É possível construir uma carteira diversificada, eficiente e fácil de gerir com apenas dois ETF: um de ações globais e outro de obrigações globais.
A estratégia 60/40 demonstrou historicamente uma rentabilidade média próxima de 6,8% ao ano.
Registe-se para descobrir os melhores ETF e construir uma carteira simples, eficiente e ajustada ao longo prazo.
Hoje existem milhares de fundos e ETF disponíveis. A variedade é grande e pode confundir quem está a começar a investir. No entanto, pode montar uma carteira sólida, diversificada e fácil de gerir com apenas dois produtos.
Porque investir com apenas dois ETF faz sentido
Basta escolher os ETF certos, aplicar uma estratégia simples e manter-se disciplinado ao longo dos anos. Por um lado, a disciplina deve assentar num reforço regular do investimento (todos os meses ou trimestres).
Por outro, a disciplina implica uma abordagem de longo prazo: buy and hold (comprar e manter). O investidor deve estar preparado para ignorar as inexoráveis flutuações dos mercados. Não pode ceder ao pânico e vender no primeiro momento que as bolsas estiverem em queda.
Estratégia 60/40: equilíbrio entre crescimento e estabilidade
A ideia é construir uma carteira com apenas dois ETF: 1 ETF de ações globais e 1 ETF de obrigações globais.
Em termos de ponderação pode usar-se o “clássico” 60/40. Aloca 60% a ações e 40% a obrigações. É uma das abordagens mais populares porque procura equilibrar rentabilidade a longo prazo e proteção do capital.
- 60% em ações proporciona crescimento do capital a longo prazo. Historicamente, as ações têm oferecido rentabilidades superiores às obrigações, embora com maior volatilidade.
- 40% em obrigações introduz estabilidade e proteção em períodos de queda nos mercados acionistas.
Esta estratégia gerou 6,8% ao ano (em média) nos últimos vinte anos. Um período que inclui momentos bastante negativos, como a crise financeira de 2008, a crise do euro em 2011, a pandemia e o surto inflacionista de 2021-22.
As 4 regras essenciais para escolher bons ETF
Para escolher bem os ETF, deve seguir quatro regras:
1. Diversificação global
Escolha ETF que investem globalmente. Assim beneficia da evolução dos mercados mundiais sem tentar prever os vencedores.
2. Reinvestimento automático
Prefira ETF que reinvestem dividendos e juros. Esta característica acelera o crescimento da carteira, graças ao efeito dos juros compostos.
Além disso, evita o pagamento imediato do imposto sobre esses rendimentos. Sendo os ETF geridos por entidades estrangeiras há uma dupla retenção de imposto. Primeiro, no país de origem e depois o IRS retido na fonte pelo banco ou corretora em Portugal.
3. ETF cotados em euros
A escolha de ETF negociados em bolsa em euros elimina custos de câmbio na compra e venda.
Essa característica não afeta o risco cambial. Este depende da composição da carteira do ETF.
4. ETF de direito europeu
Dê preferência a ETF regulados na Europa ao abrigo da diretiva UCITS. Estes ETF seguem regras de diversificação mais exigentes e são disponibilizados por todas as corretoras.
Os dois ETF selecionados
Como referimos, para seguir esta estratégia basta escolher um ETF de ações globais e um ETF de obrigações globais.
Contudo, mesmo dentro destas categorias, existem variadas opções. Em obrigações globais, menos 20 ETF, mas em ações globais há mais de 140 ETF.
Selecionámos ETF de ações que cumprem os critérios mencionados. São simples, eficientes e ideais para uma carteira de longo prazo.
Nas obrigações, as opções são mais escassas dado que a maioria dos ETF distribui rendimentos, uma característica pouco adequada para uma estratégia de longo prazo.
ETF de ações globais: opções passivas tradicionais, value e ativas
A oferta de ETF que investem no mercado de ações mundial é vasta. É fácil encontrar boas opções e com diferenças mínimas.
Com baixo custos:
A mais simples gestão passiva, replicando índices de mercado, com comissões de gestão reduzidas. No caso do ETF da Invesco, os menores custos são obtidos também graças a uma replicação sintética. Os dois outros ETF não recorrem a essa estratégia.
- Invesco MSCI World UCITS ETF Acc (IE00B60SX394)
TER: 0,05%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 11,9%
- Amundi Prime Global UCITS ETF Acc (IE0009DRDY20)
TER: 0,05%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 11,9%
- Vanguard FTSE Developed World UCITS ETF (IE00BK5BQV03)
TER: 0,12%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 12,0%
Com estratégia ‘value’:
Estes ETF replicam índices que privilegiam empresas subavaliadas com base em métricas como um baixo rácio cotação/lucro (P/E) ou cotação/valor contabilístico (P/B) ou ainda com um dividend yield elevado, esperando que o mercado corrija essa subavaliação ao longo do tempo. A volatilidade destas ações é tipicamente mais baixa, o que favorece a avaliação destes ETF.
Nos últimos cinco anos, esta abordagem value acabou por produzir bons resultados bastante sucesso apesar do domínio das tecnológicas (growth).
- iShares Edge MSCI World Value Factor UCITS ETF (IE00BP3QZB59)
TER: 0,25%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 14,7%
- Xtrackers MSCI World Value UCITS ETF 1C (IE00BL25JM42)
TER: 0,25%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 14,7%
Com gestão ativa:
Nem todos os ETF assentam numa gestão passiva. Nestes ETF, o gestor toma decisões discricionárias sobre a composição da carteira, procurando superar o índice em vez de apenas o replicar automaticamente.
Os resultados destes 2 ETF têm sido positivos face aos concorrentes, mesmo com custos ligeiramente mais elevados. Ambos privilegiam empresas com melhores indicadores ao nível de critérios ESG (ambientais, sociais e de governance).
- Invesco Global Active ESG Equity UCITS ETF Acc (IE00BJQRDN15)
TER: 0,3%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 14,5%
- JPM Global Research Enhanced Index Equity Active UCITS ETF (IE00BF4G6Y48)
TER: 0,22%
Rentabilidade média anual em 5 anos: 12,3%
Consulte o comparador para encontrar outros ETF de ações globais com boas avaliações.
ETF de obrigações globais: reduzir risco e volatilidade
- Amundi Core Global Aggregate Bond UCITS ETF (LU1437024729)
TER: 0,1%
Rentabilidade média anual em 5 anos: -1,2%
O Amundi Core Global Aggregate Bond dá preferência a obrigações soberanas (cerca de 59% da carteira), mas inclui outro tipo de emitentes, como empresas, agências governamentais, entre outros.
As obrigações são de emitentes financeiramente sólidos (não avaliados com rating de “lixo”). O mercado preferido é da dívida em dólares norte-americanos com 50%, seguido do euro com 21%. O ETF detém mais de 11000 títulos.
Este ETF, à semelhança da concorrência, acumulou perdas nos últimos anos devido à forte subida das taxas de juro ao longo de 2022. E em 2025, foi novamente penalizado, desta vez pela depreciação do dólar dos EUA face ao euro.
Apesar deste fraco desempenho recente, as obrigações permitem reduzir o nível de risco global da carteira
Existem outras alternativas, sendo a principal diferença incidirem o investimento apenas em dívida soberana. O risco é menor, mas o potencial de valorização também. Nos últimos cinco anos, os resultados forem menos favoráveis do que os registados pelo Amundi Core Global Aggregate Bond.
- UBS JPM Global Government ESG Liquid Bond UCITS (LU1974693662)
TER: 0,15%
Rentabilidade média anual em 5 anos: -2,4%
- Xtrackers II Global Government Bond UCITS ETF (LU0908508731)
TER: 0,2%
Rentabilidade média anual em 5 anos: -2,6%
- Amundi Core Global Government Bond UCITS ETF Acc (LU1437016204)
TER: 0,2%
Rentabilidade média anual em 5 anos: -2,7%
- iShares Global Government Bond UCITS ETF USD Acc (IE00BYZ28V50)
TER: 0,2%
Rentabilidade média anual em 5 anos: -2,7%
Rentabilidade histórica da carteira de 2 ETF
A compra de 2 ETF com estas características, e procedendo a reequilíbrios trimestrais (reajustar os pesos para 60/40), teria gerado uma rentabilidade próxima de 6,8% ao ano nos últimos vinte anos. Em teoria, um pouco menos devido ao custo de gestão anual dos ETF.
É um resultado assinalável para uma estratégia tão simples. Também foi relativamente consistente, tendo gerado 6,5% ao ano nos últimos cinco anos e 7,8% num período de 10 anos.
Este resultado foi conseguido apesar da forte queda das bolsas em 2022 e no pós-tarifas de Trump em 2025.
Naturalmente, a estratégia de 2 ETF (60/40) ficou aquém do resultado do índice de ações global (100/0). O MSCI World valorizou, em média, 9,3% ao ano nos últimos em vinte anos, mas o risco incorrido foi menor.
Esta carteira de 2 ETF terá o mesmo desempenho no futuro?
Não há garantias. Contudo, produtos com custos baixos (como os ETF) e índices abrangentes são escolhas adequadas para a maioria dos investidores. Sobretudo são ótimos para dar os primeiros passos nos investimentos. E nada impede que venha a complementar esta carteira dual com outros ETF mais especializados e ir ao encontro das suas convicções de investimento.
Como sempre, todas as carteiras que dependem diretamente dos mercados financeiros envolvem o risco de perda de capital. Mesmo uma estratégia conservadora e diversificada não dá garantias absolutas. Contudo, se apostar numa ótica de longo prazo (mínimo de 5 anos) terá sempre uma elevada probabilidade de ter sucesso.