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Publicado em: 14 abril 2026
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Autor: Jorge Duarte

Guerra no Irão: e agora?

Os investidores acolheram bem a notícia da trégua, mas as negociações no Paquistão falharam. O que deve fazer? 

O cessar-fogo 

Perante a resistência do Irão e o bloqueio do estreito de Ormuz, que ameaça a economia mundial, o Presidente norte‑americano parecia preparado para uma escalada militar. 

Contudo, os EUA aceitaram suspender as operações militares durante duas semanas e, em troca, o Irão prometeu reabrir o estreito de Ormuz, ainda que pretendendo manter o controlo desta via marítima. 

O anúncio de um cessar‑fogo provocou alguma euforia fez cair a cotação do barril em 15%. As bolsas também recuperaram, em particular na Ásia mais dependente do petróleo do Médio Oriente. 

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As primeiras (e fracassadas) negociações 

Apesar de a interrupção dos combates ter sido uma boa notícia, ainda não foi alcançado nenhum acordo. A proposta de paz de Teerão exige, nomeadamente, o fim das sanções internacionais, o controlo iraniano do estreito de Ormuz e o reconhecimento dos direitos em matéria de enriquecimento de urânio. 

A questão das indemnizações de guerra pedidas pelo Irão também deverá revelar‑se delicada. Por fim, Teerão pretende passar a cobrar taxas pela passagem no estreito de Ormuz. Como se comprovou, as negociações no Paquistão falharam. 

Qualquer desfecho ainda é possível 

Os próximos dias serão cruciais para a evolução da situação. Será necessário, antes de mais, que o cessar‑fogo continue a ser respeitado. E quando terminar o prazo? O que acontecerá? 

As negociações em Islamabade, no Paquistão, falharam, o que não contribui para esperar um regresso rápido à normalidade. Agora, tanto o Irão como os Estados Unidos querem bloquear a navegação do estreito de Ormuz a navios “inimigos”. 

Um abandono total das tentativas de negociação poderá levar à retoma das operações militares, reacendendo a instabilidade na região e perturbando mais o mercado energético. 

Consequências duradouras e negativas 

Os cerca de 40 dias de guerra perturbaram profundamente o mercado energético. Centenas de milhões de barris de petróleo ficaram em falta e será necessário tempo para absorver definitivamente este défice. Ao mesmo tempo, os combates atingiram infraestruturas cuja reparação pode exigir vários anos. 

Com o anúncio do cessar-fogo, o preço do Brent recuou para 95 dólares (70% acima dos 60 dólares do início do ano). E com o fracasso das negociações voltou a superar a fasquia dos 100 dólares. Este facto ilustra o impacto da guerra, mesmo após um ligeiro alívio com o acordo de cessar‑fogo. 

O aumento do custo dos combustíveis é real e penaliza o poder de compra das famílias e os resultados das empresas. E, como será necessário tempo para um regresso à normalidade no mercado petrolífero, não é expectável um maior colapso dos preços do crude no curto prazo. 

Negociações bem‑sucedidas e que resolvam, de forma duradoura, as relações com o Irão permitiriam um apaziguamento do mercado petrolífero e uma recuperação da economia mundial no segundo semestre. Neste momento, porém, esse desfecho permanece altamente incerto. 

Deve preocupar-se com os investimentos? 

A elevada volatilidade desaconselha à tomada de decisões de investimento. Depois de um longo período de valorizações, muitos ativos perderam terreno nas últimas semanas. É um fenómeno normal nos mercados. 

Esta guerra em concreto, ou o dia da Libertação, em 2025, poderiam não ser expectáveis mas, mais cedo ou mais tarde, as bolsas atravessam períodos de queda. 

Se tiver uma carteira bem diversificada pelos principais mercados e setores não há motivos de preocupação. Pode aguardar pelo regresso de melhores tempos. 

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Não caia na tentação de fazer apostas significativas em ativos específicos que registaram quedas elevadas. Se os mercados, no global, recuperam, certas empresas ou matérias-primas podem ter um destino pouco favorável.