Gigantes tecnológicos não desiludem
As ações tecnológicas (+0,9%) recuperaram no final da semana, após a publicação de bons resultados na atividade de cloud e de perspetivas positivas da Amazon (+17%). A Microsoft (+21,8%) também apresentou bons resultados, atenuando as preocupações dos mercados relativamente aos investimentos em IA.
Apesar dos receios inflacionistas nos Estados Unidos e das incertezas quanto à trajetória das taxas de juro nos EUA, os índices encerraram a semana em terreno positivo. O índice Nasdaq, com forte exposição ao setor tecnológico, ganhou 1,6% na semana. O S&P 500 avançou 1,1%.
De um modo geral, os resultados publicados pelas empresas não revelaram surpresas negativas, permitindo igualmente aos índices europeus registarem uma valorização semanal. Na Europa, o Stoxx Europe subiu 0,7%. A Alemanha avançou 2,1% e os Países Baixos 0,8%.
As financeiras europeias ganharam 2,6%, impulsionadas pelos bons resultados do BBVA (+5,9%), do UBS (+0,6%) e do Deutsche Bank (+4,2%), em linha com os números divulgados pelos seus concorrentes.
Os serviços informáticos recuperaram, apoiados por diversos bons resultados e por perspetivas mais tranquilizadoras face aos receios de disrupção provocada pela IA. Destaque para a Accenture que valorizou 12,9%.
No segmento do luxo (+1%), a LVMH (+2,9%) registou uma melhoria do crescimento, mas sem conseguir gerar grande entusiasmo entre os investidores. A Kering (+17,3%) deu sinais de recuperação. Os resultados da Hermès (-6,8%) foram considerados insuficientemente positivos pelo mercado.
Por fim, nas utilities, a Engie (-2,4%) reviu em alta as suas previsões de lucro para 2026.
Chuva de resultados em Lisboa
Apesar dos anúncios de resultados estarem a ser positivos, a bolsa nacional esteve em contraciclo e recuou 1,1% na semana passada.
Na distribuição, a Jerónimo Martins (3,3%) anunciou uma queda de 3,5% dos lucros, muito ligeiramente abaixo do que prevíamos, devido sobretudo ao aumento dos custos financeiros com locações relativas ao projeto de expansão do grupo.
No caso da Sonae (-0,2%), o lucro cresceu 20,5% no semestre, estimulado pelo bom desempenho operacional dos negócios do grupo, com destaque para a MC. Ainda assim, a subida foi inferior ao previsto.
No setor energético, a EDP Renováveis (-5,4%) teve resultados globalmente em linha com o previsto, embora a subida de 96% do lucro líquido esteja muito influenciada por um nível de impostos muito inferior a 2025. Por sua vez a EDP (-2,9%) divulgou uma subida de 3% dos lucros semestrais, um valor um pouco melhor do que as estimativas, graças aos bons números da EDPR e do negócio de redes de energia.
Ainda no setor energético, o lucro semestral da REN (-7,5%) subiu 42,1% e superou as previsões. Para além da subida do EBITDA (+10,8%), o grupo beneficiou da descida da CESE (Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético) e de resultados financeiros melhores do que o esperado.
Ao invés, o lucro dos CTT (4,1%) recuou 41,6% no primeiro semestre e ficou abaixo do previsto, devido a uma redução da rentabilidade operacional. Apesar do crescimento de 12,9% das receitas, o aumento dos custos, sobretudo devido à consolidação da Cacesa e da DHL Portugal, foi superior (+15,6%), o que afetou o lucro.
Por fim, o BCP (-0,4%) registou um aumento de 12,7% dos lucros no primeiro semestre, sensivelmente em linha com as previsões.
TOP SUBIDAS
Microsoft +21,8%
Amazon.com +17,0%
Teva Pharma +13,6%
Accenture +12,9%
Alphabet +11,8%
TOP DESCIDAS
VF Corp -15,9%
Nxp Semicond. -14,9%
Aperam -8,6%
ASML Holding -8,2%
Adidas -8,2%
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +0,7%
EUA S&P 500 +1,1%
EUA Nasdaq +1,6%
Lisboa PSI -1,1%
Frankfurt DAX +2,1%
Londres FTSE 100 +1,2%
Tóquio NIKKEI 225 -0,4%
Variação das cotações entre 24/07/26 a 31/07/26, em moeda local.