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Mercados

Perante a desconfiança em relação ao setor tecnológico, os investidores voltaram-se para segmentos defensivos.

Publicado em: 19 outubro 2026
Rui Ribeiro

Autor: Rui Ribeiro

Queda das tecnológicas marca semana volátil nas bolsas

A desconfiança em relação às tecnológicas penalizou os mercados americanos, mas a Europa e a bolsa portuguesa resistiram.

A semana foi agitada nas bolsas mundiais, com o S&P 500 a recuar 1,9% e o Nasdaq a cair 4,5%. Menos exposto à tecnologia, o Stoxx Europe 600 (+2,1%) fechou em alta.

Numa primeira fase, as bolsas recuaram após a divulgação de uma inflação mais persistente do que o previsto nos EUA, o que incentiva a Reserva Federal a aumentar as taxas de juro e penaliza as ações. Numa segunda fase, a procura por ativos de refúgio ajudou os índices a recuperar.

Perante a desconfiança em relação ao setor tecnológico (-6,4%), os investidores voltaram-se para segmentos considerados defensivos, como a alimentação e bebidas (+4,6%) e as farmacêuticas (+3,5% à escala mundial e +5,2% na Europa). Neste último, Medtronic (+7,1%), Eli Lilly (+6,6%), Alcon (+3%), AstraZeneca (+3,7%) e Roche (+6%) encerraram em alta.

O setor de bens de luxo valorizou 3,1%, impulsionado pela LVMH (+4,5%).

As empresas europeias de defesa valorizaram 8,4%, com a ameaça de afastamento dos EUA face à Ucrânia a reacender o interesse pelo setor. A Thales subiu 7,2% e a BAE Systems ganhou 6,6%.

As dúvidas sobre o financiamento do investimento em IA e o nível de endividamento atingido continuam a penalizar os semicondutores (-9,8%). A Intel caiu 14,2%, a AMD 13%, a Nvidia 6,6% e a Micron Technology 14,6%.

A Schneider caiu 4,9% apesar da revisão em alta dos objetivos para 2026. O aumento de capital para financiar a aquisição da PTC pressiona a ação.

Por fim, a Ericsson (+10,1%) teve uma redução do lucro operacional trimestral menos acentuada do que o esperado.

Lisboa regressou aos ganhos

A bolsa nacional (+2,2%) regressou aos ganhos na semana passada, com os investidores a prepararem-se para a época de divulgação de resultados, que se iniciará a 22 de outubro com a Navigator (+0,8%). 

Das ações seguidas pela DECO PROteste Investe apenas os CTT (-2,4%) fecharam em queda. Ao invés, a liderar os ganhos esteve a Jerónimo Martins (+6,1%), que recuperou das quedas recentes. Seguiram-se a Altri e a Sonae, que ganharam 3,2%.

Pela positiva, realce ainda para a EDP (+2,5%) e a EDP Renováveis (+1,8%), que anunciaram aumentos da produção de eletricidade nos primeiros nove meses do ano de 0,5 e 2%, respetivamente.

Nota final para a Galp (+0,6%), que apresentou dados positivos relativos à sua atividade no terceiro trimestre.

 

Números da semana

 

+14,6%

Depois de uma forte subida em 2025, a bolsa de Lisboa continua em alta e já acumula um ganho de 14,6% desde o início do ano.

 

+44,3%

Apesar da queda de 9,8% na semana passada, o setor de semicondutores lidera os ganhos acumulados em 2026, com uma subida de 44,3% (em euros). Os resultados das empresas têm sido bons, mas há receios quanto à valorização e à sustentabilidade da procura de IA.

 

Bolsas

Stoxx Europe 600 +2,1% 
S&P 500 -2,0% 
Nasdaq -4,5% 
PSI +2,2% 
DAX +2,1% 
FTSE 100 +3,1% 
Nikkei 225 -5,4% 

 

Top subidas

VF Corp +12,3%
Ericsson +10,1%
Accenture +9,9%
Waste Connect. +9,9%
Diageo +9,3%

 

Top descidas

Corning -15,8%
Intel -14,2%
Melexis -10,5%
SpaceX -10,2%
Cisco Systems -9,3%

 

Variação das cotações entre 09/10/26 a 16/10/26, em moeda local.

 

 

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