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Guerra no Médio Oriente afunda bolsas no Ocidente

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Alguns produtores de petróleo reduziram os seus fornecimentos, o que também teve impacto nas bolsas

Publicado em: 09 março 2026
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Alguns produtores de petróleo reduziram os seus fornecimentos, o que também teve impacto nas bolsas

Para já, não há sinais de alívio da tensão no Médio Oriente e isso refletiu-se nas bolsas com um impacto negativo na semana passada.

Foi uma semana muito negativa para as bolsas, dado não haver sinais de alívio da tensão no Médio Oriente. Alguns produtores de petróleo (Iraque, Kuwait) reduziram os seus fornecimentos, somando-se aos anteriores cortes do Qatar na produção de gás natural. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita também podem baixar a produção em breve.

A queda da oferta global está a fazer subir o preço do petróleo para valores acima dos 100 dólares por barril, o que pode obrigar consumidores e empresas a lidar com altos preços dos combustíveis durante algum tempo. Para piorar a situação, o anúncio da perda de empregos nos EUA, em fevereiro, reforça o receio de estagflação (inflação sem crescimento económico). 

A Coreia do Sul (-10,7%) e a Europa (-5,5% para o Stoxx Europe 600), mais sensíveis aos custos energéticos, fecharam no vermelho. 

O setor do transporte aéreo europeu desceu 10,9%, com a Air France-KLM a perder 18% e a IAG 14,3%. Evite exposição a este setor. 

As empresas com mais consumo de energia, como as químicas (-8,1% na Europa), tiveram uma semana difícil. No setor do aço e ferro (-9,2%), a ArcelorMittal e a Aperam recuaram 13,7 e 15,9%, respetivamente. 

Nasdaq e o S&P 500 mostraram resiliência e perderam "apenas" 1,2 e 2%, com o setor tecnológico americano (-0,8%) a resistir bem. O segmento de semicondutores perdeu 1%. As grandes empresas tecnológicas são vistas por alguns investidores como um porto seguro devido à sua qualidade. A IBM subiu 7,8%, a Microsoft 4,1% e a Nvidia 0,4%. 

O setor energético subiu 1,4%, com a Repsol e a Shell a progredirem 9,2 e 3,3%, respetivamente, e o da defesa subiu 2,4%. 

Lisboa não resistiu à guerra 

Perante uma conjuntura internacional tão adversa, a bolsa nacional não resistiu e caiu 3,6%. A semana foi novamente marcada por anúncios de resultados empresariais. 

O lucro da NOS (+7,2%) desceu 9,6%, devido a ganhos não recorrentes obtidos em 2024, mas superou as previsões. A empresa anunciou ainda um dividendo total de 0,45 euros por ação, também acima do esperado. 

Os números da REN (-0,5%) também foram bons, com o lucro a subir 4,8%, acima do previsto. O grupo vai aumentar o dividendo em 2%, para 0,16 uros brutos por ação. 

Por fim, a Mota-Engil (-9,1%) teve uma subida dos lucros de 9% em 2025, mas o volume de negócios recuou 11% devido a atrasos de projetos em Portugal e no México. 

Notas finais para a Galp (+8,1%), que liderou os ganhos a beneficiar dos resultados apresentados e da subida do preço do petróleo, e para o BCP (-9,2%), que foi o título que sofreu a maior correção. 

Números da semana

100 USD          

Apesar de ter fechado a semana nos 92,64 dólares por barril (+27,7%), o preço do petróleo está, esta segunda-feira, a negociar acima dos 100 dólares, tendo-se inclusive aproximado dos 120. É a consequência económica mais visível e perigosa da guerra no Médio Oriente.  

-92 mil          

A perda de 92 mil empregos pela economia americana em fevereiro e a subida da taxa de desempenho, de 4,3 para 4,4%, geraram preocupações. Ainda mais gravadas pela escalada dos preços da energia e o seu impacto na inflação que podem atrasar possíveis novos cortes das taxas de juro, por parte da Fed. 

Top subidas

Repsol +9,2%
Check Poin +8,6%
Galp Energia +8,1%
IBM +7,8%
NOS +7,2%

Top descidas

Corning -18,0%
Aperam -15,9%
Bpost -14,7%
ArcelorMittal -13,7%
Bayer -13,4%

 

A semana em números

Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 -5,5% 
EUA S&P 500 -2,0% 
EUA Nasdaq -1,2% 
Lisboa PSI -3,6% 
Frankfurt DAX -6,7% 
Londres FTSE 100 -5,7% 
Tóquio NIKKEI 225 -5,5% 

Variação das cotações entre 27/2/25 a 06/3/25, em moeda local.

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