Os mercados assimilaram bem a subida esperada de 25 pontos base das taxas de juro diretoras da Reserva Federal e o sinal de que haverá pelo menos mais uma subida ainda este ano. A reafirmação, por parte do presidente da Fed, do compromisso de controlar a inflação contribuiu para reforçar a confiança na política monetária.
Porém, a incerteza quanto à dimensão da subida das taxas nos próximos meses poderá provocar volatilidade nos mercados acionistas, até porque a tensão persistente no Médio Oriente continua a pressionar os índices. O S&P 500 (-0,1%) fechou quase estável, ao passo que o Nasdaq subiu 0,7%.
Nos EUA, destacamos a recuperação de 1,5% do setor tecnológico. A Intel ganhou 5,5%, a Alphabet 3,3% e a Nvidia 1,8%.
Na Europa, o Stoxx Europe 600 caiu 0,6%, continuando fragilizado pelo preço da energia e pela subida das taxas de longo prazo. Paris recuou 1,4% e Frankfurt desceu 1%. Zurique (+0,1%) resistiu melhor graças à Roche (+3,7%) e à Novartis (+2,7%), que impulsionaram o setor farmacêutico (+1,9% na Europa). Voltamos a adotar uma perspetiva mais positiva sobre o mercado suíço. A Rússia assumiu o controlo dos ativos locais da Nestlé (-1,6%).
Penalizadas no início da semana devido às ligações à IA, a Schneider e a ASML perderam 1,8% e 2,2%, respetivamente.
O setor energético desceu 1,1%, mas a Repsol conseguiu subir 2,4%, beneficiando das tensões no setor da refinação.
O setor da defesa ganhou 1,4%, com a BAE Systems (+6,7%) e a Thales (+5%) a subirem após várias semanas sob pressão.
No setor europeu da alimentação e bebidas (-1,5%), a AB InBev avançou 0,6%, graças a uma recomendação do Deutsche Bank, que considera que a empresa poderá tornar-se a “Coca-Cola” das cervejas.
Lisboa voltou a fechar em alta
Numa semana em que mais uma vez não houve grandes novidades nas empresas portuguesas, o índice PSI conseguiu fechar em alta ligeira de 0,2%. As variações das ações foram pouco significativas, com a Sonae (+2,7%) a liderar os ganhos, seguida da NOS (+2,4%), da REN (+1,9%) e da Galp Energia (+1,8%), que voltou a beneficiar do elevado preço do petróleo, acima dos 100 dólares por barril.
Pelo contrário, embora também sem notícias específicas que o justifiquem, a Ibersol e a EDP Renováveis lideraram as perdas, com uma queda de 2,5%.
Por fim, a Jerónimo Martins (-1,5%) foi alvo de uma multa de 120 milhões de euros por práticas anticoncorrenciais na Polónia, mas já anunciou que irá recorrer da decisão.
Números da semana
+0,25%
Tal como se previa, a Fed subiu pela primeira vez desde 2023 as taxas de juro diretoras em 0,25%, colocando-as no intervalo 3,75% - 4%. Além disso, reafirmou o compromisso com o controlo da inflação, o que deverá implicar novas subidas das taxas em breve.
+31,8%
Numa semana em que o Banco do Japão também subiu as taxas de juro em 25 pontos base para 1,25%, o valor mais elevado desde 1995, a Bolsa de Tóquio regressou aos ganhos e já acumula uma valorização de 31,8% (em euros) desde o início do ano.Top subidas
Astrazeneca +6,8%BAE Systems +6,7%
GSK +6,0%
Intel +5,5%
Thales +5,0%
Top descidas
Stellantis -10,0%Corning -9,8%
Renault -7,3%
Netflix -7,2%
Harley-Davidson -7,0%
A semana em números
Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 -0,6%
EUA S&P 500 -0,1%
EUA Nasdaq +0,7%
Lisboa PSI +0,2%
Frankfurt DAX -1,0%
Londres FTSE 100 +0,1%
Tóquio NIKKEI 225 +1,6%
Variação das cotações entre 11/09/26 a 19/09/26, em moeda local.