Foi uma semana muito negativa para as bolsas, dado não haver sinais de alívio da tensão no Médio Oriente. Alguns produtores de petróleo (Iraque, Kuwait) reduziram os seus fornecimentos, somando-se aos anteriores cortes do Qatar na produção de gás natural. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita também podem baixar a produção em breve.
A queda da oferta global está a fazer subir o preço do petróleo para valores acima dos 100 dólares por barril, o que pode obrigar consumidores e empresas a lidar com altos preços dos combustíveis durante algum tempo. Para piorar a situação, o anúncio da perda de empregos nos EUA, em fevereiro, reforça o receio de estagflação (inflação sem crescimento económico).
A Coreia do Sul (-10,7%) e a Europa (-5,5% para o Stoxx Europe 600), mais sensíveis aos custos energéticos, fecharam no vermelho.
O setor do transporte aéreo europeu desceu 10,9%, com a Air France-KLM a perder 18% e a IAG 14,3%. Evite exposição a este setor.
As empresas com mais consumo de energia, como as químicas (-8,1% na Europa), tiveram uma semana difícil. No setor do aço e ferro (-9,2%), a ArcelorMittal e a Aperam recuaram 13,7 e 15,9%, respetivamente.
Nasdaq e o S&P 500 mostraram resiliência e perderam "apenas" 1,2 e 2%, com o setor tecnológico americano (-0,8%) a resistir bem. O segmento de semicondutores perdeu 1%. As grandes empresas tecnológicas são vistas por alguns investidores como um porto seguro devido à sua qualidade. A IBM subiu 7,8%, a Microsoft 4,1% e a Nvidia 0,4%.
O setor energético subiu 1,4%, com a Repsol e a Shell a progredirem 9,2 e 3,3%, respetivamente, e o da defesa subiu 2,4%.
Lisboa não resistiu à guerra
Perante uma conjuntura internacional tão adversa, a bolsa nacional não resistiu e caiu 3,6%. A semana foi novamente marcada por anúncios de resultados empresariais.
O lucro da NOS (+7,2%) desceu 9,6%, devido a ganhos não recorrentes obtidos em 2024, mas superou as previsões. A empresa anunciou ainda um dividendo total de 0,45 euros por ação, também acima do esperado.
Os números da REN (-0,5%) também foram bons, com o lucro a subir 4,8%, acima do previsto. O grupo vai aumentar o dividendo em 2%, para 0,16 uros brutos por ação.
Por fim, a Mota-Engil (-9,1%) teve uma subida dos lucros de 9% em 2025, mas o volume de negócios recuou 11% devido a atrasos de projetos em Portugal e no México.
Notas finais para a Galp (+8,1%), que liderou os ganhos a beneficiar dos resultados apresentados e da subida do preço do petróleo, e para o BCP (-9,2%), que foi o título que sofreu a maior correção.
Números da semana
100 USD
Apesar de ter fechado a semana nos 92,64 dólares por barril (+27,7%), o preço do petróleo está, esta segunda-feira, a negociar acima dos 100 dólares, tendo-se inclusive aproximado dos 120. É a consequência económica mais visível e perigosa da guerra no Médio Oriente.
-92 mil
A perda de 92 mil empregos pela economia americana em fevereiro e a subida da taxa de desempenho, de 4,3 para 4,4%, geraram preocupações. Ainda mais gravadas pela escalada dos preços da energia e o seu impacto na inflação que podem atrasar possíveis novos cortes das taxas de juro, por parte da Fed.
Top subidas
Repsol +9,2%
Check Poin +8,6%
Galp Energia +8,1%
IBM +7,8%
NOS +7,2%
Top descidas
Corning -18,0%
Aperam -15,9%
Bpost -14,7%
ArcelorMittal -13,7%
Bayer -13,4%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 -5,5%
EUA S&P 500 -2,0%
EUA Nasdaq -1,2%
Lisboa PSI -3,6%
Frankfurt DAX -6,7%
Londres FTSE 100 -5,7%
Tóquio NIKKEI 225 -5,5%
Variação das cotações entre 27/2/25 a 06/3/25, em moeda local.
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