No caso chinês, o endividamento já atinge quase o dobro da média histórica recente, entre 2010 e 2025. Pequim tem multiplicado os estímulos à economia, sobretudo após a grave crise no setor imobiliário. Já o Japão continua a liderar o ranking das economias mais endividadas do mundo. Ainda assim, a recente inflação contribuiu para uma ligeira redução do peso da dívida.
Dívida pública em % do PIB em 2026 (e média 2010-2005)
Japão: 227% (234%)
Estados Unidos: 129% (112%)
China: 102% (57%)
A situação global das finanças públicas é assim marcada pelo agravamento do endividamento e pelo acumular de défices orçamentais, sobretudo desde a pandemia de Covid-19.
Por cá, Portugal tem estado em contracorrente. Após atingir 134% do PIB em 2020, o peso da dívida pública nacional deverá recuar este ano para 87%, abaixo da média da zona euro.
Portugal: 87% (118%)
Zona euro: 89% (89%)
Trump aumenta despesa
Este ano, a dívida dos EUA deverá, de acordo com o FMI, ficar nos 129% do PIB e atingir os 143% em 2027. O Presidente Trump tem promovido cortes de impostos e aumentos da despesa, que deverão agravar com o atual conflito no Médio Oriente.
As prometidas receitas com as tarifas estão agora em risco, depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter decidido invalidar parte das taxas anunciadas desde 2025. Ainda assim, mesmo que fossem aplicadas, dificilmente compensariam o défice orçamental em toda a sua amplitude.
Apesar desta evolução, a dívida soberana dos EUA continua a ser bastante procurada e permanece como ativo “sem risco” de referência global. O Tesouro norte-americano paga agora 4,2% a 10 anos, menos do que há um ano (4,6%).
Europa a vários ritmos
Durante anos, a Alemanha “fugiu” da dívida, subinvestindo em setores críticos, mas o novo Governo de Berlim quer inverter este cenário. Alguns limites constitucionais à dívida foram eliminados e, no ano passado, foi aprovado um colossal pacote de investimento. Ainda assim, o rácio da dívida germânica deverá ser de 66% do PIB, contra uma média da zona euro de 89%.
Ao invés, em França, os sucessivos primeiros-ministros não conseguem recuperar a situação débil das contas públicas (dívida em 120% do PIB, em 2026). Desde há um ano que Paris paga o mesmo nível de juros que a Grécia (3,3% a 10 anos), país que, há pouco mais de uma década, foi forçado a renegociar parte da sua dívida.
Em Itália, o peso da dívida já está em 138%.
No Reino Unido, a situação é apenas ligeiramente menos severa (104% do PIB). Embora, o Governo britânico usufrua de uma maioria estável, Londres tem tido dificuldade em convencer os investidores e os eleitores. O país ainda paga 4,3% para se financiar a 10 anos.
Emergentes mais endividados
À medida que os países emergentes progridem e se desenvolvem, é natural que a dívida aumente. Se essa ascensão for demasiado rápida há riscos de desequilíbrios graves.
No último ano, o problema foi menos evidente porque a depreciação do dólar norte-americano e a descida dos juros nos EUA contribuem para um financiamento mais acessível por parte dos países emergentes.
Brasil: 95% (78%)
Índia: 81% (74%)
África do Sul: 80% (54%)
México: 60% (51%)
Indonésia: 41%(32%)
Fonte: FMI
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