Por que razão atingiu o S&P 500 um novo máximo histórico e como reagiram as bolsas europeias?
As bolsas europeias fecharam perto da linha de água, com os dados da inflação nos EUA a tranquilizarem os investidores quanto à evolução das taxas de juro da Fed. Por sua vez, o petróleo subiu 5,9%, mas manteve-se abaixo dos 90 dólares por barril.
Os investidores preveem que a Fed estará menos inclinada a subir as taxas de juro na reunião de 15 e 16 de setembro, o que permitiu ao ouro (+0,9%) manter-se firme.
O Stoxx Europe 600 caiu 0,4%, mas Amesterdão (+0,6%) e Frankfurt (+0,5%) fecharam em alta. Em contrapartida, Paris desceu 0,9% e Zurique perdeu 1,1%.
Nos EUA, o S&P 500 avançou 0,4% e fixou novo recorde, e o Nasdaq ganhou 0,1%, graças ao apetite pelo risco dos investidores e à expectativa de estabilidade das taxas de juro. As bolsas asiáticas tiveram uma evolução muito positiva, com o Japão a subir 4,7% e a Coreia do Sul a ganhar 12,7%.
Que setores mais valorizaram?
O setor tecnológico valorizou 1,1% e o de semicondutores 1,6%. A ASML disparou 5,4% e a Check Point Software 3,1%. A altamente volátil SpaceX subiu 5,2%.
O setor da defesa (+3,2%) voltou a encerrar em alta, elevando a valorização acumulada em 2026 para 13,9%. Esta recuperação é impulsionada pela solidez das carteiras de encomendas e pelos planos de investimento dos Estados. A Thales valorizou 2,1%.
A Cisco recuou 8%, apesar das previsões de lucros superiores ao previsto, mas as encomendas dos hyperscalers (grandes fornecedores de infraestruturas de centros de dados) ficaram aquém do esperado.
Sensível à evolução do preço do petróleo, o setor energético subiu 3,6%. A OPEP cortou as previsões para a procura mundial de ouro negro em 2026. A Chevron (+7,2%) continuou a beneficiar dos muito bons resultados trimestrais apresentados.
Como se comportou a Bolsa de Lisboa?
Numa semana de alguma indefinição nas bolsas, Lisboa foi das que teve melhor desempenho, ao ganhar 0,8%, estimulada sobretudo pela Galp Energia (+5%), que liderou os ganhos ao beneficiar da subida do preço do petróleo (+5,9%), e pelo grupo EDP. A EDP Renováveis subiu 1,8% e a sua casa mãe EDP, ganhou 1,5%. Estas 3 empresas juntamente com o BCP (-0,1%), representam cerca de 50% do índice PSI.
Ainda no setor das utilities, a REN subiu 0,3%, com o Estado português a anunciar que voltou a entrar no capital da empresa.
A penalizar a praça nacional esteve o setor da distribuição, embora as quedas tenham sido relativamente modestas: a Jerónimo Martins liderou as perdas com uma descida de 1,6% e a Sonae corrigiu 0,2%.
Números da semana
13,7%
O Estado português voltou a entrar no capital da REN, ao adquirir, a um preço não divulgado, uma participação de 13,7% ao fundador da Inditex, dona da Zara. Recorde-se que o regresso do Estado ao capital da REN acontece 12 anos após ter vendido a sua última posição.
4392,26 dólares
O ouro fechou perto dos 4400 dólares por onça, o que já não acontecia desde o início de junho. Os dados da inflação nos EUA, em linha com o esperado, reduzem a probabilidade de uma subida das taxas de juro por parte da Fed já em setembro, e sustentaram a subida.Top subidas
Bell +12,6%Chevron +7,2%
Harley-Davidson +6,8%
Repsol +6,0%
Alcon +5,8%
Top descidas
Cisco Systems -8,0%GSK -7,3%
Applied Materials -5,9%
AB InBev -5,8%
Enel -5,5%
A semana em números
Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 -0,4%
EUA S&P 500 +0,4%
EUA Nasdaq +0,1%
Lisboa PSI +0,8%
Frankfurt DAX +0,5%
Londres FTSE 100 -1,4%
Tóquio NIKKEI 225 +4,7%
Variação das cotações entre 07/08/26 a 14/08/26, em moeda local.