Democratas conquistam o Congresso dos EUA
Nas eleições intercalares de 3 de novembro para o Congresso dos EUA, os Democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. O Presidente republicano Trump aceitou o resultado eleitoral e reconheceu a derrota. Ainda assim, pretende recorrer ao direito de veto contra decisões tomadas pelos Democratas.
Como a vitória Democrata pode influenciar a política económica
Com o revés eleitoral dos Republicanos, o Presidente Trump enfrenta mais oposição. Os Democratas irão fiscalizar de forma mais crítica a sua política económica e tentar ajustar medidas fiscais, cortes orçamentais e, sobretudo, tarifas sobre importações. Tal poderá reduzir a incerteza para as empresas e parceiros comerciais e suportar o comércio internacional.
Menos barreiras comerciais podem reduzir os custos para as empresas e consumidores norte-americanos, travando assim a inflação.
Em simultâneo, existe o risco de bloqueio político: decisões importantes relativas a impostos, despesa pública e orçamento poderão tornar-se mais difíceis. Tal poderá abrandar o crescimento económico e provocar instabilidade nos mercados financeiros.
Para a Europa e para a economia mundial, uma vitória Democrata poderá ser positiva se as relações comerciais com os EUA melhorarem. No entanto, uma mudança rápida de rumo não é garantida: Trump mantém, enquanto Presidente, competências importantes, nomeadamente nas áreas do comércio e da política externa.
O que esperar das bolsas após a onda azul
A vitória Democrata pode provocar alguma incerteza e volatilidade em Wall Street no curto prazo. Os investidores receiam um maior escrutínio das grandes empresas tecnológicas, da IA e de outros setores, como a Defesa, o que poderá pressionar as cotações.
Os setores da saúde e das energias renováveis poderão beneficiar de um enquadramento político mais favorável.
Ao mesmo tempo, um Congresso dividido poderá travar os planos de Trump para reduções de impostos e desregulação. Tal poderá limitar um agravamento adicional do défice orçamental e apoiar as obrigações do Tesouro norte-americano, conduzindo a uma descida das taxas de juro.
O dólar também poderá enfraquecer inicialmente devido à expectativa de menores estímulos orçamentais.
Para os mercados acionistas internacionais, uma vitória democrata poderá ser favorável caso as tensões comerciais diminuam. As bolsas europeias reagiram ao resultado eleitoral com ligeiros ganhos.
Ainda assim, a prudência continua a ser aconselhável: confrontos políticos em torno do orçamento e do teto da dívida poderão gerar maior instabilidade nos mercados obrigacionistas e cambiais.
Duas recomendações para investidores num novo cenário político
Mantenha uma carteira globalmente diversificada
Pode manter um ETF acionista global diversificado como núcleo da carteira. A economia norte-americana continua a ter uma importância fundamental, mesmo sob um Congresso controlado pelos Democratas. Contudo, também não convém ficar totalmente dependente dos desenvolvimentos políticos em Washington.
Não realize grandes transações no imediato
Os mercados já incorporaram uma parte da incerteza política nos preços. Não é, por isso, aconselhável alterar radicalmente a carteira apenas com base neste resultado eleitoral norte-americano.
Historicamente, uma eleição intercalar, por si só, também não constitui uma razão válida para vender ações. A conjuntura económica e os lucros das empresas continuam a ser os fatores decisivos.