Antes do regresso das tensões no Médio Oriente esta segunda-feira, a confiança dos investidores num fim iminente da guerra no Irão impulsionou as bolsas, sobretudo nos EUA. O otimismo renovado permitiu ao S&P 500 (+4,5%) e ao Nasdaq (+6,8%) fixarem novos máximos. Face aos mínimos do ano, já recuperaram 12,3% e 17,7%, respetivamente.
Dado o menor peso do setor tecnológico, a Europa teve ganhos menores: Stoxx Europe 600 subiu 1,9%. O preço do petróleo caiu 4,7%, provocando uma queda de 2,1% do setor energético. A TotalEnergies e a Shell corrigiram 7 e 6,5%, respetivamente.
O apetite pelo risco levou os investidores de volta aos mercados asiáticos com maior presença tecnológica, como a Coreia do Sul (+5,7%). O setor tecnológico subiu 7,9%, com o segmento de semicondutores a valorizar 7,3%. A TSMC valorizou 1,5% e a NXP Semiconductors 5,7%. A Microsoft ganhou 14% e a Tesla disparou 14,8%. A Intel avançou 9,8% (+85,6% em 2026).
Entretanto, a época de resultados trimestrais já começou. Os primeiros anúncios foram positivos, nomeadamente no setor financeiro americano (+3%). Ao invés, os resultados e perspetivas dececionaram um pouco nos bens de luxo (+3,4%), com a Hermès (-0,9%) e a Kering (-8,3%) em queda. A LVMH (+3,3%) conseguiu subir.
A Europa está a tomar mais uma medida para proteger o seu mercado das importações chinesas, prevendo duplicar as tarifas sobre o aço estrangeiro (incluindo o chinês) para 50%. O acordo final ainda tem de ser aprovado pelo Conselho e pelo Parlamento Euopeu. Ainda assim, como o anúncio era esperado, o setor acabou por subir 3,6%. A Aperam ganhou 6% e a ArcelorMittal valorizou 2,7%.
Do lado das perdas estiveram os setores mais defensivos, como a alimentação e bebidas (-0,7%) e os serviços públicos (-0,7%). As farmacêuticas ganharam 0,3%.
Lisboa destacou-se pela negativa
Dado o elevado peso do setor energético no índice PSI, a bolsa de Lisboa contrariou os ganhos das suas congéneres mundiais e perdeu 2,9% na semana passada.
Com o recuo do preço do petróleo, que o torna mais atrativo face às renováveis, o grupo EDP liderou as perdas, com a EDP Renováveis a cair 7,6% e a EDP a descer 6,8%. Ambas divulgaram alguns dados da sua atividade trimestral, com a produção de eletricidade a subir 3 e 4%, respetivamente.
No ranking das quedas, seguiram-se a REN (-5,6%) e a Galp Energia, que perdeu 4,4%, apesar de ter divulgado dados positivos relativos à sua atividade nos primeiros três meses do ano.
Números da semana
+4%
A EDP divulgou uma subida de 4% da produção de eletricidade no primeiro trimestre e de 2% da sua capacidade instalada, com realce para o crescimento elevado da energia solar. A EDP anunciou ainda que vai distribuir um dividendo líquido de 0,1476 euros por ação no dia 7 de maio.
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Apesar da guerra no Irão e da incerteza sobre a evolução da inflação e das taxas de juro, o índice tecnológico americano Nasdaq fechou a semana num novo máximo histórico. No último ano subiu 44,3%. Mesmo que possa haver futuras correções, é mais uma demonstração de força das praças americanas.Top subidas
VF Corp +15,2%
Tesla +14,8%
Microsoft +14,0%
Blackstone +12,4%
Melexis +11,7%
Top descidas
ENI -9,1%Repsol -8,7%
EDP Renováveis -7,6%
TotalEnergies -7,0%
EDP -6,8%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +1,9%
EUA S&P 500 +4,5%
EUA Nasdaq +6,8%
Lisboa PSI -2,9%
Frankfurt DAX +3,8%
Londres FTSE 100 +0,6%
Tóquio NIKKEI 225 +2,7%
Variação das cotações entre 10/4/26 a 17/4/26, em moeda local.