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Bolsas em queda

Bolsas em queda

Publicado em: 26 outubro 2026
Rui Ribeiro

Autor: Rui Ribeiro

Nervosismo mantém-se nas bolsas

Mercados recuam com subida do petróleo, receios inflacionistas e incertezas sobre a IA. PSI cai 2,4% numa semana negativa.

A semana foi agitada nos mercados. A nova subida acentuada do preço do petróleo (+6,1%), que atingiu o nível mais alto desde maio, reacendeu os receios inflacionistas e penalizou muito os ativos de maior risco. 

Além disso, as dúvidas em torno da IA continuam a abalar as ações tecnológicas. O S&P 500 e o Nasdaq recuaram 0,5 e 0,7%, respetivamente. A Meta Platforms (-9,4%), o primeiro gigante tecnológico americano a divulgar os resultados trimestrais, não convenceu os investidores devido aos altos investimentos em curso relacionados com a IA. Os dois gigantes liderados por Elon Musk, SpaceX (+1%) e Tesla (+4,9%), tiveram desempenhos mais positivos, depois de Musk falar na possibilidade de uma futura fusão entre as duas empresas.

Na Europa, o índice Stoxx Europe 600 perdeu 1,4%, pressionado sobretudo pela tensa situação orçamental, política e social em França. A taxa de juro das obrigações francesas a 10 anos ultrapassou os 5%, o nível mais elevado dos últimos 24 anos. A bolsa de Paris desceu 2,2%, penalizada também pelo setor bancário. O BNP Paribas perdeu 6,7%, o Crédit Agricole caiu 5,1% e a Société Générale desvalorizou 7,5%.

As evoluções contrastantes de dois pesos pesados europeus do setor tecnológico, ASML (-4,7%) e SAP (+7,6%), ilustram a rotação em curso a nível mundial, com uma realização de mais-valias no setor de semicondutores (-1,8%) e uma recuperação sustentada das empresas de software.

A conjuntura pouco favorável às ações mais arriscadas acabou por beneficiar os setores defensivos, como o farmacêutico, que subiu 2%, e as empresas de bens de consumo essenciais (+0,1%).

Lisboa não escapou às perdas

A praça nacional não escapou ao sentimento negativo das bolsas mundiais e caiu 2,4% na semana passada. A liderar as quedas estiveram três pesos pesados do índice PSI: EDP Renováveis (-5,7%), o BCP (-5,4%) e a EDP (-4,7%).

Na abertura da época de resultados a nível nacional, a Navigator (-4,6%) anunciou uma queda dos lucros de 44,8% até setembro, um valor abaixo do esperado, que reflete duas paragens prolongadas da produção.

Já esta segunda-feira, a Galp Energia (+1,4%) divulgou um lucro recorrente recorde nos primeiros nove meses de 2026, mas o anúncio de que terminaram sem acordo as negociações com a Moeve para combinar os negócios de refinação e distribuição das duas empresas na Península Ibérica está a penalizar fortemente a cotação no início da semana.

 

Números da semana

+54%

O lucro recorrente da Galp subiu 54% nos primeiros nove meses do ano, para um valor recorde de 1494 ME, a beneficiar do aumento de 16% da produção de petróleo e gás no Brasil, da subida de 32% do preço médio do ouro negro e da forte recuperação das margens de refinação, que mais do que triplicaram.

-4,5%

Ao contrário da maioria das suas congéneres mundiais, a bolsa de Paris acumula uma perda de 4,5% em 2026. A preocupante situação financeira e orçamental, conjugada com um clima de tensão política e social, justificam as quedas.

 

Top subidas

Check Point +15,3%
Waste Connect. +11,1%
Blackstone +10,7%
Lockheed Martin +9,4%
Accenture +8,6%

 

Top descidas

Carrefour -16,7%
Atlas Copco -12,8%
Stellantis -10,8%
MTU Aero Eng. -10,3%
Anglo American -9,5%

 

A semana em números

Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 -1,4% 
EUA S&P 500 -0,5% 
EUA Nasdaq -0,7% 
Lisboa PSI -2,4% 
Frankfurt DAX -1,7% 
Londres FTSE 100 -1,8% 
Tóquio NIKKEI 225 -4,0% 

Variação das cotações entre 16/10/26 a 23/10/26, em moeda local.

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