5 ETF para investir em 2026
O retorno do investimento em ETF depende sempre do comportamento dos mercados financeiros
O retorno do investimento em ETF depende sempre do comportamento dos mercados financeiros
O presidente norte-americano prometeu tarifas e cumpriu. No início de abril do ano passado, disparou taxas alfandegárias para todos os parceiros comerciais dos EUA. A dimensão e a abrangência das tarifas excederam de tal forma o esperado, que as bolsas reagiram em forte queda, em abril.
Os meses que se seguiram foram de enorme incerteza. À medida que o Presidente suspendia, repunha e ameaçava com tarifas e decorriam negociações, as bolsas foram, no entanto, recuperando.
No final, os principais parceiros aceitaram a imposição dos EUA, embora em níveis mais baixos do que anunciados inicialmente. Fixaram-se taxas mínimas de 10%, e vários parceiros importantes, como a Europa, acordaram 15%.
Com a China, foi acordada uma trégua de um ano, que permitiu tarifas acima de 40%, mas longe dos 100% ameaçados por Trump, que deverá deslocar-se, em abril, à China para se reunir com Xi Jinping.
Apesar de se temer o pior, a economia mundial resistiu bem ao choque e 2025 revelou-se um ano mais dinâmico do que o previsto. O cenário mais catastrófico de uma alargada guerra comercial não se concretizou.
Como resultado, o comércio mundial não colapsou e graças à criação de novos fluxos comerciais noutras regiões, manteve-se até relativamente dinâmico durante os últimos meses de 2025.
Ao longo do ano, Trump também não poupou críticas e ameaças à Reserva Federal. O seu presidente, Jerome Powell, que termina o mandato em maio, baixou as taxas de juro a um ritmo mais lento que o desejado por Trump.
Ansioso pela sua substituição, o presidente norte-americano quer alguém alinhado com Washington e, aos poucos, a maioria do Comité de Política Monetária aproxima-se dos desejos de Trump. Já em 2026, o Presidente da Fed divulgou que paira sobre ele um processo criminal…
Até há poucos anos, esta ingerência política e o ataque à independência da Reserva Federal teriam assustado os mercados. Desta vez, apesar de alguns recuos, Trump está a ganhar, e os receios estão a ser ignorados.
Quanto à Europa, numa conjuntura desafiante (tarifas, guerra na Ucrânia), a economia resistiu bem e as bolsas também ganharam bastante terreno. No início de 2025, a Alemanha aprovou um inédito pacote de gastos massivos em infraestruturas e na Defesa.
O acordo comercial com os EUA não foi o ideal, mas permite maior certeza a médio prazo. Já a longo prazo, o cenário é mais complexo dada a concorrência da China em setores importantes para a Europa e a maior hostilidade da Casa Branca.
Apesar dos sobressaltos, o saldo de 2025 foi claramente positivo para as bolsas. A grande maioria dos mercados apresentou forte valorizações.
Destaque para o mercado acionista nacional que registou um desempenho assinalável, superando nomeadamente as congéneres da zona euro. Uma performance ainda mais significativa, tendo em conta que a nossa bolsa não possui empresas tecnológicas que tenham navegado na onda da inteligência artificial.
Também os ativos europeus conseguiram um excelente 2025, mesmo em termos comparativos. Já os resultados das bolsas americanas foram aparentemente fracos em 2025.
Todavia, foi a acentuada depreciação do dólar dos Estados Unidos face ao euro que reduziu os ganhos para os investidores europeus nesses mercados. Para os americanos, o índice S&P 500 ganhou 16,4% e o Nasdaq 100 subiu 20,2%.
Os mercados emergentes foram igualmente beneficiados pela depreciação do dólar. Este movimento, conjugado com a descida dos juros nos EUA, torna o seu financiamento externo mais barato. Há mais capital a entrar nos países em desenvolvimento, o que estimula o investimento e as bolsas locais.
A expectativa mais otimista será a de continuação das tendências que assistimos nos últimos trimestres. É um cenário que fornecerá um continuado suporte aos mercados de ações.
- As taxas de juro vão manter-se baixas na generalidade das economias e diminuir mais nos Estados Unidos devido também à pressão da Casa Branca sobre a Reserva Federal. A economia dos Estados Unidos prosseguirá a bom ritmo (mais despesa pública, investimento na IA e na energia, baixo desemprego).
- Quanto à China, continua a navegar bem as tensões comerciais com os EUA, diversificando os de exportação.
- Por fim, a inteligência artificial terá resultados mais palpáveis nos lucros das empresas em setores distintos dos da indústria de semicondutores.
Previsões à parte… se tudo corresse sempre como previsto, o investimento em bolsa não seria incerto.
Mesmo que, no longo prazo, uma aposta diversificada nas bolsas globais seja a melhor opção para rentabilizar as poupanças, haverá sempre períodos negativos.
Nos últimos três anos, praticamente todos os mercados ganharam terreno, mas, em 2022, assistiu-se a uma forte queda. É, por isso, inevitável que este fenómeno se repita no futuro.
Os riscos mais evidentes não são novos.
- A euforia em torno da IA gera receios de uma “bolha”, pelo menos, em alguns segmentos das bolsas. Empresas como a Nvidia revelam já ganhos comprovados com a IA, mas há muitos exemplos de empresas com modelos de negócio altamente incertos e que acumulam prejuízos.
- Além da IA, temos o mesmo fenómeno na fusão nuclear, condução autónoma, computação quântica, carros/táxis voadores… A própria OpenAI, criadora do ChatGPT, deverá “queimar” milhares de milhões de dólares nos próximos anos. As suas expectativas de lucros ainda são longínquas.
- A circularidade dos investimentos na área da IA é outro fator preocupante, como referimos em edições passadas. Por exemplo, a Nvidia investiu na OpenAI para que esta possa comprar processadores… à Nvidia.
- Há igualmente alianças surrealistas. A empresa de social media do Presidente Trump fundiu-se com uma startup dedicada à… fusão nuclear.
- Em paralelo, aumentam as dúvidas sobre a solidez dos mercados privados (private equity e private debt). Estes assumem um papel cada vez maior no financiamento das empresas americanas, mas são opacos e poucos líquidos.
Uma das suas preocupantes características é a alavancagem e o recurso a produtos “empacotados” semelhantes aos que deram origem é infame crise do subprime em 2008.
Por si só, o colapso de uma destas empresas envolvidas nestes negócios, como aconteceu no final de 2025, não abalará os mercados. Contudo, o risco sistémico permanece e pode ser exponenciado pela desregulamentação e adoção dos criptoativos preconizados pela Casa Branca. Um efeito dominó teria consequências nefastas para as bolsas a médio prazo.
Apresentamos 5 ETF para três mercados a investir em 2026, mas sobretudo para o longo prazo.
- Indicamos ETF entre os mais bem classificados à luz do indicador da DECO PROteste Investe;
- São igualmente produtos de direito europeu (diretiva UCITS);
- e capitalizam os ganhos (não distribuem rendimentos periodicamente), uma opção fiscalmente mais apelativa para investir a longo prazo.
Seja proativo para captar as oportunidades, mas evite realizar muitas transações ou dispersar em demasia as posições da carteira.
Uma abordagem diversificada e de longo prazo minimizam significativamente os riscos de perda, mas ao investir em ETF não tem garantias. Os resultados dependem sempre do comportamento dos mercados financeiros.
Se não encontrar os ETF apresentados na sua corretora ou banco é bastante provável que existam ETF bastante idênticos, dado que a oferta é vasta para estes índices (exceto para a Polónia).
É impossível ignorar os Estados Unidos quando se investe em ações. O seu peso num índice global, como o MSCI AC World, supera os 60%, e os grandes gigantes mundiais são todos norte-americanos: Amazon.com, Apple, Alphabet (Google), Meta Platforms (Facebook), Microsoft, Nvidia, …
Mesmo que estas empresas estejam muito valorizadas e possam não constituir as melhores oportunidades de investimento para aplicar diretamente em bolsa, os restantes mercados dificilmente poderão prosperar sem ser acompanhados por Wall Street.
Além do fator dimensão, os EUA lideram na inovação, particularmente na inteligência artificial, área em que os investidores depositam esperanças de crescimento. Não há dúvida de que as empresas americanas não tecnológicas estão na linha da frente para beneficiar dos aumentos de produtividade propiciados pela adoção generalizada de ferramentas da IA.
Como não há bela sem senão, o rácio de valorização cotação/lucro esperado das ações norte-americanas está em 22, um valor bastante acima da média de 17,4 dos últimos vinte anos. Ou seja, as expectativas para o crescimento dos lucros são bastante otimistas e há pouca margem para erro.
Entre os ETF dedicados aos EUA, os que se baseiam no índice Nasdaq 100 possuem uma preponderância ainda maior do setor tecnológico, cujos rácios de valorização estão em torno de 26.
Para ficar menos exposto a este risco, é preferível poderá optar por um ETF dedicado ao índice S&P 500 (techs e similares pesam 46% contra 72% no Nasdaq 100).
Invesco S&P 500 Scored & Screened UCITS ETF ACC (IE00BKS7L097)
Amundi S&P 500 Screened UCITS ETF ACC (IE000KXCEXR3)
A dimensão e a competitividade da China não podem ser ignoradas. Pequim deverá ter alcançado o seu objetivo de crescimento de 5% do PIB em 2025 e no campo monetário, há mais espaço de manobra. A deflação e o desejo de estimular o consumo poderão levar o banco central a novas descidas de taxas.
Quanto aos rácios PER (cotações/ lucros esperados) dos mercados chineses, estão próximos da sua média histórica e bastante aquém da média global, uma vantagem comparativa.
Os ETF “A Shares” da China estão mais virados para o mercado interno e o peso das tecnológicas é menor (22%).
Ao contrário dos ETF dedicados ao índice MSCI China, que incluem os gigantes como a Tencent e Alibaba.
iShares MSCI China A UCITS ETF USD ACC (IE00BQT3WG13)
iShares MSCI China UCITS ETF USD ACC (IE00BJ5JPG56)
Com um crescimento acima da média europeia, a economia polaca beneficia de vários motores de crescimento. Além de uma procura privada resiliente, tem exportações fortes e uma política orçamental ativa, apoiada pelos fundos europeus. Embora o défice orçamental tenha aumentado, a dívida pública mantém-se relativamente baixa.
A descida continuada das taxas de juro constitui um catalisador adicional, apoiando o investimento e o consumo interno. O mercado de trabalho também permanece sólido. Este contexto é favorável para os bancos e as empresas orientadas para o mercado doméstico.
O país está bem posicionado para beneficiar de um eventual paz na Ucrânia, o que reforça ainda mais o seu potencial de crescimento.
Apesar de a bolsa de Varsóvia ter registado uma valorização de quase 50% em 2025, continua a apresentar avaliações moderadas, com um rácio cotação/lucro perto da sua média histórica e muito inferior ao do MSCI World.
iShares MSCI Poland UCITS ETF USD ACC (IE00B4M7GH52)