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Publicado em: 13 abril 2026
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Autor: Rui Ribeiro

Breve euforia bolsista

Bolsas sobem com trégua Irão‑EUA, mas risco de bloqueio no Estreito de Ormuz reacende pressão sobre petróleo, inflação e taxas de juro.

A trégua de duas semanas entre o Irão e os EUA impulsionou as bolsas e fez baixar as taxas de juro de mercado. Porém, nada está resolvido. As ameaças de um bloqueio americano ao Estreito de Ormuz provocaram uma nova subida do preço do petróleo na manhã desta segunda-feira e a queda dos mercados bolsistas. Outro bloqueio fará subir os preços da energia, alimentará a inflação e, em última análise, aumenta a probabilidade de os bancos centrais subirem os juros. 

Com exceção de Oslo (-1,2%), muito exposta aos hidrocarbonetos, as bolsas ganharam terreno, com o S&P 500 e o Nasdaq a valorizarem 3,6 e 4,7%, respetivamente. O setor de semicondutores (+11,2%) liderou os ganhos e as tecnológicas subiram 6%. A Intel saltou 23,8%, a ASML valorizou 9,4% e a Meta ganhou 9,6%, após apresentar os seus novos modelos de IA. Na Europa, o Stoxx Europe 600 subiu 3,1% e Paris ganhou 3,7%. 

A queda do preço do petróleo (-12,5%) para 95,27 dólares, ao impulsionar o poder de compra dos consumidores, levou o setor do retalho a subir 6,6%. No entanto, este movimento impactou negativamente o setor energético (-1,2%), que, juntamente com as empresas de defesa (-1,3%) esteve entre os perdedores da semana. A Chevron e a Exxon caíram 5,2 e 5,1%, respetivamente, e a TotalEnergies perdeu 1%. 

Os setores cíclicos fecharam positivos, incluindo a indústria europeia (+6,3%), o transporte aéreo (+5,4%) e as empresas de matérias-primas (+6,8%). O setor do aço (+6,9%) também recuperou, impulsionado pelos ganhos de 14% da ArcelorMittal e de 16,7% da Aperam (compra), ambas muito penalizadas nas últimas semanas pelo aumento dos preços da energia e pelas dúvidas sobre o crescimento económico. 

Bolsa de Lisboa com subida moderada 

A bolsa nacional (+1%) voltou a fixar máximos desde junho de 2008, mesmo depois da Galp Energia, que tem um elevado peso no índice PSI, ter recuado 8,6%, afetada pela correção do preço do petróleo. A petrolífera anunciou também a compra de um portefólio de ativos eólicos em Espanha por 320 ME, apesar das energias renováveis não serem a sua prioridade nesta altura. 

De resto, todas as outras ações nacionais acompanhadas pela DECO PROteste Investe fecharam em alta, com destaque para os CTT (+7,1%), a Mota-Engil (+4,8%) e o BCP e a Sonae, que subiram ambas 4,2%. 

Igualmente em alta estiveram as utilities, com a REN a subir 2,6%, a EDP Renováveis a ganhar 1,6% e a EDP a valorizar 0,5%. Nota final para a Altri (+1,3%), que anunciou uma redução do dividendo de 0,30 euros referente a 2024 para 0,25 euros em 2025.

Números da semana

+56,8%          

Apesar da correção acentuada da semana passada (-12,5%), o preço do petróleo já subiu 56,8% (em euros) desde o início do ano. E, se o Estreito de Ormuz continuar fechado, a tendência é para que os preços voltem a subir, como aliás já é visível esta segunda-feira, em que o brent voltou a superar os 102 dólares por barril. 

+3,3%          

Num efeito claro da guerra no Médio Oriente, a inflação homóloga dos EUA acelerou para os 3,3%, em março, contra os 2,4% de fevereiro. É mais uma dificuldade (esperada) para a Reserva Federal poder vir a reduzir novamente as taxas de juro diretoras. 

Top subidas

Intel +23,8%
Aperam +16,7%
Corning +15,8%
Applied Materials +14,6%
ArcelorMittal +14,0%

Top descidas

Repsol -11,0%
Accenture -10,8%
Check Point -8,8%
Galp Energia -8,6%
Autodesk -8,2%

A semana em números

Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +3,1% 
EUA S&P 500 +3,6% 
EUA Nasdaq +4,7% 
Lisboa PSI +1,0% 
Frankfurt DAX +2,7% 
Londres FTSE 100 +1,6% 
Tóquio NIKKEI 225 +7,2% 

Variação das cotações entre 03/4/26 a 10/4/26, em moeda local.