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A dívida pública continua a aumentar globalmente

Publicado em: 18 março 2026
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A dívida pública continua a aumentar globalmente

Prevê-se que o peso da dívida pública, em 2026, fique bastante acima da média dos últimos 15 anos. 
A dívida pública, em percentagem do PIB, continua a aumentar em inúmeras economias a nível global. O fenómeno é particularmente visível nas duas maiores potências globais, os Estados Unidos e a China. 

No caso chinês, o endividamento já atinge quase o dobro da média histórica recente, entre 2010 e 2025. Pequim tem multiplicado os estímulos à economia, sobretudo após a grave crise no setor imobiliário. Já o Japão continua a liderar o ranking das economias mais endividadas do mundo. Ainda assim, a recente inflação contribuiu para uma ligeira redução do peso da dívida.

Dívida pública em % do PIB em 2026 (e média 2010-2005) 

Japão: 227% (234%) 

Estados Unidos: 129% (112%) 

China: 102% (57%) 

A situação global das finanças públicas é assim marcada pelo agravamento do endividamento e pelo acumular de défices orçamentais, sobretudo desde a pandemia de Covid-19. 

Por cá, Portugal tem estado em contracorrente. Após atingir 134% do PIB em 2020, o peso da dívida pública nacional deverá recuar este ano para 87%, abaixo da média da zona euro.

Portugal: 87% (118%) 

Zona euro: 89% (89%) 

Trump aumenta despesa 

Este ano, a dívida dos EUA deverá, de acordo com o FMI, ficar nos 129% do PIB e atingir os 143% em 2027. O Presidente Trump tem promovido cortes de impostos e aumentos da despesa, que deverão agravar com o atual conflito no Médio Oriente. 

As prometidas receitas com as tarifas estão agora em risco, depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter decidido invalidar parte das taxas anunciadas desde 2025. Ainda assim, mesmo que fossem aplicadas, dificilmente compensariam o défice orçamental em toda a sua amplitude. 

Apesar desta evolução, a dívida soberana dos EUA continua a ser bastante procurada e permanece como ativo “sem risco” de referência global. O Tesouro norte-americano paga agora 4,2% a 10 anos, menos do que há um ano (4,6%).

Europa a vários ritmos

Durante anos, a Alemanha “fugiu” da dívida, subinvestindo em setores críticos, mas o novo Governo de Berlim quer inverter este cenário. Alguns limites constitucionais à dívida foram eliminados e, no ano passado, foi aprovado um colossal pacote de investimento. Ainda assim, o rácio da dívida germânica deverá ser de 66% do PIB, contra uma média da zona euro de 89%. 

Ao invés, em França, os sucessivos primeiros-ministros não conseguem recuperar a situação débil das contas públicas (dívida em 120% do PIB, em 2026). Desde há um ano que Paris paga o mesmo nível de juros que a Grécia (3,3% a 10 anos), país que, há pouco mais de uma década, foi forçado a renegociar parte da sua dívida. 

Em Itália, o peso da dívida já está em 138%. 

No Reino Unido, a situação é apenas ligeiramente menos severa (104% do PIB). Embora, o Governo britânico usufrua de uma maioria estável, Londres tem tido dificuldade em convencer os investidores e os eleitores. O país ainda paga 4,3% para se financiar a 10 anos.

Emergentes mais endividados 

À medida que os países emergentes progridem e se desenvolvem, é natural que a dívida aumente. Se essa ascensão for demasiado rápida há riscos de desequilíbrios graves. 

No último ano, o problema foi menos evidente porque a depreciação do dólar norte-americano e a descida dos juros nos EUA contribuem para um financiamento mais acessível por parte dos países emergentes. 

Brasil: 95% (78%) 

Índia: 81% (74%) 

África do Sul: 80% (54%) 

México: 60% (51%) 

Indonésia: 41%(32%) 

Fonte: FMI 

 

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