A procura crescente supera estruturalmente a oferta, criando escassez, elevadas margens e forte visibilidade para o setor no médio e longo prazo.
Apesar do seu potencial, trata‑se de um investimento volátil que deve ser integrado de forma equilibrada numa estratégia de diversificação.
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Os semicondutores afirmaram‑se como o principal motor do setor tecnológico e das bolsas em geral. O negócio é impulsionado pela explosão da IA, automação e digitalização. Será que ainda vai a tempo de aproveitar a dinâmica dos semicondutores?
Os semicondutores tornaram-se num ativo estratégico devido à rivalidade entre os Estados Unidos e a China. Este papel crítico catapultou a indústria dos semicondutores, que já representa cerca de 40% da capitalização bolsista total do setor tecnológico.
A explosão da IA e o desequilíbrio entre oferta e procura
Os primeiros resultados trimestrais de grandes empresas do setor, como a TSMC e a Intel, evidenciam que a procura continua a superar a oferta. Este fenómeno é sobretudo visível nos chips de última geração utilizados no treino dos modelos de IA. Este desequilíbrio entre a oferta e procura é o motor de desempenho.
De facto, observa‑se uma situação de escassez estrutural. O tempo (vários anos) e os montantes de investimento necessários para construir novas fábricas não permitem acompanhar a aceleração brutal das necessidades da IA, automação e digitalização das economias.
Poder de fixação de preços ao longo da cadeia dos semicondutores
Esta tensão permanente coloca toda a cadeia de produção (designers, fabricantes e fornecedores de equipamentos) numa posição de força inédita, permitindo impor preços e apresentar carteiras de encomendas de valor recorde.
O setor é particularmente atrativo para os investidores devido às barreiras à entrada. Conceber um chip de 3 nanómetros ou construir uma fundição de ponta custa milhares de milhões de dólares e exige um know-how apenas ao alcance de algumas empresas a nível mundial (ASML, TSMC, Nvidia).
Esta concentração do poder de mercado garante margens operacionais elevadas e uma capacidade de impor preços no longo prazo.
Crescimento estrutural acima da economia global
O mercado dos semicondutores deverá atingir, já este ano, 1 bilião de dólares de volume de negócios, quando as previsões iniciais apontavam essa fasquia apenas em 2030.
A taxa de crescimento deverá manter‑se acima de 10% nos próximos anos, pelo que o setor dos semicondutores não se limita a acompanhar a economia mundial, mas ultrapassa-a e oferece uma visibilidade única para os investidores.
Como investir no setor: diversificação e gestão de risco
O mercado dos semicondutores apresenta um crescimento estrutural e barreiras à entrada, o que justifica uma valorização relativamente elevada.
Porém, o risco associado a este tipo de ETF é elevado, sendo a volatilidade cerca do dobro da registada por um ETF que invista no mercado global de ações.
Assim, pode investir em ETF dedicados aos semicondutores, mas o seu peso não deve exceder os 5% da carteira.
Melhor ETF de semicondutores: critérios de seleção
Entre os numerosos produtos que investem no setor dos semicondutores, destacamos o ETF VanEck Semiconductors.
– É um ETF acumulativo, tornando-o mais adequado para o investimento a longo prazo (fiscalmente mais eficiente);
– Enquadra-se na diretiva UCITS, sendo um ETF de direito europeu;
– Histórico mais longo confirma a consistência da performance passada face aos concorrentes;
– Os EUA estão, sem surpresa, fortemente representados na carteira, com um peso de 78%, seguidos pelos Países Baixos (11%) e Taiwan (10%).
– A TER é competitiva (custo anual de gestão);
– A carteira tem uma diversificação equilibrada, com o peso de cada uma das principais empresas perto dos 10%: TSMC, Broadcom, Nvidia e ASML Holding. Ao invés, o ETF Amundi MSCI Semiconductors UCITS dá um peso de 28% à Nvidia, o que desequilibra a sua carteira. É sempre desejável que um ETF seja mais diversificado.