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A maior aversão ao risco levou à queda de 3,6% do setor de semicondutores.

Publicado em: 24 agosto 2026
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Autor: Rui Ribeiro

Tecnológicas sob pressão enquanto Lisboa resiste às quedas

As taxas de juro e a subida do petróleo penalizaram as tecnológicas, mas a bolsa portuguesa voltou a contrariar a tendência negativa.

Tecnológicas sofrem tomada de mais-valias

A questão das taxas de juro está a arrefecer o ânimo dos investidores. Nos EUA, a yield das obrigações a 30 anos atingiu os 5,3% e a das obrigações a 10 anos ultrapassou os 4,7%. Porque é que há tanta tensão? A subida do petróleo alimenta a inflação, a deterioração das finanças públicas e as necessidades acrescidas de financiamento da IA pressionam as taxas em alta tornando as ações um pouco menos atrativas.

O S&P 500 desceu 1,4% e o Nasdaq 2,1%. As vendas dececionantes da retalhista americana Walmart (-10%) fazem recear que a inflação esteja a afetar o poder de compra dos consumidores. Por outro lado, o setor tecnológico americano caiu 3,2%, com a Meta a recuar 6,8%. A maior aversão ao risco levou à queda de 3,6% do setor de semicondutores. A Nvidia corrigiu 4,6%, a Intel 12,1% e a NXP 3,9%.

O preço do petróleo (+6,6%; 94 dólares por barril) voltou a subir, com a negociação em torno do estreito de Ormuz a manter-se num impasse. A persistência de preços elevados voltará a alimentar os lucros das petrolíferas, após um segundo trimestre muito positivo. O setor energético valorizou 1,5%. A Repsol ganhou 4,5%, graças à subida do preço dos produtos petrolíferos refinados, e a TotalEnergies avançou 2,2%.

O setor farmacêutico e biotecnológico (+5,9%) beneficiou do sucesso da Merck (+12,3%) e da Moderna (+161,7%) no desenvolvimento de uma vacina contra o melanoma. A Eli Lilly (+6,4%) e a Roche (+5,8%,) também valorizaram.

A AB InBev caiu 2,1%, já que a concorrente Carlsberg (-5,2%) reportou um aumento de apenas 1,7% dos volumes vendidos no primeiro semestre. As cervejas sem álcool (+11%) e refrigerantes (+9%) compensam a fraqueza das cervejas premium (+1%).

Lisboa escapou às quedas

A praça nacional foi das poucas que escapou ao sentimento bolsista negativo da semana passada e subiu 1,1%, fixando um novo máximo desde abril. Numa semana sem grandes novidades, destaque para a Galp (+5,4%), que liderou os ganhos, a beneficiar do elevado preço do petróleo.

A REN (+0,3%) quase não reagiu à aquisição de 13,7% do seu capital por parte do Estado português, que foi talvez o facto mais comentado da semana.

De resto, não houve grandes novidades nem variações significativas das cotações. Pela positiva, a Corticeira Amorim e a Semapa subiram 3,4 e 2%, respetivamente, ao passo que, pela negativa, a EDP Renováveis (-0,9%) liderou as perdas.

Números da semana

26 agosto

O dia 26 de agosto será importante para a evolução das bolsas a curto prazo. Serão conhecidos os dados de julho do índice “core PCE” nos EUA, indicador preferido de inflação da Fed, e divulgados os resultados da Nvidia, que podem definir o sentimento para o setor tecnológico.

78 325 dólares

A Bitcoin disparou 24,4% na semana passada, aproximando-se novamente dos 80 000 dólares. As criptomoedas beneficiaram das dúvidas criadas pela elevada dívida pública e a intervenção do Tesouro dos EUA.

Top subidas

Merck +12,3%
Bell +10,5%
Eli Lilly +6,4%
Tesla +6,0%
Roche +5,8%

Top descidas

Intel -12,1%
Walmart -10,0%
Corning -9,7%
Melexis -8,1%
MTU Aero Eng. -7,9%

 

A semana em números

Principais Bolsas

Europa Stoxx 600 -0,6% 
EUA S&P 500 -1,4% 
EUA Nasdaq -2,1% 
Lisboa PSI +1,1% 
Frankfurt DAX -1,2% 
Londres FTSE 100 +0,6% 
Tóquio NIKKEI 225 -3,9% 

Variação das cotações entre 14/08/26 a 21/08/26, em moeda local.

 

 

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