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Guia para entender o mundo das criptomoedas

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O inventor da Bitcoin, que usava o pseudónimo Satoshi Nakamoto, criou uma cadeia de blocos criptograficamente segura para minerar esta criptomoeda.

Publicado em: 26 novembro 2025
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O inventor da Bitcoin, que usava o pseudónimo Satoshi Nakamoto, criou uma cadeia de blocos criptograficamente segura para minerar esta criptomoeda.

As criptomoedas atraem muitos entusiastas pelos elevados ganhos que podem proporcionar. Leia este guia antes de começar a investir nestes ativos.

A Bitcoin foi criada em resposta à crise financeira global de 2008. Muitos perderam a confiança nos bancos, nos governos e nos sistemas financeiros tradicionais. Surgiu então a ideia de criar uma moeda digital descentralizada, sem necessidade de intermediários (como bancos), e resistente à censura ou manipulação.

A criptomoeda foi criada por um indivíduo (ou grupo) sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto, que publicou, em outubro de 2008, um white paper intitulado: "Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System".

Este documento propunha um sistema de dinheiro digital baseado em blockchain, que permite transferências diretas entre pessoas, sem intermediários.

Baseada na tecnologia blockchain, a Bitcoin estabeleceu um modelo inovador de moeda digital que funciona de forma descentralizada, sem precisar de bancos ou entidades financeiras como intermediários. 

O que é a descentralização?

A descentralização é o pilar das criptomoedas. Ao contrário do sistema financeiro tradicional, onde uma entidade central como um banco, controla, verifica e autoriza transações, as criptomoedas funcionam de forma descentralizada. Aqui, uma rede global de computadores valida as transações, sem necessidade de uma autoridade central.

Este modelo oferece várias vantagens, como transações mais rápidas e redução de custos associados a intermediários.

No entanto, a descentralização também tem os seus desafios: o participante é o único responsável pela segurança dos seus ativos, o que exige uma maior preparação e conhecimento. 

Como funciona a blockchain?

A blockchain (em português: cadeia de blocos) é um registo imutável e distribuído de transações. Cada operação realizada é verificada por uma rede de computadores e registada de forma segura e transparente. Esta tecnologia não só garante a integridade dos dados, mas também é a base de diversas inovações no mundo cripto. Imagine um livro de registos público e inviolável, onde todas as transações são escritas de forma cronológica e permanente.

Esta cadeia de blocos é uma base de dados distribuída, onde os dados são agrupados em blocos, ligados entre si de forma segura e sequencial. Cada novo bloco inclui informação sobre o anterior, formando uma “cadeia”.

Ao contrário dos bancos onde são eles que verificam se não existem transações duplas, a própria blockchain verifica isso de uma forma que até hoje, não foi possível ser manipulada. O termo ledger significa livro-razão, o mesmo que se usa em contabilidade para registar entradas e saídas.

Um distributed ledger (livro-razão distribuído) é um sistema onde vários computadores (chamados nós ou nodes) mantêm cópias sincronizadas e partilhadas do mesmo livro de registos.

A blockchain é um tipo de ledger distribuído, mas com regras próprias:

  • Cada transação é validada por consenso.
  • Cada bloco é ligado criptograficamente ao anterior.
  • Os dados, uma vez registados, não podem ser alterados.

Registo Distribuído (DLT): A Distributed Ledger Technology permite que todos os participantes mantenham uma cópia sincronizada do registo de transações, sem a necessidade de um intermediário. Isto é crucial para garantir a transparência e a confiança no sistema.

Mining: A mineração é o processo de validação de transações, que utiliza poder computacional significativo. Embora o mining seja criticado pelo seu elevado consumo de energia, continuam a surgir soluções para tornar este processo mais sustentável, como a utilização de energias renováveis.

Staking: Uma alternativa mais eficiente em termos energéticos é o staking, onde os utilizadores “apostam” as suas criptomoedas para ajudar a validar transações. Este método tornou-se cada vez mais popular, especialmente com a transição da Ethereum para o modelo Proof of Stake em 2022.

Smart contracts: São contratos digitais programados para executar automaticamente quando determinadas condições são satisfeitas. Introduzidos pela Ethereum, estes contratos têm revolucionado várias indústrias ao permitir transações automáticas sem intermediários. Aplicações comuns incluem seguros automatizados, empréstimos descentralizados e até jogos na blockchain.

Os NFT (Non-Fungible Tokens) ganharam notoriedade ao transformar ficheiros digitais em ativos únicos e colecionáveis na blockchain. Desde arte digital a certificados de autenticidade para bens físicos, os NFT permitem aos criadores monetizar diretamente as suas obras. A inovação mais recente no espaço NFT é a aplicação em jogos e experiências virtuais imersivas, onde ativos digitais podem ser comprados, vendidos ou usados dentro de metaversos.

As Decentralized Autonomous Organizations (DAO) são organizações que operam sem gestão centralizada, governadas por código e pelos votos dos membros. Quem possui tokens de uma DAO pode participar na tomada de decisões, o que torna este sistema mais democrático. As DAO têm sido usadas para fins variados, desde gestão de fundos de investimento comunitários até projetos de caridade.

A Decentralized Finance (DeFi) transformou o acesso a serviços financeiros. Agora, é possível pedir empréstimos, oferecer liquidez ou investir em criptomoedas sem passar por instituições financeiras tradicionais. As plataformas DeFi são acessíveis a qualquer pessoa com uma carteira digital, e a combinação de DeFi com stablecoins é especialmente útil em economias com sistemas financeiros instáveis. Contudo, os riscos permanecem elevados devido à falta de regulação e à potencial vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

A Web 3.0 é uma visão para uma internet descentralizada, onde os utilizadores têm controlo sobre os seus dados e podem monetizar diretamente as suas interações digitais. Protocolos como o Filecoin e o Livepeer são alternativas descentralizadas para armazenamento e transmissão de dados, que podem vir a desafiar o domínio das grandes empresas tecnológicas.

Que tipos de criptomoedas existem?

Criptomoedas Primárias (Layer One): Por exemplo a Bitcoin, Ether ou Cardano. São as criptomoedas nativas de uma determinada blockchain independente, podem servir de base para outras aplicações e protocolos.

Tokens: Funcionam geralmente em cima de blockchains já existentes. Estes podem ter diferentes finalidades, desde servir como forma de pagamento até representar ativos ou direitos de governança em projetos descentralizados.

Stablecoins: A extrema volatilidade das criptomoedas é um dos seus maiores desafios. As stablecoins surgiram como uma solução, mantendo um valor estável em relação a moedas fiduciárias, como o dólar americano. As mais conhecidas, como a Tether (USDT) e a USD Coin (USDC), são frequentemente usadas como alternativas estáveis para transações.

As criptomoedas não surgiram com o objetivo de substituir as moedas fiduciárias (como o euro, o dólar ou o real), mas sim de as complementar, oferecendo uma alternativa digital descentralizada ao sistema financeiro tradicional. Enquanto as moedas fiat continuam a ser essenciais para a economia global — servindo como meio de pagamento oficial, reserva de valor e unidade de conta — as criptomoedas propõem soluções inovadoras para questões como rapidez nas transferências internacionais, inclusão financeira, transparência e segurança das transações.

O papel das criptomoedas é sobretudo oferecer liberdade e autonomia aos utilizadores, permitindo transações ponto a ponto, sem intermediários, e com custos reduzidos. Além disso, muitas delas — como o Bitcoin — são vistas como reservas de valor alternativas, comparáveis ao ouro digital, especialmente em contextos de inflação ou instabilidade económica.

Porque não foi possível manipular a blockchain até hoje?

A razão pela qual não foi possível até hoje manipular o sistema blockchain é porque a blockchain pública (como a do Bitcoin ou Ethereum) tem:

  • Milhares de cópias do mesmo livro de registos, espalhadas por todo o mundo.
  • Um sistema de consenso (como Proof of Work), onde é preciso resolver um problema matemático para adicionar blocos.
  • Ligação criptográfica entre os blocos: se alterares um bloco, tens de alterar todos os seguintes — algo praticamente impossível sem controlar a maioria da rede.

Avisos a ter em consideração antes de entrar no mundo das criptomoedas

Entrar no mundo das criptomoedas pode ser entusiasmante, mas também envolve riscos significativos. A natureza descentralizada e muitas vezes não regulada deste mercado torna-o fértil para burlas, fraudes e perdas irrecuperáveis. A falta de enquadramento legal em Portugal pode deixar os investidores à mercê de todos os riscos. 

De que maneiras pode investir em criptomoedas?

Investir em criptomoedas não fica apenas por comprar e manter determinada/s criptomoedas em carteira. Existem inúmeras formas de tentar obter rendimentos com este mercado:

  • Comprar e manter – processo de comprar e manter determinada/s criptomoeda/s, depende exclusivamente das flutuações das cotações.
  • Staking – bloquear as criptomoedas que possui numa rede Proof-of-Stake para ajudar no processo de validação de transações, e em troca receber recompensas em criptomoedas.
  • Yield Farming – disponibiliza liquidez a protocolos DeFi em troca de juros e tokens de recompensa.
  • Liquidity Mining – similar ao anterior, contudo as recompensas vêm maioritariamente em tokens do protocolo respetivo. Ou seja, as recompensas de diponibilizar liquidez numa certa criptomoeda, são dadas nessa mesma criptomoeda. 
  • Trading – comprar e vender criptomoedas numa perspetiva de curto médio prazo, tirando proveito das oscilações das cotações. 
  • Investimento em tokens de projetos – investir em novos projetos de criptomoedas antes do lançamento dos tokens (Initial Coin Offerings, Initial Dex Offerings).
  • Empréstimo de stablecoins – é aconselhável manter sempre um montante do que tem investido em stablecoins, de modo a não estar 100% exposto a ativos de alto risco. É possível emprestar essas mesmas stablecoins como USDC, USDT em plataformas DeFi ou CeFi para ganhar juros. 
  • Masternodes – Rodar um servidor que ajuda a manter a rede de uma criptomoedas e receber recompensas, contudo é necessário um investimento inicial alto.
  • Arbitragem – Apesar de exigir elevados montantes para os ganhos serem significativos, é possível aproveitar discrepâncias de preços de venda e de compra entre diferentes plataformas. 
  • NFT’s e GameFi – Investir em ativos digitais únicos (NFT’s) ou jogos baseados em blockchain.
  • ETF’s – fundos e produtos regulados – consiste em investir indiretamente em criptomoedas por meios de fundos ou ETF’s.
  • Airdrops e campanhas – alguns projetos distribuem criptomoedas grátis a quem participa em campanhas, testes de apps, ou a quem manem tokens específicos. 
  • Mineração -  consiste em usar computadores potentes para validar transações na blockchain e receber recompensas, atualmente é apenas rentável se for em larga escala.

Os perfis mais comuns de investidores em criptomoedas

Os investidores em criptomoedas podem ser agrupados em diferentes perfis, cada um movido por racionalidades e motivações próprias: 

Especulador

O interesse está centrado na volatilidade das criptomoedas. Para este investidor, a cripto é uma arena de oportunidades rápidas: comprar em baixa e vender em alta. Este investidor segue as notícias, tendências e não cria relação emocional com os ativos.

O seu racional é puramente pragmático: lucrar num ambiente onde os movimentos são amplos e constantes.

Visionário tecnológico

Alguém que acredita que a blockchain representa uma metodologia que pode ser aplicada muito para além dos criptoativos. Para este tipo de investidor, investir em cripto é menos uma aposta financeira e mais uma convicção de longo prazo sobre o futuro da internet, da privacidade e das finanças descentralizadas.

Estuda projetos, lê documentos técnicos e mantém-se firme mesmo quando o mercado oscila fortemente, porque está comprometido com a ideia, não apenas com o preço.

Libertários Financeiros

Pessoas que encaram as criptomoedas como uma forma de independência. São desconfiadas de bancos, políticas monetárias e do controlo excessivo do Estado. Para eles, possuir cripto — especialmente Bitcoin ou moedas focadas em privacidade — é uma expressão de autonomia. Guardam as próprias chaves, evitam intermediários e mantêm uma mentalidade de longo prazo.

Aventureiro

Entra no mercado movido pela esperança de enriquecimento rápido. Influenciado pela internet, histórias de sucesso e memecoins, este perfil procura a próxima moeda capaz de multiplicar de valor. Raramente estuda profundamente os projetos e oscila entre a euforia e o pânico, guiado mais pela emoção do que pela estratégia.

O que não quer perder oportunidades

Além dos grupos mais conhecidos, há também um tipo de investidor que vem do mercado tradicional de ações e que, embora mantenha a maior parte do seu capital em instrumentos clássicos, não quer ignorar o potencial transformador das criptomoedas.

Este perfil costuma ser disciplinado, habituado a análises fundamentais e relatórios de empresas – o que não se aplica no caso das criptomoedas. Ao entrar em cripto, não o faz por impulso, mas por receio de deixar escapar uma tendência estrutural semelhante à chegada da internet ou ao boom das tecnológicas.

Deve investir?

As tecnologias por detrás das criptomoedas, como a blockchain, os smart contracts e a descentralização, têm um enorme potencial para transformar vários setores. No entanto, apesar do seu impacto disruptivo, as criptomoedas permanecem ativos de natureza altamente especulativa e com uma volatilidade extrema. Por essa razão, continuamos a não recomendar o investimento em criptoativos para a generalidade dos investidores.

Se, ainda assim, decidir investir em criptomoedas, sugerimos que se foque nas opções mais estabelecidas, como a Bitcoin e a Ether. Embora também apresentem riscos consideráveis, estas são geralmente menos voláteis e menos vulneráveis a esquemas manipulativos como as “pump and dump”.

Mesmo assim, não coloque mais de 5% da sua carteira de investimentos neste tipo de ativos de alto risco e consulte a nossa análise sobre as melhores plataformas para investir em criptomoedas. De sublinhar também a importância de diminuir o risco de exposição ao risco aplicando o Método DCA.

É importante ter isto em conta antes de realizar qualquer tipo de investimento neste mercado. No entanto, tal e qual como as primeiras empresas da internet foram ridicularizadas ao início, depois combatidas, e finalmente aceites, é possível que algumas destas criptomoedas, especialmente a Bitcoin, venham a ser ativos de grande importância, no que toca à diversificação de carteira.

No entanto, é importante relembrar que as criptomoedas não têm qualquer valor intrínseco, por isso, não são comparáveis a ações. Dado o atual estado da arte, a DECO PROteste tem vindo a defender a criação de legislação específica para as criptomoedas, de modo a proteger quem recorre a este tipo de produtos.

Apesar de não serem proibidas em Portugal, tampouco têm curso legal, pelo que a sua aceitação não é obrigatória. Além disso, não são emitidas por qualquer Governo, nem gozam da garantia de qualquer autoridade nacional.

 

 
 

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