Os mercados entraram nos últimos meses do ano numa conjuntura desafiante. A tensão mantém-se alta no mercado obrigacionista, com as taxas de juro a níveis elevados nas principais economias. Além disso, o recrudescimento das tensões geopolíticas no Médio Oriente voltou a impulsionar o preço do petróleo (+7,8%). A subida do ouro negro alimenta a inflação e os receios de um aumento das taxas de juro por parte dos bancos centrais.
Estas múltiplas preocupações voltaram a condicionar as bolsas. No entanto, um dos governadores da Reserva Federal indicou no final da semana que uma subida das taxas de juro não se justificaria se a inflação subjacente continuar a desacelerar. Ao invés, os bons dados do emprego levam a crer que uma subida das taxas é inevitável.
O Nasdaq subiu 0,4% e o S&P 500 avançou 0,1%. Os números da Dell (+15,4%) e da Snowflake (+4,3%) foram bem recebidos. A receção aos resultados da Broadcom (-2,9%) foi mista, parecendo não terem sido suficientemente brilhantes para animar os investidores. Os semicondutores nos EUA ganharam 4%. A Nvidia valorizou 5,9% e a Meta progrediu 6,7%.
A Europa fechou no vermelho, com o Stoxx Europe 600 a cair 0,8%. Frankfurt recuou 2%. Muitos setores apresentaram perdas na Europa, como a defesa (-6,2%), a tecnologia (-2,1%) ou a distribuição (-1,6%).
O setor farmacêutico ganhou 0,2%. A Novartis (+4,7%) teve resultados positivos nos ensaios clínicos para um tratamento da esclerose múltipla. A Gilead e a Pfizer subiram 3,6 e 1,8%, respetivamente.
Por fim, o setor energético avançou 1,4%.
Lisboa em queda com a Europa
Lisboa não escapou ao sentimento negativo das praças europeias e fechou com uma queda de 0,5%. Com exceção da EDP Renováveis (-5%), que liderou as perdas, as variações foram pouco significativas.
Pela negativa, destaque igualmente para a EDP que, apesar de ter fixado no início da semana um novo máximo desde maio de 2023, acabou por descer 1%, e para a Galp (-1,5%), que desta vez não acompanhou a subida do preço do petróleo e não beneficiou do anúncio da conclusão do acordo de parceria com a TotalEnergies na Namíbia. Os CTT caíram 1,7%, após notícias (não oficiais) de que não chegaram a acordo com os espanhóis do Cajamar para a venda do Banco CTT.
Pela positiva, o BCP (+2,5%) liderou os ganhos e atingiu um novo máximo desde junho de 2015. Seguiram-se a Jerónimo Martins e a Sonae, com valorizações modestas de 1,4% e 0,7%, respetivamente.
Números da semana
162 mil
A economia norte-americana criou 162 mil empregos em agosto, um valor que quase triplica a estimativa dos analistas e que dá força a uma eventual subida das taxas de juro por parte da reserva Federal já neste mês de setembro.
+162,5%
Das ações acompanhadas pela DECO PROteste Investe, a Intel é a que acumula a maior valorização em 2026. O momento positivo do setor e o apoio do governo americano foram decisivos na recuperação da gigante tecnológica americana.Top subidas
Intel +7,1%Meta Platforms +6,7%
Aperam +6,2%
Vodafone +6,0%
Nvidia +5,9%
Top descidas
Autodesk -16,4%Lockheed Martin -6,8%
LVMH -6,3%
EDP Renováveis -5,0%
Schneider Electric -4,6%
A semana em números
Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 -0,8%
EUA S&P 500 +0,1%
EUA Nasdaq +0,4%
Lisboa PSI -0,5%
Frankfurt DAX -2,0%
Londres FTSE 100 +0,1%
Tóquio NIKKEI 225 -2,1%
Variação das cotações entre 28/08/26 a 04/09/26, em moeda local.