A desconfiança dos investidores em relação ao setor tecnológico (-3%) está a aumentar. A principal preocupação tem a ver com a rentabilidade dos investimentos em IA e na cloud anunciados na semana passada pelas principais tecnológicas.
Além disso, as incertezas em torno do potencial disruptivo da IA, sobretudo no segmento de software, levaram à realização de mais-valias. Neste clima de aversão ao risco, a Bitcoin chegou a cair por breves instantes para menos de 60.000 dólares. Os dias em que as criptomoedas eram vistas como um ativo “refúgio” parecem ter ficado para trás.
O S&P 500 e o Nasdaq limitaram as suas quedas a 0,1% e 1,8%, respetivamente, graças à recuperação de sexta-feira. As ações de semicondutores caíram 2,4%. A Nvidia e a AMD perderam 3 e 12%, respetivamente. A Microsoft desceu 6,8%.
A Europa (+1%) teve um desempenho mais favorável, apesar da pressão do setor tecnológico (-3,7%). No segmento de software, a alemã SAP acabou por subir 0,7% (-18,1% em 2026) após uma semana turbulenta. Os setores mais defensivos fecharam em alta, como a alimentação e bebidas (+5,1%) e as operadoras de telecomunicações (+4,5%).
No setor farmacêutico (+2,9%), a Novo Nordisk (-20%) apresentou perspetivas pessimistas para 2026. Mas, as dificuldades do setor mantêm-se restritas ao segmento da obesidade. A GlaxoSmithKline (+17,1%) divulgou resultados de 2025 acima das expectativas e a nova administração pretende expandir o portefólio de medicamentos, o que estimulou a cotação.
No setor do aço (+4,5%), a ArcelorMittal (+11,4%) e a Aperam (+13,6%) demonstram forte confiança na procura e nos preços de venda a partir do segundo semestre de 2026, graças às medidas de proteção europeias.
Lisboa continua forte
A bolsa nacional teve mais uma semana muito positiva, com o índice PSI a subir 2,6% e a elevar os ganhos acumulados desde o início do ano para 7,6%.
Numa semana em que apenas Semapa (-0,2%) e BCP (-0,1%) fecharam no vermelho e com quedas muito ligeiras, destaque para a recuperação da Mota-Engil (+8,8%) e para a subida de 7,7% dos CTT, que anunciaram um aumento de 6,2% dos preços médios do Correio e que continuam a beneficiar das boas perspetivas do setor de encomendas.
Em alta, realce também para a NOS (+5%) e para a Galp Energia (+4,9%; ver pág. 3), que anunciou dados operacionais para o quarto trimestre de 2025 em linha com o esperado. Nota final para a subida de 4,1% da Sonae, que atingiu um novo máximo desde 2007.
Números da semana
8890,30
Depois da forte subida de 29,6% em 2025, a bolsa de Lisboa mantém-se em forte alta e fechou a semana passada num novo máximo desde junho de 2008, há mais de 17 anos. Apesar disso, não se limite a investir na bolsa nacional. Diversifique.
50 115,67
Na passada sexta-feira, o mítico índice da bolsa de Nova Iorque Dow Jones Industrials ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 50 000 pontos, fixando um novo máximo histórico e confirmando alguma rotação de ativos, com os investidores a focarem-se mais noutros setores, para além do tecnológico.
Top subidas
Corning +18,3%
GlaxoSmithKline +17,1%
Aperam +13,6%
ArcelorMittal +11,4%
Vinci +10,8%
Top descidas
Stellantis -26,2%
Novo Nordisk -20,0%
Melexis -16,5%
Amazon.com -12,1%
Blackstone -8,9%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +1,0%
EUA S&P 500 -0,1%
EUA Nasdaq -1,8%
Lisboa PSI +2,6%
Frankfurt DAX +0,7%
Londres FTSE 100 +1,4%
Tóquio NIKKEI 225 +1,8%
Variação das cotações entre 30/1/25 a 06/2/25, em moeda local.
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