices emergentes globais, como o MSCI Emerging Markets devido ao elevado peso de empresas como a Tencent, Alibaba, TSMC e Samsung Electronic. O seu preso combinado ronda os 38%.
China (índice MSCI China)
Consumo não-essencial: 28%
Comunicações: 23%
Financeiras: 18%
Mercados Emergentes (índice MSCI Emerging Markets)
Tecnologia: 28%
Financeiras: 22%
Consumo não-essencial: 12%
Mitigar a concentração da carteira
Quando se investe, por exemplo, comprando ETF globais do MSCI World, a concentração regional e setorial é considerável, isto é, implica uma elevada exposição aos EUA e às suas grandes tecnológicas.
Já, combinar o investimento em ETF do S&P 500 e do MSCI World traz mais sobreposição na carteira do que uma real diversificação.
Ao invés, se Incluir ETF de mercados igualmente atrativos, mas menos dominados pela tecnologia norte-americana, permite reduzir a dependência de um único país e de um conjunto restrito de empresas com negócios similares.
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