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Trump, guerra e mercados: como reagir?

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Evite apostas de curto prazo nos ativos do “momento” como o petróleo, Defesa ou ouro.

Publicado em: 02 março 2026
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Autor:  Euroconsumers 

Autor:  Jorge  Duarte

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Evite apostas de curto prazo nos ativos do “momento” como o petróleo, Defesa ou ouro.

A escalada militar no Médio Oriente provocou quedas nas bolsas e impulsionou os preços do petróleo e do gás. O que fazer?

As bolsas iniciam a semana em queda, reagindo à nova guerra no Médio Oriente. Em resposta ao ataque israelo-americano, o Irão bombardeou interesses norte-americanos em vários países vizinhos.

A navegação o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, está praticamente encerrada devido ao elevado risco.

Os preços da energia deverão subir nos próximos dias. Ainda assim, as atuais capacidades de produção de petróleo parecem suficientes para responder à procura. Por isso, deverá tratar-se de uma crise temporária, com duração provável de algumas semanas. Não é momento para entrar em pânico.

Investir em tempos de choque: evitar decisões impulsivas

Episódios geopolíticos tendem a aumentar a volatilidade e podem pressionar as ações no curto prazo, mas o impacto a médio prazo costuma ser mais limitado do que a perceção imediata sugere.

O objetivo do investidor não é antecipar os próximos passos do Irão, mas evitar erros típicos em períodos de choque:

  • Não vender no pior momento, agir por impulso ou concentrar excessivamente a carteira.
  • Manter uma carteira global diversificada, ajustada ao perfil de risco e ao horizonte temporal, continua a ser essencial.
  • Evite apostas de curto prazo nos ativos do “momento” como o petróleo, Defesa ou ouro porque parte dessas expectativas já está refletida nos preços.
  • Invista de forma faseada ajuda a reduzir o risco de escolher um momento desfavorável.
  • Se a queda das ações alterar significativamente o peso dos ativos na carteira, o reequilíbrio é mais sensato do que movimentos frequentes de compra e venda.

Convém igualmente evitar acompanhar o portefólio em permanência, pois a volatilidade elevada aumenta a probabilidade de decisões impulsivas. Vender apenas para aliviar a ansiedade, sem um plano claro de reinvestimento, pode significar perder a recuperação subsequente.

Setores beneficiados e setores sob pressão

  • Em bolsa, o contexto global continua a favorecer o setor da defesa.
  • O ouro preserva o seu papel de diversificação nas carteiras.
  • Já os setores do transporte aéreo e do turismo poderão enfrentar dificuldades acrescidas, pelo que deve ficar afastado.

 

Petróleo: impacto do estreito de Ormuz e resposta da OPEP+

Os ataques iranianos impulsionaram o preço do Brent da zona dos 70 para perto dos 80 dólares por barril.

Num cenário de alastramento regional, a cotação poderia subir ainda mais, embora tal hipótese pareça, para já, pouco provável.

É improvável que os vários países árabes reajam de forma mais drástica aos ataques do Irão até porque o alvo principal do Irão tem sido os interesses norte-americanos.

O encerramento do estreito de Ormuz afeta o abastecimento energético, dado que cerca de 20% da produção mundial passa por essa rota. Contudo, menos de 10% do petróleo que transita por Ormuz destina-se à Europa e os Estados Unidos são autossuficientes. A Ásia é a região mais exposta, nomeadamente China, Índia, Coreia do Sul e Japão.
Em caso de escassez, é provável que China e Índia reforcem compras à Rússia. Já a Coreia do Sul e o Japão terão de recorrer a alternativas nos mercados globais.

A OPEP+ já concordou com aumento da produção de petróleo de 206 mil barris por dia para abril no domingo. Ficou aquém das expectativas e grande parte desse produto ainda tem de sair do Médio Oriente por petroleiros.

Porém, poderão aumentar mais a produção se necessário, enquanto a Guiana e a Líbia deverão expandir a oferta. O mercado petrolífero tende, assim, a manter-se globalmente abastecido, limitando os riscos no médio e longo prazo.

Gás natural: mercado mais vulnerável e prémio de risco

No gás natural, o desafio é distinto. O preço do TTF subiu de 32 para 39 dólares. O mercado é atualmente dominado pelos Estados Unidos.

Porém, produtores relevantes como a Rússia, Irão e Qatar enfrentam constrangimentos. Os dois primeiros estão sob sanções ocidentais e o terceiro envolvido, ainda que indiretamente, no conflito.

As alternativas são mais limitadas e a infraestrutura de exportação exige investimentos significativos. É expectável, por isso, uma maior incorporação de prémio de risco neste mercado, prémio que deverá ajustar-se em função da evolução dos acontecimentos.

 

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