Guerra: que setores resistem melhor
A crise no Médio Oriente faz subir os preços do petróleo e do gás
A crise no Médio Oriente faz subir os preços do petróleo e do gás
-5,7% em março
A guerra coloca os mercados sob tensão… e o setor financeiro é uma das primeiras vítimas. Um conflito prolongado no Médio Oriente teria efeitos significativos na atividade.
– Uma subida prolongada dos preços da energia alimentaria a inflação e subida dos juros. As empresas adiam projetos e as famílias tornam-se mais prudentes nas compras de maior dimensão, o que pesa diretamente na venda de crédito e nos lucros da banca. Além disso, uma eventual recessão na Europa aumentaria o risco de incumprimento, sendo os bancos obrigados a aumentar as provisões para créditos de cobrança duvidosa.
– Apesar desses cenários, o setor está mais bem preparado do que no passado. Na União Europeia em cada 100 créditos apenas 2% são considerados de elevado risco. Trata-se de um nível baixo e muito distante do pico de cerca de 7,5% registado após a crise da zona euro em 2012.
Em 2025, os testes de stress realizados pelo Banco Central Europeu mostram que, mesmo em cenários muito desfavoráveis, os bancos europeus permanecem globalmente sólidos. Assim, deverão continuar a pagar dividendos e a financiar a economia.
A volatilidade não está descartada, mas os bancos europeus estão agora mais sólidos, mais bem supervisionados e assumem menos riscos. Destacamos os ETF State Street SPDR MSCI Europe Financials (IE00BKWQ0G16) e iShares MSCI Europe Financials Sector (IE00BMW42306) que investem em bancos e companhias europeias de seguros.
-0,8% em março
À guerra na Ucrânia, às tensões crescentes entre a China e os seus vizinhos e os Estados Unidos, junta-se agora o conflito no Médio Oriente. Esta conjuntura instável leva ao aumento dos orçamentos militares, para reforçar as capacidades de resposta às ameaças e a autonomia industrial.
Mesmo que o fim deste novo conflito no Médio Oriente possa provocar uma descida das cotações, a trajetória de longo prazo é positiva. O aumento dos riscos híbridos (ameaças militares, ciberataques, desinformação) leva os Estados a apostar nas capacidades de dissuasão.
As empresas de Defesa já apresentam carteiras de encomendas preenchidas para vários anos. Em bolsa, esta maior visibilidade sobre as receitas futuras reforça a sua atratividade e sustenta a valorização do setor. A defesa beneficia ainda da necessidade crescente de proteger infraestruturas críticas e redes informáticas, o que favorece empresas ativas na cibersegurança.
O setor continua dependente das decisões políticas, mas mantém potencial de crescimento num mundo marcado por mais conflitos.
Para investir de forma diversificada dispõe do ETF VanEck Defense (IE000YYE6WK5) que investe a nível global, enquanto o ETF WisdomTree Europe Defence (IE0002Y8CX98) constitui uma opção interessante no mercado europeu.
Nas ações individuais, recomendamos a compra de três empresas.
+4,8% em 2026
A crise atual no Médio Oriente faz subir os preços do petróleo e do gás. Os ataques a refinarias e instalações petrolíferas na região, bem como a redução da oferta por parte de países como o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos, provocaram uma subida acentuada das cotações do petróleo.
Desde o início dos ataques ao Irão, o setor da energia sobe apenas ligeiramente. Com efeito, o mercado parece antecipar um recuo das cotações do crude em breve. Convém recordar que o mercado petrolífero continua bem abastecido, graças às reservas e ao aumento da produção nos últimos anos, e que a normalização, ainda que lenta, da situação no estreito de Ormuz deverá permitir uma descida dos preços.
As empresas europeias como a BP, TotalEnergies e a Shell estão mais presentes no Médio Oriente e enfrentam o risco de uma diminuição da produção na região. Já os concorrentes norte-americanos desenvolveram as suas capacidades de produção nos EUA ou na Guiana, o que lhes permite beneficiar melhor da subida dos preços do petróleo e do gás.
Porém, uma diminuição das tensões pode provocar um rápido regresso do petróleo aos 60 dólares. Nesta altura, não recomendamos a compra de ações de petrolíferas.
-3,3% em março
A descida dos mercados foi generalizada e não poupou o setor farmacêutico. Este será afetado, como qualquer indústria, pela subida dos custos da energia e poderá enfrentar perturbações no abastecimento de princípios ativos. No entanto, deverá revelar-se mais resiliente perante a crise no Médio Oriente:
– As necessidades de saúde são pouco sensíveis aos ciclos económicos, o que sustenta uma procura estável.
– Os medicamentos são, na maioria das vezes, financiados pelos sistemas de saúde e não dependem diretamente do poder de compra das famílias.
– Como aconteceu durante a pandemia, os medicamentos continuam a ser prioritários em caso de problemas logísticos.
– O Médio Oriente representa apenas cerca de 3% do mercado farmacêutico mundial. As vendas das grandes farmacêuticas provêm sobretudo dos EUA, Europa, China e Japão.
O fator de risco para as farmacêuticas não é guerra, mas o sucesso/fracasso dos ensaios clínicos e a expiração de patentes (concorrência de genéricos e biossimilares). A longo prazo, as perspetivas de crescimento assentam nas necessidades causadas pelo envelhecimento da população global.
Pode investir no setor dos cuidados de saúde através dos ETF Xtrackers MSCI World Health Care (IE00BM67HK77) e State Street SPDR MSCI World Health Care (IE00BYTRRB94). Estes ETF oferecem exposição a um amplo conjunto de empresas do setor.
Nas ações individuais, consulte os nossos conselhos de compra.
-6,3% em março
Do lado das seguradoras, o impacto da crise permanece, por enquanto, muito limitado. Os contratos excluem geralmente os danos diretamente relacionados com atos de guerra, o que reduz significativamente a exposição potencial. Os supervisores europeus consideram, aliás, o setor segurador sólido.
O principal ponto de vigilância continua a ser o valor das carteiras de obrigações. Um aumento dos incumprimentos ou uma descida das cotações dos títulos de dívida poderia reduzir a margem de segurança das seguradoras sem, contudo, pôr em causa a estabilidade do setor.
Para investir destacamos o ETF Invesco STOXX Europe 600 Opt. Insurance (IE00B5MTXJ97ETF) que investe em seguradoras europeias. Porém, este produto será mais arriscado que um ETF dedicado à globalidade do setor financeiro europeu.
Consulte também as recomendações de compra para ações de seguradoras.
+3,4% em março
Enquanto o conflito com o Irão abalou as bolsas mundiais, os gigantes da tecnologia, e em particular as Magnificent 7, apresentaram uma boa resiliência. Assim, em março, o setor tecnológico regista uma rentabilidade acima da média do mercado mundial. Eis os pilares que sustentam este desempenho na conjuntura atual:
– Os investidores consideram as mega-capitalizações como a Apple e a Microsoft como “valores refúgio” graças às suas enormes reservas de dinheiro e a capacidade de gerar fluxos de tesouraria estáveis.
– Impacto limitado da subida do preço dos hidrocarbonetos. Apesar dos centros de dados, o negócio do software e da cloud é ainda pouco sensível ao custo da energia.
– O conflito impulsionou o dólar norte-americano para níveis elevados. Como a maioria das maiores empresas tecnológicas está sediada nos EUA e domina os índices S&P 500 e Nasdaq, estes beneficiam da apreciação.
– Se a guerra fizer disparar a inflação, estas grandes empresas dispõem de um forte poder de fixação de preços. Os seus serviços tornaram-se essenciais para o funcionamento da economia mundial, o que lhes permite repercutir eventuais aumentos de custos nos clientes.
O risco está no impacto nas taxas de juro. Se a guerra se prolongar e a inflação aumentar significativamente, os bancos centrais vão subir as taxas de juro, o que poderá penalizar as tecnológicas como em 2022.
Pela positiva, destacamos os semicondutores, que beneficiam amplamente dos fortes investimentos nas infraestruturas de IA. Pode investir neste segmento através do ETF VanEck Semiconductor (IE00BMC38736).
Já as empresas pouco rentáveis e cuja valorização assenta só nas expectativas de forte crescimento dos lucros nos próximos anos estão mais expostas aos riscos das taxas de juro. Fique afastado. Prefira empresas mais sólidas. Consulte as nossas recomendações.
-7,4% em março
O setor das companhias aéreas atravessa um dos períodos mais difíceis dos últimos anos. O impacto ultrapassa largamente o Golfo. O encerramento do espaço aéreo iraniano e de países vizinhos obriga os aviões que ligam a Europa à Ásia a realizar longos desvios. As cotações das companhias como a Air France-KLM e a Lufthansa registaram quedas acentuadas.
Apesar desta correção significativa, a conjuntura permanece demasiado incerta para considerar um regresso ao setor. Os riscos, como os custos com combustíveis e seguros, continuam imprevisíveis. A recomendação é simples: fique afastado.