Durante estes dezassete anos, a Bitcoin passou por ciclos de valorização e queda e diversos halvings (eventos programados em que a recompensa paga aos mineradores por validar blocos é reduzida pela metade).
Amadureceu em termos de segurança e infraestrutura e consolidou-se como uma das bases do ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi). Influenciou diretamente o surgimento de novas criptomoedas e tecnologias relacionadas à blockchain.
Ao chegar a 2026, a Bitcoin não é apenas uma moeda digital, mas um ativo consolidado que representa inovação tecnológica, resiliência de mercado e crescente adoção global. Relembremos os principais marcos desde a sua origem.
Saiba mais e consulte o nosso guia das criptomoedas.
Principais marcos do mercado das criptomoedas
2010 – 2015 – Da criação da Bitcoin à Ethereum
A 3 de janeiro de 2009, a Bitcoin foi oficialmente lançada. Em 2010 ocorreu o primeiro grande marco económico da Bitcoin: a famosa compra de duas pizas por 10 000 BTC, considerada a primeira transação comercial da história com a criptomoeda. Nesse mesmo período surgiram as primeiras plataformas, permitindo a negociação entre Bitcoin e moedas fiduciárias, o que deu início ao conceito de mercado cripto.
Entre 2011 e 2012, a BTC ultrapassa pela primeira vez a paridade de 1 dólar e começa a chamar atenção fora de nichos tecnológicos. Em 2012 ocorre o primeiro halving da Bitcoin, evento que reduz pela metade a recompensa dos mineradores e estabelece, na prática, a narrativa de escassez programada que se tornaria um dos pilares do ativo. Ainda em 2012 surge a XRP Ledger, introduzindo a ideia de pagamentos globais rápidos e baratos usando blockchain.
Em 2013 e 2014, a BTC atinge novos patamares de preço e visibilidade, mas também enfrenta sua primeira grande crise com o colapso da plataforma Mt. Gox, responsável por grande parte da liquidez global na época.
Este evento marca o início da discussão sobre problemas de custódia, segurança e regulação no mercado cripto. Em 2014 ocorre também a crowdsale da Ethereum (ETH), um dos eventos mais importantes da história do setor.
Mas só em 2015, a ETH entra oficialmente em funcionamento, introduzindo os smart-contracts e transformando a blockchain numa plataforma programável. Este momento é considerado um divisor de águas, pois abriu caminho para aplicações descentralizadas, tokens e novos modelos de financiamento.
2016-2020 – Do segundo halving à força das stablecoins
Entre 2016 e 2017, o ecossistema cresce rapidamente. Em 2016 ocorre o segundo halving da BTC. Em 2017, o mercado vivencia o boom das ICOs (Initial Coin Offerings), impulsionado pelo padrão ERC-20 da ETH, permitindo que qualquer projeto crie seu próprio token.
No mesmo ano, a Bitcoin atinge quase 20 mil dólares pela primeira vez. Também em 2017 surgem os primeiros contratos futuros de Bitcoin em bolsas tradicionais como a CME, marcando a entrada inicial do mercado financeiro institucional.
Em 2018, após o pico de 2017, o mercado enfrenta um forte bear market, levando a uma maturação do setor. Reguladores ao redor do mundo passam a definir regras mais claras, e o foco começa a deslocar-se da especulação pura para a construção de infraestrutura e casos de uso reais.
Em 2019 e 2020, ganham força as stablecoins, especialmente o USDT e o USDC, que se tornam essenciais para liquidez e negociação global. Em 2020 ocorre o terceiro halving do Bitcoin, e empresas como MicroStrategy iniciam a estratégia de tesouraria corporativa em BTC, consolidando a narrativa do Bitcoin como reserva de valor institucional.
2020-2024 – O surgimento dos NFT, o colapso da FTX
Entre 2020 e 2021, explode o ecossistema DeFi (finanças descentralizadas), com protocolos como Uniswap, Aave e Compound, permitindo empréstimos, trocas e rendimentos sem intermediários. Em paralelo, o mercado de NFTs ganha destaque global em 2021, levando artistas, marcas e empresas para dentro da blockchain.
Nesse período, a Bitcoin ultrapassa os 60 mil dólares pela primeira vez, e El Salvador adota a Bitcoin como moeda de curso legal, um marco histórico de adoção estatal, que foi revertido em janeiro de 2025 e hoje a Bitcoin já não tem o estatuto de moeda de curso legal obrigatória.
Em 2022, o setor enfrenta um dos períodos mais desafiadores da sua história, com colapsos de grandes players centralizados como Terra/Luna, Celsius e FTX. Esses eventos reforçaram a importância da autocustódia, da transparência on-chain e da separação entre cripto e má gestão corporativa.
Ao mesmo tempo, ocorreu a transição do Ethereum para o Proof of Stake com o evento conhecido como The Merge, reduzindo drasticamente o consumo energético da rede.
Em 2023, o mercado inicia uma recuperação gradual, impulsionada pelo avanço regulatório e pelo interesse institucional. Destacou-se o crescimento das soluções de segunda camada da Bitcoin, como a Lightning Network. Perceba mais sobre as diferentes redes – blockchains. Neste ano a Ethereum avançou em atualizações focadas em escalabilidade e eficiência.
Em 2024 aconteceu o quarto halving da Bitcoin, reforçando novamente a sua escassez programada. Contudo este não foi o marco mais importante deste ano para o mercado das criptomoedas, mas sim a aprovação dos primeiros ETF spot de Bitcoin nos Estados Unidos, permitindo o acesso por meio indireto ao ativo através do mercado financeiro tradicional.
Este evento acelerou a entrada de capital institucional em larga escala. No mesmo período, avançaram discussões regulatórias globais sobre stablecoins, incluindo projetos de lei como a GENIUS BILL nos EUA, focada em criar um arcabouço legal claro para emissão e lastro de stablecoins.
2025 – Em torno dos 100 000 dólares
Em 2025, os ETFs spot de Ethereum começam a ganhar espaço, consolidando o ETH como um ativo institucionalizado. A tokenização de ativos do mundo real, como títulos públicos, fundos e imóveis, passa a ser adotada por grandes instituições financeiras, integrando definitivamente o sistema financeiro tradicional à blockchain, e enquanto bancos centrais avançam em testes de moedas digitais (CBDCs), o mercado cripto posiciona-se como uma alternativa descentralizada a esses modelos.
Desde 6 de outubro, a Bitcoin (BTC) já desceu de 126 271 dólares para cerca de 80 700 dólares, representando uma queda de 36%. A Ethereum (ETH) que teve o seu máximo a 4956 dólares dia 24 de agosto, desde então caiu 47% para 2624 dólares.
No que toca à ripple (XRP), a queda foi ainda mais expressiva tendo apagado parte dos incríveis ganhos de mais de 300% que já vinha acumulando desde o último ano. O máximo deste ano da ripple foi a 3,66 dólares a 18 de julho de 2025, e desde então a cotação já caiu 50,3%, estando agora em torno dos 2,10 dólares.
Performances das principais criptomoedas
Bitcoin
- INÍCIO 2025: 93 780 $
- FIM 2025: 87 648 $
- PERFORMANCE 2025: -6,54%
Ethereum
- INÍCIO 2025: 3337,80 $
- FIM 2025: 2971, 64 $
- PERFORMANCE 2025: -10,97%
Ripple
- INÍCIO 2025: 2,08 $
- FIM 2025: 1,84 $
- PERFORMANCE 2025: -11,69%
Solana
- INÍCIO 2025: 189,16 $
- FIM 2025: 124,64 $
- PERFORMANCE 2025: -60,56%
Cardano
- INÍCIO 2025: 0,85 $
- FIM 2025: 0,33 $
- PERFORMANCE 2025: -28,89%
O mundo das criptomoedas é um mundo deveras complicado e muito arriscado, para além do risco de perder dinheiro rapidamente, acarreta consigo outros tipos de riscos.
Conselhos para 2026
A DECO PROteste Investe não aconselha o investimento em criptomoedas mas, se mesmo assim quiser especular e aceitar correr um risco muito elevado, sugerimos que não invista mais do que 5% da sua carteira, e veja os nossos conselhos para a Bitcoin, Ethereum e Ripple. Se é um investidor em criptomoedas e/ou um trader, é muito importante ir também acompanhando os volumes de compras e volumes de venda nas criptomoedas.
Será importante acompanhar de perto os próximos indicadores macroeconómicos para entender se as retiradas verificadas no último trimestre de 2025 sinalizam o início de uma fase prolongada de queda (bear market), e subsequente estagnação até uma próxima possível valorização em concordância com o próximo halving, a ocorrer a meados de abril de 2028. Ou se esta descida abaixo do patamar dos 100 000 dólares (chegando mesmo a 80 700 dólares) foi apenas uma curta desaceleração da valorização da Bitcoin.
Para investidores individuais, estratégias de investimento gradual, como o DCA (Dollar-Cost Averaging), podem ser uma ferramenta útil para construir posições de longo prazo de forma progressiva, reduzindo o risco de comprar nos momentos de alta ou reagir de forma impulsiva às quedas.
Além disso, é aconselhável evitar operações especulativas de curto prazo, mantendo disciplina e foco no planeamento financeiro de longo prazo.
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