Artigos Tempo de leitura: 5 min.
Publicado em: 20 março 2026
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Autor: Euroconsumers

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Autor: Jorge Duarte

Trump, guerra e mercados: como reagir?

Vender e sair da bolsa, antes que os mercados caiam ainda mais? Ou aproveitar as quedas para reforçar as posições? 
Ninguém sabe quanto tempo vai durar a guerra entre o Irão, Estados Unidos e Israel. Também são incertas as consequências mais duradouras para a economia mundial. 

Se, no início do conflito, os mercados demonstraram alguma resiliência, nos últimos dias, tornaram-se frequentes as sessões de bolsa com quedas mais acentuadas. Há setores mais afetados, mas o pessimismo alastra. 

Como antecipávamos, o cenário agravou-se à medida que os preços do petróleo e do gás natural avançam.  

Guerra atinge o petróleo e o gás natural  

O fecho do estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, é preocupante. Mas a situação agrava-se com o escalar dos ataques a instalações de petróleo e gás no Irão e em outros países do Golfo. 

A menos que a situação se inverta rapidamente, esta evolução dos custos da energia reativa o espetro da inflação no Ocidente e vai abrandar a economia global. 

Tudo depende agora dos objetivos da Casa Branca e de quando Trump poderá declarar vitória e, pelo menos, diminuir a intensidade da guerra. Por um lado, os objetivos dos EUA são pouco claros e têm flutuado, pelo que esse desfecho não é totalmente impossível. Por outro lado, Israel tem uma agenda diferente e condiciona os EUA. 

Já internamente, o Presidente dos Estados Unidos está sob forte pressão. A guerra não é consensual mesmo para o eleitorado mais partidário de Trump. E, para todos os norte-americanos, os preços da gasolina já subiram 30% desde o início do conflito. 

Este disparo é preocupante para os Republicanos a poucos meses das eleições para o Congresso dos Estados Unidos. Esse receio tem estado subjacente às sucessivas declarações públicas de Donald Trump. Contudo, a sua retórica não tem tido grande efeito prático. Por vezes, os preços do crude até reagem em baixa, mas apenas temporariamente.  

Depois dos conflitos, mercados recuperam 

Além da tragédia inerente a uma guerra, a situação político-económica é igualmente preocupante. Porém, no passado, vender em pânico já custou caro a muitos investidores pelo que deve evitar decisões precipitadas. 

Em cada crise geopolítica, a tentação é a mesma: sair dos mercados “até que a situação acalme”. Os investidores ficam nervosos porque o risco político é difícil de quantificar e, por isso, não há como integrá-lo adequadamente numa estratégia. 

Por norma, o resultado é uma redução, pura e simples, da exposição aos ativos mais arriscados. Quando se trata de ajustamentos é justificável. Porém, a venda massiva de ativos, como as ações em geral, é uma decisão inadequada e poderá até ser contraproducente.  

A história mostra que, algum tempo decorrido após a maioria dos conflitos, e esse período pode ser mais ou menos longo, em meses ou anos, os mercados recuperam e avançam para níveis ainda mais elevados. 

Quem vende no auge das crises normalmente já “sai” tarde e, pior, perde, muitas vezes, a recuperação subsequente. 

Evite decisões impulsivas 

O investidor não deve tentar antecipar os próximos eventos geopolíticos, mas evitar erros típicos em períodos de crise. Basicamente, não deve agir por impulso ou concentrar excessivamente a carteira. 

Reagir de forma precipitada a tensões geopolíticas, raramente é uma boa decisão quando se investe com horizonte de cinco ou mais anos. 

A resposta mais adequada deve passar pelos seguintes pontos: 

  • Manter a carteira diversificada, ajustada ao seu perfil de risco e ao horizonte temporal, continua a ser essencial.
  • Evitar apostas de curto prazo nos ativos do “momento” como o petróleo, empresas de Defesa ou ouro porque parte dessas expectativas já está refletida nos preços.
  • Investir de forma faseada para reduzir o risco de entrar num momento desfavorável.
  • Se uma queda dos mercados alterar significativamente o peso dos ativos na carteira, o reequilíbrio é mais sensato do que movimentos frequentes de compra e venda.
  • O recuo de algumas cotações pode ser uma oportunidade de compra, mas é preciso uma análise casuística. Nem tudo deve ser visto como “saldos”.

Quem mais ganha e quem pode perder? 

Os Estados Unidos são autossuficientes em energia e como maiores produtores mundiais de hidrocarbonetos, também poderão vender a sua produção a um preço mais elevado. 

Na Ásia, a China e a Índia voltar-se-ão mais ainda para o petróleo e o gás russos e deverão encontrar formas de se manterem competitivos, mesmo que o aumento dos preços da energia seja uma má notícia. Ao invés, a Europa, Japão e a Coreia do Sul são as economias mais afetadas em caso de conflito prolongado. 

Estas regiões terão menos alternativas para as fontes de fornecimento de energia e terão de suportar uma fatura mais elevada. De momento, são também mercados onde atualmente não recomendamos o investimento através de ETF.