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Mudanças na Fed e os impactos potenciais no mercado de criptomoedas

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Trump tem acusado Powell de ser excessivamente restritivo

Publicado em: 14 janeiro 2026
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Trump tem acusado Powell de ser excessivamente restritivo

A saída de Jerome Powell da presidência da Reserva Federal (Fed) tem vindo a ser ameaçada nos bastidores políticos norte-americanos. Qual será o impacto nas criptomoedas?
 As críticas à condução da política monetária pós-pandemia e o impacto prolongado das taxas de juro elevadas sobre a economia real  intensificam, ao mesmo tempo que a saída de Jerome Powell da presidência da Reserva Federal (Fed) tem vindo a ser ameaçada nos bastidores políticos norte-americanos.

O mandato de Powell 

Durante o mandato de Jerome Powell, a Fed adotou uma postura oficialmente neutra em relação às criptomoedas, sem proibições ou restrições diretas, contudo, as suas decisões tiveram impactos indiretos relevantes no setor:

· política monetária restritiva (2022–2023): a adoção de um aperto agressivo com as subidas nas taxas de juro provocou uma forte correção nos preços das criptomoedas.

· subida das taxas de juro: incentivou a migração de capitais de ativos de risco, como criptomoedas e ações, em 2022, para instrumentos mais seguros e tradicionais.

· redução de liquidez global: o menor fluxo de capital disponível limitou a especulação e reduziu volumes de negociação no mercado cripto.

Apesar de não adotar uma postura ideológica contrária às criptomoedas, Powell concentrou-se em prioridades macroeconómicas e de estabilidade financeira:

· controlo da inflação: o combate à inflação foi uma prioridade, impactando diretamente o apetite por ativos voláteis.

· estabilidade do sistema financeiro: o foco esteve em garantir a resiliência do sistema bancário tradicional face a choques externos.

· supervisão prudencial: embora não tenha regulado diretamente o setor cripto, a Fed monitorizou riscos que poderiam afetar bancos e mercados financeiros conetados a criptomoedas.

As críticas a Powell 

A saída de Jerome Powell da presidência da Reserva Federal (Fed) tem vindo a ser publicamente ameaçada e politicamente pressionada, em grande parte devido às críticas reiteradas de Donald Trump e de setores republicanos à condução da política monetária norte-americana. 

Desde o seu primeiro mandato, Trump tem acusado Powell de manter uma postura excessivamente restritiva, argumentando que as taxas de juro elevadas prejudicam o crescimento económico, enfraquecem a competitividade dos EUA e penalizam os mercados financeiros.  

Em vários discursos e intervenções públicas, Trump chegou mesmo a sugerir que Powell não deveria continuar no cargo, sugerindo ainda outros nomes para o cargo, alimentando a especulação sobre uma possível substituição ainda antes do final do mandato formal do atual presidente da Fed (15 de maio de 2026).

Powell sai, quem entra?  

Com a possibilidade — cada vez mais discutida — de Jerome Powell deixar a presidência da Fed antes de terminado o seu mandato a 15 de maio de 2026, a atenção dos mercados vira-se naturalmente para a sucessão.

Mais do que uma simples troca de liderança, a escolha do próximo presidente da Fed poderá redefinir a política monetária norte-americana e influenciar de forma decisiva os mercados globais, incluindo o ecossistema das criptomoedas. 

Entre os nomes mais frequentemente mencionados nos círculos políticos e económicos surgem Kevin Hassett, Christopher Waller e Kevin Warsh. Cada um representa uma visão distinta sobre crescimento, inflação, estabilidade financeira e inovação — fatores-chave para o futuro do mercado cripto.

Relação indireta com a SEC: Porque é importante? 

Embora a Fed não regule diretamente criptomoedas, a sua liderança influencia: 

O clima político e regulatório; 

A nomeação indireta de reguladores; 

A cooperação com a SEC e o Tesouro; 

A perceção institucional do risco cripto. 

Uma Fed mais aberta à inovação tende a: 

Reduzir a hostilidade (burocracia) regulatória; 

Facilitar ETF’s, produtos financeiros e a adoção institucional de criptoativos; 

Criar um ambiente menos hostil para empresas cripto nos EUA.

Kevin Hassett: o cenário mais favorável ao cripto 

Kevin Hassett, antigo conselheiro económico da Casa Branca, é visto como o candidato com uma abordagem mais pró-mercado e orientada para o crescimento económico.

Defensor de políticas monetárias menos restritivas, Hassett tende a valorizar a inovação financeira e tecnológica como motor de competitividade dos EUA. Esta nomeação seria favorável para criar um contexto mais benéfico à adoção institucional de criptomoedas e infraestrutura blockchain. 

Waller esteve envolvido em grupos de trabalho da Casa Branca sobre ativos digitais e contribuiu para relatórios com recomendações regulatórias sobre stablecoins e o quadro regulatório das criptomoedas, sugerindo que pode favorecer uma abordagem de integração com supervisão adequada.

O mesmo também declarou publicamente possuir uma participação substancial em ações da Coinbase, o que o liga pessoalmente ao espaço cripto.

Christopher Waller: inovação com prudência 

Christopher Waller, atual governador da Fed, é considerado um nome de continuidade institucional, mas com abertura à modernização do sistema financeiro. Embora mantenha uma forte preocupação com inflação e estabilidade monetária, Waller reconhece o papel da tecnologia blockchain — sobretudo no que toca a pagamentos digitais e stablecoins reguladas. 

Waller destacou que as stablecoins representam uma inovação no sistema de pagamentos e que podem melhorar a velocidade, competição e a eficiência. Também enfatizou que o banco central deve acompanhar a tecnologia e colaborar com as empresas inovadoras do setor.  

No que diz respeito aos riscos, Waller também fala da necessidade de estruturas regulatórias robustas e gestão de riscos, incluindo cibersegurança, à medida que sistemas de pagamentos incorporem stablecoins ou tecnologias como smart contracts.

Kevin Warsh: o mais conservador  

Kevin Warsh, ex-governador da Fed, representa uma visão mais tradicional do sistema financeiro. Conhecido pelo seu foco na disciplina monetária e na estabilidade do sistema bancário, Warsh tem demonstrado maior ceticismo em relação a criptomoedas descentralizadas e uma maior preferência por moedas digitais emitidas pelos bancos centrais.  

Warsh já veio a afirmar que criaria uma equipa para estudar a criação de uma moeda digital do Federal Reserve (“FedCoin”) — não para substituir o dinheiro tradicional, mas como uma ferramenta potencial de política monetária em futuros choques — e que as criptomoedas e tecnologia blockchain merecem consideração além de serem vistas apenas como curiosidade.

No que toca à criptomoeda mais conhecido, Bitcoin, o mesmo afirmou que faz sentido possuir a moeda digital como parte de um portefólio num ambiente de dólar fraco, observando que poderia atuar de forma semelhante ao ouro para certos investidores.

Conselho 

A DECO PROteste Investe não aconselha o investimento em criptomoedas mas, se mesmo assim quiser especular e aceitar correr um risco muito elevado, sugerimos que não invista mais do que 5% da sua carteira, e veja os nossos conselhos para a Bitcoin, Ethereum e Ripple. Se é um investidor em criptomoedas e/ou um trader, é muito importante ir também acompanhando os volumes de compras e volumes de venda nas criptomoedas.  
 
Para investidores individuais, estratégias de investimento gradual, como o DCA (Dollar-Cost Averaging), podem ser uma ferramenta útil para construir posições de longo prazo de forma progressiva, reduzindo o risco de comprar nos momentos de alta ou reagir de forma impulsiva às quedas. 

Além disso, é aconselhável evitar operações especulativas de curto prazo, mantendo disciplina e foco no planeamento financeiro de longo prazo.  

Independentemente do nome escolhido, o mercado cripto continuará altamente especulativo e também sensível às decisões da Fed — e o tom, a narrativa e a visão estratégica do próximo presidente poderão ter um impacto significativo neste mercado. 

Iremos estar atentos a novos desenvolvimentos.  

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