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Petróleo dita tendência das bolsas

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O setor energético ganhou 1,5%, impulsionado pela subida do preço do petróleo.

Publicado em: 16 março 2026
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O setor energético ganhou 1,5%, impulsionado pela subida do preço do petróleo.

A subida do preço dos hidrocarbonetos está a agravar os receios de inflação e a levar os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa.

O preço do petróleo ditou a tendência dos mercados acionistas, que tiveram uma semana muito volátil apesar das poucas notícias corporativas. O ouro negro chegou a cotar nos 119,50 dólares na segunda-feira e fechou a semana nos 102,68 dólares, uma subida de 10,8% (+68,7% em 2026).

Embora o Presidente Trump tenha sugerido, no início da semana, que a guerra “está virtualmente terminada", as esperanças dos investidores foram rapidamente frustradas pelos ataques a vários navios na região e pela declaração do novo líder iraniano, Mojtaba Khamenai, a indicar que o bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o trânsito de petróleo e gás, provavelmente continuará. A subida do preço dos hidrocarbonetos está a agravar os receios de inflação e a levar os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa.

O índice Stoxx Europe 600 caiu 0,5% e, do outro lado do Atlântico, o S&P 500 recuou 1,6% e o Nasdaq 1,3%, beneficiando do desempenho resiliente das tecnológicas. Realce para os sólidos resultados trimestrais da gigante de software e cloud Oracle (+1,4%), que prevê uma procura contínua relacionada com a IA. O segmento de semicondutores destacou-se ao subir 0,3%.

Como se previa, o setor energético ganhou 1,5%, impulsionado pela subida do preço do petróleo. A Repsol valorizou 10,8%, seguida pela ENI (+8,9%) e Shell (+7,7%).
O setor da defesa desceu 2,4% devido, sobretudo, aos resultados dececionantes da gigante alemã Rheinmetall (inalterada), cujas ações mais do que duplicaram de valor em cada um dos dois últimos anos. A Thales subiu 5,2% e a BAE Systems 4,2%, ao passo que a Lockheed Martin desvalorizou 3,8%. 

Lisboa em contraciclo, volta a subir

A bolsa nacional escapou às quedas generalizadas das restantes praças mundiais e subiu 2,2% na semana, à boleia dos ganhos de várias empresas com elevado peso no índice PSI. O grupo EDP foi um deles, com a EDP Renováveis (+7,6%) a liderar os ganhos e a casa mãe a valorizar 3,7%.

Na distribuição, a Jerónimo Martins (+4,9%) e a Sonae (+3,8%) também tiveram boas subidas, a beneficiar da expectativa de um aumento da inflação, que ajudaria a estimular os lucros. Por fim, a Galp Energia (+4,8%) beneficiou da subida do petróleo.

A Mota-Engil (-7%) liderou as quedas, após surgir um processo movido pelo fundo Muddy Waters Research contra a empresa e o seu CEO. A construtora apresentou o seu novo plano estratégico “Focus 2030”, que prevê um crescimento de 11% ao ano do volume de negócios e alcançar um lucro de 360 milhões de euros em 2030, do qual planeia entregar aos acionistas 30 a 50%.

 

Números da semana

102,68 dólares         

A evolução do preço do petróleo ganhou grande relevância na evolução das bolsas, dado o perigo de haver um aumento generalizado da inflação, se os preços da energia (petróleo, gás…) se mantiverem elevados durante muito tempo. Na semana passada, o ouro negro fechou nos 102,68 dólares por barril.  

+ 10,7%         

A subir 10,7% desde início do ano, a bolsa de Lisboa é uma agradável surpresa. O elevado peso do setor energético e a inexistência de empresas tecnológicas, à exceção da Novabase que não está no PSI, contribuem para este desempenho muito superior à média.

 

Top subidas

Repsol +10,8%
Eni +8,9%
Shell +7,7%
EDP Renováveis +7,6%
BASF +6,8%
 

Top descidas

Atenor -13,0%
Aperam -10,3%
Kion Group -9,0%
Accenture -8,5%
Harley-Davidson -8,2%
 
 
 

A semana em números

Principais Bolsas

Europa Stoxx 600 -0,5%
EUA S&P 500  -1,6%
EUA Nasdaq  -1,3%
Lisboa PSI  +2,2%
Frankfurt DAX   -0,6%
Londres FTSE 100 -0,2%
Tóquio NIKKEI 225  -3,2% 

Variação das cotações entre 06/03/26 a 13/03/26, em moeda local.

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