A prolongada incerteza geopolítica no Médio Oriente mantém dúvidas sobre a evolução da inflação e do crescimento global, sobretudo se o petróleo permanecer caro.
Identificamos quatro fundos de investimento e ETF que podem trazer mais proteção e estabilidade para a carteira.
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Embora o cessar-fogo tenha sido prolongado por Donald Trump, ainda é uma incógnita quando terminará definitivamente a guerra no Médio Oriente.
Mesmo que a intensidade do conflito diminua, dificilmente a região regressará ao que era anteriormente. Também são incertas as consequências mais duradouras para a economia mundial.
Um surto inflacionista como o de 2021-2022 não é de excluir, se o preço do petróleo se mantiver elevado. Será a guerra um choque temporário ou o início de um problema mais profundo?
Nos mercados, a subida dos juros e a perspetiva de um forte abrandamento da economia global são negativos para lucros das empresas e… as cotações. Para a maioria das obrigações, o panorama também será negativo.
Embora ninguém tenha uma bola de cristal para adivinhar o futuro, indicamos quatro ativos que podem servir como valor de refúgio para melhor gerir o risco do seu portefólio.
Ouro: por que o “refúgio” perdeu brilho e como usar com moderação
Histórico valor de refúgio, o ouro perdeu, paradoxalmente, terreno com a guerra. Outros metais preciosos, como a prata e a platina registam quedas ainda maiores. Estes movimentos de forte correção antecederem, no entanto, a guerra, o que era expectável após uma valorização astronómica desde finais de 2023.
Recentemente, o metal dourado passou a apresentar uma correlação mais positiva com as bolsas. Isto é, evolui no mesmo sentido e confere menos benefícios para uma estratégia de diversificação.
Ainda assim, pode ser interessante apostar num ETC, mas limite o seu peso 5% da carteira.
- Xetra-Gold ETC (DE000A0S9GB0)
Dólar americano: refúgio clássico e vantagens em fases de stress
Entre os poucos ativos que valorizam em contextos de guerra, destaca-se o dólar dos EUA, tradicionalmente visto como um refúgio seguro em períodos de incerteza global. A moeda norte-americana apreciou-se face às principais divisas, incluindo o euro.
Neste contexto, as obrigações norte-americanas mais bem posicionadas são aquelas com maturidades curtas. Estes títulos são menos sensíveis aos movimentos das taxas, pelo que beneficiam da apreciação do dólar e sofrem menos com a subida dos juros.
- Xtrackers US Treasuries Ultrashort Bond (IE00BM97MR69)
Obrigações em yuan: diversificação com baixa correlação
Estas obrigações chinesas apresentam um rendimento relativamente baixo (cerca de 1,8% ao ano a 10 anos), mas beneficiam da maior estabilidade ou resiliência que a moeda chinesa tem revelado face ao dólar.
Além disso, estes títulos destacam-se pela pouca correlação com outros mercados, reforçando o seu potencial de diversificação em carteiras globais.
Com a valorização dólar face ao euro, a divisa chinesa acompanhou parcialmente este movimento. Apesar de ser emitida por uma economia emergente, a dívida soberana chinesa é sustentada pelos seus vastos recursos financeiros e pelo sólido excedente comercial da China.
- iShares China Local Currency Bond (IE00BKPSFD61)
Coroa norueguesa: moeda apoiada por energia e rendimentos atrativos
Embora se tenha mantido estável face ao euro em março, a coroa da Noruega destaca-se como um ativo de refúgio. Desde o início do ano, valorizou cerca de 5% face ao euro, enquanto a dívida em coroas oferece um rendimento anual próximo dos 4%, aproximadamente o dobro da média da zona euro.
Em paralelo, a Noruega beneficia diretamente da subida dos preços dos combustíveis, dada a sua forte produção de petróleo e gás, o que reforça a atratividade da sua moeda e dos seus ativos.
- Nordea 1 Norwegian Short-Term Bond (LU0173778332)
Estratégia de longo prazo: reduzir risco sem abandonar os mercados
O passado mostra que, algum tempo decorrido após a maioria dos conflitos os mercados, em geral, recuperam e acabam por atingir níveis ainda mais elevados. Aliás, algumas bolsas já registaram novos máximos históricos apesar de a guerra não ter terminado.
Contudo, estas constatações não significam que o risco tenha desaparecido a curto e a médio prazo. Portanto, pode ajustar o nível de risco da carteira, mas mantendo sempre exposição aos mercados numa ótica de longo prazo.