Artigos Tempo de leitura: 4 min.
Publicado em: 20 abril 2026
author image

Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers

Petróleo volátil

O mercado continua agitado. O anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz provocou uma forte queda da cotação do crude, mas o otimismo foi prematuro. A situação geopolítica é instável e as oscilações de preços deverão prosseguir.

O petróleo caiu acentuadamente após o cessar‑fogo e depois com o anúncio de que o Estreito de Ormuz iria reabrir. O mercado reagiu rapidamente, ao reduzir de imediato o risco de uma escassez de crude proveniente do Golfo. Depois negociar perto de 110 dólares, o barril de Brent recuou e chegou mesmo aos 93 dólares.

Depois, com as dúvidas sobre o cessar-fogo, voltou a aproximar-se dos 100 dólares. Em seguida, com o anúncio que o Irão iria reabrir o Estreito de Ormuz, o barril chegou a colapsar para os 86 dólares. No entanto, a notícia da reabertura revelou-se prematura e o barril voltou a subir na segunda-feira… 

Os movimentos são inúmeros e bastante pronunciados porque o preço do petróleo incorpora a oferta/procura mas reflete igualmente o “medo”. Enquanto os investidores recearem um bloqueio duradouro do estreito de Ormuz, existirá um prémio de risco (estimado entre 5 e 10 dólares por barril). E esse sentimento muda rapidamente ao sabor das declarações de Trump ou de Teerão. 

Rumo a um longo regresso à normalidade? 

Mesmo que o barril esteja agora abaixo dos preços máximos recentes não significa que o perigo tenha desaparecido. Qualquer perceção de agravamento da situação militar e os preços poderão atingir novos máximos anuais. Este facto confirma que a volatilidade permanecerá elevada nas próximas semanas. 

Além disso, desde o início do conflito, a produção mundial de petróleo recuou 11 milhões de barris por dia, ou seja, 10 a 11% da oferta global. Se os campos de extração foram relativamente poupados, as restrições logísticas, em particular no transporte marítimo, limitarão a retoma das exportações no início de um eventual cenário de saída da crise. 

O reinício será ainda mais moroso na refinação e no gás porque vários complexos importantes no Koweit, nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar sofreram danos avultados. Como resultado, os preços do gás e dos produtos refinados deverão manter‑se elevados e voláteis, mesmo que haja uma melhoria do ponto de vista estrito da guerra. 

Em suma, o cenário mais provável é o de um petróleo muito volátil, com o Brent a oscilar num intervalo de 90 a 100 dólares enquanto não houver um acordo definitivo entre o Irão e os EUA. 

Apenas a longo prazo, o mercado poderá regressar à normalidade se a oferta mundial voltar a aumentar e o risco geopolítico diminuir de forma efetiva. Mesmo nesse cenário, dificilmente se regressará ao nível de cotação do Brent verificada em 2025.

Petrolíferas: conselhos 

As primeiras indicações sobre os resultados do primeiro trimestre das petrolíferas são muito positivas para as atividades de trading de hidrocarbonetos, impulsionadas pela volatilidade excecional dos preços. Em contrapartida, as petrolíferas expostas à região já assinalam um recuo da produção: Shell, Exxon Mobil e outras referem volumes em baixa, mas com margens de refinação ainda elevadas. A Repsol ilustra bem este fenómeno: a cotação sobe 117% num ano, sustentada pela forte subida das margens na gasolina e no gasóleo. 

Esperamos que os lucros de 2026–27 do setor petrolífero ainda sejam revistos em alta nos próximos meses. Mas, ao negociar em 20, o rácio cotação/lucro esperado para 2026 revela que o setor não está barato. Além disso, as cotações das petrolíferas tornam‑se também mais sensíveis às variações diárias do barril. Pela positiva, o rendimento do dividendo (cerca de 4%) é bastante atrativo. 

Em suma, o setor da energia está mais arriscado, apesar de a tendência de fundo dos lucros continuar favorável. Se a trégua se mantiver e os fluxos através de Ormuz se normalizarem, o preço do barril pode recuar e manter-se num nível mais baixo. Em contrapartida, ao menor incidente sério, o panorama pode ser alterado radicalmente em poucas sessões de bolsa. 

O mercado oscila entre o pânico e uma prudência vigilante, mas não regressa à serenidade anterior à guerra. 

Consulte os nossos conselhos para as várias empresas do setor energético