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BlackRock limita os resgates

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As limitações aos resgates da BlackRock surgiram após um forte aumento dos pedidos dos investidores

Publicado em: 11 março 2026
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As limitações aos resgates da BlackRock surgiram após um forte aumento dos pedidos dos investidores

Com as limitações de resgate, há algum impacto para os fundos BlackRock e os ETF iShares? 
A BlackRock anunciou limitações aos resgates de um dos seus principais fundos após um forte aumento dos pedidos por parte dos investidores. 

Esta decisão surge num momento em que crescem as preocupações dos investidores em torno do crédito privado (private debt), atividade avaliada em cerca de 2 biliões de dólares. 

Os investidores nos “comuns” fundos de investimento e nos ETF iShares geridos pela BlackRock não são impactados. O segmento de mercado agora sob pressão acrescida não diz respeito a estes produtos, nem os impacta diretamente.

O que é o crédito privado e a private equity 

Em termos simplificados, o private debt e a private equity são financiamentos (capital ou dívida) concedidos a pequenas e médias empresas por entidades especializadas e efetuados fora do mercado (bolsa) e do sistema bancário. 

Empresas como a BlackRock e a Blackstone empacotam depois esses créditos em fundos específicos. Dada a sua complexidade, opacidade e pouca liquidez, estes produtos foram inicialmente concebidos para serem vendidos apenas a investidores institucionais ou individuais com elevado património. 

Porém, dada a procura de rentabilidades mais elevadas ao longo dos últimos anos, algumas entidades começaram a vender estes produtos junto de investidores de retalho nos Estados Unidos. 

Como outras empresas gestoras, a BlackRock quis diversificar e em 2024 adquiriu uma BDC business development company para reforçar a presença no crédito privado. As BDC captam capital sobretudo junto de investidores de retalho e utilizam-no para conceder empréstimos a empresas de média dimensão. 

Porém, estes ativos não podem ser vendidos rapidamente, o que cria dificuldades caso muitos investidores pretendam sair ao mesmo tempo. Estes fundos têm, por natureza, um elevado grau de opacidade e iliquidez.

Incumprimentos e risco de efeito dominó 

Só que, depois do momento da moda, começaram a surgir falências. No ano passado, um fornecedor norte-americano de peças automóveis e uma entidade de crédito automóvel subprime. Mais recentemente, o colapso de um credor hipotecário britânico  

Mesmo grandes bancos internacionais tiveram de reconhecer elevadas perdas nestes empréstimos a empresas que supostamente teriam uma pequena dimensão. Havia claramente mais exposição e risco do que era visível mesmo para grandes entidades financeiras. 

E como os reguladores norte-americanos têm instruções da Administração Trump para deixar o mercado atuar mais livremente, os riscos aumentam quando se permite a colocação de fundos opacos junto de investidores de retalho. 

Se houver um aumento significativo dos incumprimentos de empréstimos, o desempenho destes investimentos é penalizado, levando a mais resgates e afetando a captação de mais dinheiro… há, portanto, o risco de um ciclo vicioso e de colapso deste mercado.

Regulação e lições da crise financeira 

Para já, os problemas estão limitados a este segmento do mercado e não impacta diretamente as bolsas nem outros produtos financeiros como os “normais” fundos de investimento nem os ETF. 

Há uma preocupação crescente com os critérios de concessão de crédito privado (private debt) e na forma como depois são vendidos aos investidores. 

E a preocupação é saudável. É importante que haja apelos para uma supervisão e regulação eficazes. A última crise financeira, em 2008, teve igualmente origem em mercados da dívida não cotados (crédito imobiliário subprime), mas propagou-se e levou quase ao colapso do sistema financeiro global. 

 

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