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Bitcoin cai abaixo dos 60 000

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A mineração de Bitcoin funciona como um mercado competitivo

Publicado em: 09 fevereiro 2026
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A mineração de Bitcoin funciona como um mercado competitivo

A mãe das criptomoedas cai abaixo do seu custo de eletricidade e o mercado treme em pânico. O que fazer? 

BTC cai abaixo do custo de eletricidade de mineração e pressiona toda a indústria 

Nos últimos dias, o preço da Bitcoin (BTC) sofreu uma queda significativa, aproximando-se de níveis que colocam a operação de mineração em um terreno economicamente insustentável para muitos participantes da rede. Essa dinâmica reacende um debate histórico sobre a relação entre preço da criptomoeda, custos de energia e saúde económica do ecossistema de mineração. 

O preço na sessão de dia 6 de fevereiro da BTC recuou para valores próximos de cerca de 59 950 dólares, ou seja, em patamares em que muitos mineradores não conseguem cobrir os custos de eletricidade com as receitas obtidas ao minerar novos blocos.  

Esse fenómeno ocorre quando o valor da BTC que um minerador recebe por minerar um bloco (ou parte dele) é menor do que os custos de energia elétrica usados nessa mineração.

Nas cerca de 23 horas após esta queda, a BTC volto a recuperar 19% voltando acima dos 72 000 dólares, começando esta semana de novo em queda, situando-se agora abaixo dos 70 000 dólares.

Efeito bola de neve 

O mercado de criptomoedas sempre apresentou um elevado número de posições alavancadas. Os investidores assumem grandes posições com pouco capital ou com capital emprestado. Este mecanismo funciona nos dois sentidos. A queda da cotação obriga cada vez mais investidores a fechar posições por exigência das plataformas. 

 
As plataformas liquidam posições através de stop loss ou encerram-nas, salvo reforço de capitais próprios. Atualmente, os investidores reforçam menos as posições. 

A quebra de zonas de suporte ativa automaticamente ordens de venda. Este processo cria um ciclo que intensifica a queda. O mercado comprador transforma-se rapidamente num mercado vendedor.

Por que isso é importante? 

A mineração de Bitcoin funciona como um mercado competitivo: os mineradores usam equipamentos especializados, Application-Specific Integrated Circuits (ASICs) que consomem muita eletricidade para processar transações e manter a rede segura. A recompensa por isso vem principalmente em BTC, convertida depois para uma moeda fiduciária.  

Porém: 

Eletricidade é um dos maiores custos operacionais na mineração — pode representar até metade ou mais do custo total por Bitcoin extraído.  

Quando o preço da BTC cai e os custos de energia permanecem os mesmos (ou sobem), muitos mineradores começam a operar no vermelho ou com margens muito apertadas.  

Mesmo com o preço em torno de 75 000-78 000, as estimativas mostram que muitos modelos de equipamento, especialmente os de gerações anteriores, já não cobrem os gastos com eletricidade sem prejuízo.

Níveis de “break-even” e pressão sobre a mineração 

Os dados mais recentes do mercado indicam que: 

Para modelos populares como o Antminer S19 XP+ ou o WhatsMiner M60S, o ponto de equilíbrio (break-even) — em que a receita da mineração cobre exatamente o custo de eletricidade — está em níveis próximos ou acima dos preços atuais.  

Somente equipamentos de última geração com maior eficiência energética continuam a gerar lucro mesmo com preços baixos.

Michael Burry – espiral de morte 

Burry escreveu recentemente que a queda recente da Bitcoin pode transformar-se numa espiral de queda, em que perdas forçam mais vendas, pressionando ainda mais o preço. Isso pode criar um ciclo negativo persistente no mercado — algo que ele descreveu como um risco real agora, não apenas teórico.  

O famoso shorter das subprime enfatizou que empresas que acumularam BTC nos seus balanços, como a Strategy (antiga MicroStrategy), poderiam enfrentar perdas bilionárias se o BTC cair mais 10 %. Isso poderia cortar o acesso dessas empresas aos mercados de capitais e forçar liquidações de ativos.

Conselho 

Quem apostou nas cripo sofreu fortes perdas em 2025 e além disso não beneficiou das elevadas valorizações dos principais mercados de ações. Ou seja, além de ter assumido prejuízo no mercado de criptomoedas, teve também implícito o custo de oportunidade de outros investimentos que poderia realizar.  

A DECO PROteste Investe não aconselha o investimento em criptomoedas mas, se mesmo assim quiser especular e aceitar correr um risco muito elevado, sugerimos que não invista mais do que 5% da sua carteira, e veja os nossos conselhos para a Bitcoin, Ethereum e Ripple. Se é um investidor em criptomoedas e/ou um trader, é muito importante ir também acompanhando os volumes de compras e volumes de venda nas criptomoedas.  

Para investidores individuais, a técnica de investimento gradual, como o DCA (Dollar-Cost Averaging), podem ser uma ferramenta útil para construir posições de longo prazo de forma progressiva, reduzindo o risco de comprar nos momentos de alta ou reagir de forma impulsiva às quedas. 

Além disso, é aconselhável evitar operações especulativas de curto prazo, mantendo disciplina e foco no planeamento financeiro de longo prazo.  

Performances de Janeiro das principais criptomoedas: 
Bitcoin: -10,15% 

Ethereum: -17,58% 

Ripple: -12,07% 

Solana: -5,66% 

Cardano: -39,10% 

 

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