Artigos Tempo de leitura: 4 min.
As ações são voláteis, mas continuam a ser o ativo mais rentável a longo prazo

As ações são voláteis, mas continuam a ser o ativo mais rentável a longo prazo

Publicado em: 18 agosto 2026
author image

Autor: Jorge Duarte

Ações, imobiliário ou depósitos: onde o dinheiro mais rendeu?

Nem todos os investimentos geram os mesmos resultados, nem possuem o mesmo grau de risco. Descubra os ativos que mais valorizaram nos últimos 10 anos.

Ações lideram os retornos no longo prazo

Os mercados acionistas continuam a demonstrar, repetidamente, serem a solução mais vantajosa para investir, apesar das suas flutuações características. Nos últimos dez anos, o mercado de ações globais proporcionou retornos médios anuais de 12,5%.

A razão da expressão "em média" prende-se com a multiplicidade de períodos favoráveis e de fases de declínio acentuado. A crise pandémica inicial de fevereiro de 2020 e o ciclo de aumento de taxas de juro ao longo de 2022 representaram desafios significativos para a disciplina de quem se comprometeu com uma estratégia a longo prazo.

A tentação de abandonar os mercados por medo é frequente, contudo uma intervenção demasiado ativa pode prejudicar os resultados, assim como limitar-se a investir durante períodos de euforia. Nos últimos 10 anos, o destaque vai especialmente para os mercados norte-americanos que ainda atravessam um período particularmente favorável. Porém, não convém apostar somente num mercado, mesmo tendo o potencial dos EUA.

O caminho mais adequado passa por investir em ETF de ações globais que propiciam um mix mais variado de mercados e setores económicos.

O investimento pode ser faseado (aplicando pouco, mas ao longo do tempo), desde que as comissões de compra dos ETF não sejam proibitivas.

Produtos com capital garantido continuam a oferecer ganhos reduzidos

Os investimentos em produtos com capital garantido revelaram-se, previsivelmente, bastante menos compensadores.

Ao escolher depósitos a prazo com as melhores condições de juro (numa perspetiva anual) o retorno não ultrapassaria 2,1% ao ano.

Quanto aos Certificados do Tesouro, o rendimento seria de 2% ao ano, mas seria necessária apenas uma alteração para um outro Certificado em 10 anos.

As Obrigações do Tesouro igualmente apresentaram baixa atratividade durante esta última década. Um investidor que adquirisse uma OT há 10 anos e tivesse mantido até à atualidade auferiu ganhos anuais de 2,8%.

Imobiliário mantém forte valorização em Portugal

Dada a natureza única de cada imóvel é preciso encontrar outros indicadores para captar a valorização destes ativos. Uma hipótese é usar como referência a avaliação mediana efetuada pelos bancos, a qual revela uma apreciação média anual de 10,7% ao longo da última década. Trata-se de um resultado cativante, mas merece algumas ressalvas.

Como referimos, o imóvel é, por natureza, heterogéneo (influência da localização, dimensão, qualidade, antiguidade, entre outros fatores). Em segundo lugar, o investimento imobiliário direto requer capitais consideráveis (obstáculo à diversificação). Em terceiro lugar, a liquidez é limitada (o processo de conversão em capital pode ser prolongado e realizado a preços não necessariamente "justos"). Acrescem ainda que os encargos que podem ser substanciais (IMI, condomínio, reparações, seguros).

Pela positiva, a valorização de 10,7% exclui rendimentos provenientes de arrendamento, cuja contribuição pode revelar-se significativa caso o investimento tenha sido bem concebido.

Ouro sobe em linha com os mercados

O metal dourado destacou-se na última década, mas não devido ao seu estatuto de refúgio. Descubra como pode ter exposição ao ouro através de produtos similares aos ETF e, sobretudo, se é uma opção atrativa.

Como equilibrar risco e retorno com uma carteira diversificada

Se o investimento em ações tem sido a melhor opção, a grande volatilidade (risco) pode gerar receios e decisões precipitadas. Os menos tolerantes ao risco podem constituir uma carteira equilibrada entre ações e obrigações apenas com a compra de dois ETF. Uma repartição 50-50, nos mercados globais de ações e obrigações, propiciou um ganho anual médio de 6,1% nos últimos dez anos.

 
ATIVOS E RENTABILIDADE
Ativo Rentabilidade média anual
Ações EUA 14.7%
Ações Globais 12.5%
Imobiliário Nacional 10.7%
Ações Europeias 10.0%
Ações Emergentes 9.2%
Ouro 7.6%
Cabaz de Matérias-primas 6.9%
Ações Nacionais 6.7%
Carteira Mista 6.1%
Obrigação do Tesouro 2.8%
Depósitos a Prazo 2.1%
Certificados do Tesouro 2.0%

Rentabilidades médias anuais brutas nos últimos dez anos (não incluem impostos e custos de transação; incluem os efeitos da evolução do euro)
Depósitos a prazo: melhores contas. Carteira mista de ações e obrigações globais (50%/50%)
Fonte: LSEG, INE, DECO PROteste Investe

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROteste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.