Os mercados bolsistas continuam a digerir os resultados empresariais, particularmente na Europa. Alguns ficaram aquém das expectativas, como foram os casos da Airbus (-1,4%), da Renault (-1,4%) e da Aegon (-0,8%), mas outros superaram as previsões, nomeadamente a Nestlé (+1,7%), a Air Liquide (+3,6%), a Knorr-Bremse (+9,3%) e a Zurich Insurance (+2,9%). Assim, o Stoxx Europe 600 valorizou 2,1%.
Além disso, em fevereiro, o indicador que mede a atividade económica saiu acima das expectativas, levando os investidores a assumirem um pouco mais de risco nas suas carteiras. A bolsa de Amesterdão ganhou 2,4% e a de Paris subiu 2,5%. As ações do setor financeiro europeu valorizaram 2,8%.
Nos EUA, o S&P 500 avançou 1,1% e o Nasdaq progrediu 1,5%, com a primeira reação dos mercados bolsistas ao “cancelamento” das tarifas a ser positiva. O setor dos semicondutores valorizou 2,1%. A ASML e a Nvidia ganharam 5,5 e 3,8%, respetivamente. A Alphabet subiu 2,9%.
As tensões internacionais levaram a uma subida de 4,4% do sector da defesa (+7,2% na Europa). A BAE Systems (+10%) divulgou metas positivas para 2026 e a Thales subiu 7,8%. A Alemanha está a considerar encomendar mais caças F-35 à Lockheed Martin (+0,9%; +35,6%, em euros no último ano).
O mercado percebeu que há uma maior probabilidade de intervenção dos EUA no Irão, o que fez subir também o preço do petróleo (+6%) para 72 dólares por barril. O setor energético ganhou 0,8%, com a Repsol a avançar 7,7% e a TotalEnergies a subir 1,6%.
Bolsa de Lisboa de vento em popa
A bolsa nacional (+1%) manteve a tendência altista dos últimos meses e voltou a fixar um novo máximo desde junho de 2008.
A semana foi marcada pelo início da época de resultados anuais das empresas nacionais. A Navigator (-1,2%) anunciou uma queda dos lucros de 49,6% em 2025, devido aos preços da pasta muito baixos, e a Corticeira Amorim (-1,6%) divulgou uma descida do lucro de 20,3%, sobretudo devido às tarifas nos EUA sobre vinhos e bebidas espirituosas.
Em ambos os casos, os resultados saíram abaixo do esperado. De resto, destaque para as subidas de 5,7% do BCP, que liderou os ganhos, da Semapa (+3,6%), que subiu apesar dos fracos resultados da Navigator, da qual detém 69,4% do capital, e da Galp Energia (+3,1%), que beneficiou da subida do preço do petróleo. A Mota-Engil (+2,6%) e a Sonae (+1,7%), que atingiu um novo máximo histórico, também estiveram em bom plano.
Números da semana
630,56
O Stoxx Europe 600 voltou a fechar num novo máximo histórico, aproveitando a rotação de ativos que tem ocorrido nas últimas semanas. Os investidores estão a realizar mais-valias em algumas ações de empresas ligadas à IA, para investirem em setores mais tradicionais, que têm um peso maior nas praças do velho continente.
-1,6%
Dada a desconfiança em relação à rentabilidade a curto prazo dos elevados investimentos das gigantes tecnológicas em IA, o setor tecnológico é dos poucos que está negativo em 2026. No caso dos EUA, a queda das tecnológicas (-3,8%) é ainda um pouco superior.
Top subidas
Société Générale +10,6%
BAE Systems +10,0%
Knorr Bremse +9,3%
LVMH +7,9%
ACS +7,8%
Top descidas
Walmart -8,1%
Check Point -7,3%
Blackstone -6,6%
Intel -5,7%
Bayer -5,0%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +2,1%
EUA S&P 500 +1,1%
EUA Nasdaq +1,5%
Lisboa PSI +1,0%
Frankfurt DAX +1,4%
Londres FTSE 100 +2,3%
Tóquio NIKKEI 225 -0,2%
Variação das cotações entre 13/2/25 a 20/2/25, em moeda local.
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROteste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.