A IA ditou mais uma vez o rumo dos mercados bolsistas na última semana. Os receios em torno do potencial da IA para impactar diversos setores da economia continuam na mente dos investidores.
Embora as perturbações e o seu impacto negativo nos lucros futuros de algumas empresas pareçam inevitáveis, o seu alcance e os sectores mais penalizados estão a gerar discussão. Depois do software, dos seguros e dos serviços financeiros, foi a vez do setor da logística ser alvo de realização de mais-valias pelos investidores. Assim, S&P 500 e Nasdaq caíram 1,4% e 2,3%, respetivamente.
O setor tecnológico dos EUA perdeu 2,9%, com as ações da IBM a descerem 11,5% e as da Intel 2%. Por sua vez, a divulgação de resultados da Cisco (-10,9%) desiludiu.
Na Europa, o índice Stoxx Europe 600 subiu 0,1%, com Frankfurt a fechar inalterada. Entre os setores com melhor desempenho, realce para as telecomunicações (+4%) e as empresas farmacêuticas (+3,3%).
Os receios em relação à IA estão a relegar os resultados empresariais para segundo plano. No entanto, eles têm sido globalmente fortes para grandes empresas como a AB InBev (+5,6%) ou a Coca-Cola (+3,6%). Aproveite estes desenvolvimentos para aumentar as suas participações em ações atrativas ou realizar mais-valias naquelas que têm demasiado peso na sua carteira.
Os receios de disrupção no setor financeiro, por parte da IA, fizeram com que este recuasse 2,6% na Europa. As ações das seguradoras (-0,6%) tiveram perdas mais limitadas, com a Axa a recuperar 0,8%.
O setor europeu de alimentação e bebidas recuou 0,3%, apesar dos fortes resultados da AB InBev e da Heineken. A Diageo (-1%) também apresentou resultados positivos.
Bolsa de Lisboa à espera dos resultados
A bolsa nacional voltou a fechar em alta (+1,4% na última semana) e atingiu um novo máximo desde 2008, numa altura em que os investidores aguardam com expectativa os resultados anuais das empresas portuguesas, cuja divulgação terá início já esta semana, com os números da Corticeira Amorim (+0,3%) e da Navigator (+1,1%).
Pela positiva, destaque para a forte subida da REN (+7,6%), que liderou os ganhos, e fixou um novo máximo histórico desde a sua entrada em bolsa em julho de 2007.
O setor da distribuição também fechou em alta, com a Jerónimo Martins a subir 3,9% e a Sonae a progredir 3,2% e a atingir um novo recorde desde junho de 2007.
Igualmente em alta, mas também sem notícias relevantes que o justifiquem, estiveram a Semapa (+3,7%), a NOS (+3,5%) e a Galp Energia (+2,5%).
Números da semana
9073,89
A bolsa de Lisboa parece ter voltado ao radar dos investidores, com o índice PSI a fechar novamente acima dos 9000 pontos, o que já não acontecia desde junho de 2008. Em 2026, está a ganhar 9,8%, depois da forte valorização em 2025.
2,4%
Valor da taxa de inflação nos Estados Unidos em janeiro, o que representa uma descida face aos 2,7% de dezembro. Este valor um pouco baixo do previsto aumenta a probabilidade de haver mais cortes das taxas de juro por parte da Reserva Federal, estimando-se agora três cortes em 2026.
Top subidas
Ahold Delhaize +14,3%
Toromont +12,7%
Applied Materials +9,1%
REN +7,6%
Bayer +6,8%
Top descidas
IBM -11,5%
Cisco Systems -10,9%
Accenture -8,7%
Check Point -8,6%
PostNL -7,5%
A semana em números
Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +0,1%
EUA S&P 500 -1,4%
EUA Nasdaq -2,3%
Lisboa PSI +1,4%
Frankfurt DAX +0,0%
Londres FTSE 100 +2,0%
Tóquio NIKKEI 225 -1,9%
Variação das cotações entre 10/2/25 a 17/2/25, em moeda local.
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROteste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.