A desescalada da guerra no Médio Oriente continua a ser um sonho longínquo, o que não permite aos investidores recuperarem a confiança. Os preços do petróleo (+0,9%) continuam bem acima dos 100 dólares por barril, alimentando as preocupações com a inflação, com a direção das taxas de juro e, em última análise, com a força da economia global. Nas suas novas projeções, a OCDE alerta que a guerra já está a prejudicar o crescimento mundial, com a Europa a ser mais afetada do que os Estados Unidos.
Após um bom início de semana, os índices norte-americanos perderam terreno e fecharam em queda. O S&P 500 e o Nasdaq caíram 2,1 e 3,2%, respetivamente. As yields dos títulos do Tesouro a 10 e 30 anos continuaram a subir. O problema é que, quanto mais elevadas forem as taxas de juro, mais atrativas se tornam as obrigações em relação às ações, o que pressiona as bolsas.
Os semicondutores desvalorizaram 3,2%, com a Nvidia a perder 3%. A Alphabet caiu 8,9% e a Meta 11,4%, ambas condenadas na justiça pelo facto de a sua atividade colocar os menores em risco de dependência.
Na Europa, o desempenho das bolsas foi melhor, com o Stoxx Europe 600 a subir 0,4%. A bolsa de Zurique recuperou 2% graças à Roche (+3,9%) e à Novartis (+3,1%). O setor farmacêutico europeu ganhou 2,1%.
O setor do transporte aéreo (+1,7% na Europa) recuperou parte das quedas, graças ao recuo, entretanto anulado, dos preços do petróleo no início da semana.
Os setores energético (+2,2%) e siderúrgico (+1,6%) fecharam em terreno positivo, com a Aperam a subir 3,2% e a ArcelorMittal 3,6%. As empresas de matérias-primas ganharam 2,9% e as químicas valorizaram 2,3%.
Lisboa liderou os ganhos
Numa semana novamente muito volátil, a bolsa de Lisboa teve um bom desempenho, com o índice PSI a ganhar 1,4%. Depois da divulgação dos resultados anuais, não houve notícias empresariais relevantes a guiar os investidores nacionais.
Ainda assim, alguns títulos recuperaram das quedas recentes, como foram os casos da Sonae (+6,7%) e da Mota-Engil (+6,5%), que lideraram os ganhos.
Pela positiva, destaque igualmente para o setor da pasta e do papel, que também recuperou das últimas perdas: Altri (+4,4%); Semapa (+4,4%) e Navigator (+4,2%). No setor bancário, o BCP valorizou 3,5%.
De resto, com exceção da Galp Energia (-4%), que não acompanhou a subida do petróleo, e da REN (-2,3%), todas as ações nacionais acompanhadas pela DECO PROteste Investe fecharam positivas na semana passada.
Números da semana
113,42 $
Valor de fecho do preço do barril de petróleo na semana passada. A atual escalada do conflito no Médio Oriente parece não permitir uma solução consistente para a reabertura do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás usado no mundo.
-5,2%
Ao contrário de que seria de esperar, já que a crise energética em teoria penaliza mais a Europa do que os EUA, o principal índice da bolsa de Nova Iorque, o S&P 500 (-5,2%), está a cair mais do que o europeu Stoxx Europe 600 (-2,9%) desde o início do ano.
Top subidas
BASF +13,3%
Harley-Davidson +10,8%
Corning +9,8%
Solvay +8,5%
Exxon Mobil +7,1%
Top descidas
Meta Platforms -11,4%
Atenor -9,5%
Check Point -9,1%
Alphabet A -8,9%
BAE Systems -8,1%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +0,4%
EUA S&P 500 -2,1%
EUA Nasdaq -3,2%
Lisboa PSI +1,4%
Frankfurt DAX -0,4%
Londres FTSE 100 +0,5%
Tóquio NIKKEI 225 +0,001%
Variação das cotações entre 20/3/25 a 27/3/25, em moeda local.