Se, no início do conflito, os mercados demonstraram alguma resiliência, nos últimos dias, tornaram-se frequentes as sessões de bolsa com quedas mais acentuadas. Há setores mais afetados, mas o pessimismo alastra.
Como antecipávamos, o cenário agravou-se à medida que os preços do petróleo e do gás natural avançam.
Guerra atinge o petróleo e o gás natural
O fecho do estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, é preocupante. Mas a situação agrava-se com o escalar dos ataques a instalações de petróleo e gás no Irão e em outros países do Golfo.
A menos que a situação se inverta rapidamente, esta evolução dos custos da energia reativa o espetro da inflação no Ocidente e vai abrandar a economia global.
Tudo depende agora dos objetivos da Casa Branca e de quando Trump poderá declarar vitória e, pelo menos, diminuir a intensidade da guerra. Por um lado, os objetivos dos EUA são pouco claros e têm flutuado, pelo que esse desfecho não é totalmente impossível. Por outro lado, Israel tem uma agenda diferente e condiciona os EUA.
Já internamente, o Presidente dos Estados Unidos está sob forte pressão. A guerra não é consensual mesmo para o eleitorado mais partidário de Trump. E, para todos os norte-americanos, os preços da gasolina já subiram 30% desde o início do conflito.
Este disparo é preocupante para os Republicanos a poucos meses das eleições para o Congresso dos Estados Unidos. Esse receio tem estado subjacente às sucessivas declarações públicas de Donald Trump. Contudo, a sua retórica não tem tido grande efeito prático. Por vezes, os preços do crude até reagem em baixa, mas apenas temporariamente.
Depois dos conflitos, mercados recuperam
Além da tragédia inerente a uma guerra, a situação político-económica é igualmente preocupante. Porém, no passado, vender em pânico já custou caro a muitos investidores pelo que deve evitar decisões precipitadas.
Em cada crise geopolítica, a tentação é a mesma: sair dos mercados “até que a situação acalme”. Os investidores ficam nervosos porque o risco político é difícil de quantificar e, por isso, não há como integrá-lo adequadamente numa estratégia.
Por norma, o resultado é uma redução, pura e simples, da exposição aos ativos mais arriscados. Quando se trata de ajustamentos é justificável. Porém, a venda massiva de ativos, como as ações em geral, é uma decisão inadequada e poderá até ser contraproducente.
A história mostra que, algum tempo decorrido após a maioria dos conflitos, e esse período pode ser mais ou menos longo, em meses ou anos, os mercados recuperam e avançam para níveis ainda mais elevados.
Quem vende no auge das crises normalmente já “sai” tarde e, pior, perde, muitas vezes, a recuperação subsequente.
Evite decisões impulsivas
O investidor não deve tentar antecipar os próximos eventos geopolíticos, mas evitar erros típicos em períodos de crise. Basicamente, não deve agir por impulso ou concentrar excessivamente a carteira.
Reagir de forma precipitada a tensões geopolíticas, raramente é uma boa decisão quando se investe com horizonte de cinco ou mais anos.
A resposta mais adequada deve passar pelos seguintes pontos:
- Manter a carteira diversificada, ajustada ao seu perfil de risco e ao horizonte temporal, continua a ser essencial.
- Evitar apostas de curto prazo nos ativos do “momento” como o petróleo, empresas de Defesa ou ouro porque parte dessas expectativas já está refletida nos preços.
- Investir de forma faseada para reduzir o risco de entrar num momento desfavorável.
- Se uma queda dos mercados alterar significativamente o peso dos ativos na carteira, o reequilíbrio é mais sensato do que movimentos frequentes de compra e venda.
- O recuo de algumas cotações pode ser uma oportunidade de compra, mas é preciso uma análise casuística. Nem tudo deve ser visto como “saldos”.
Quem mais ganha e quem pode perder?
Os Estados Unidos são autossuficientes em energia e como maiores produtores mundiais de hidrocarbonetos, também poderão vender a sua produção a um preço mais elevado.
Na Ásia, a China e a Índia voltar-se-ão mais ainda para o petróleo e o gás russos e deverão encontrar formas de se manterem competitivos, mesmo que o aumento dos preços da energia seja uma má notícia. Ao invés, a Europa, Japão e a Coreia do Sul são as economias mais afetadas em caso de conflito prolongado.
Estas regiões terão menos alternativas para as fontes de fornecimento de energia e terão de suportar uma fatura mais elevada. De momento, são também mercados onde atualmente não recomendamos o investimento através de ETF.