Investir em divisas em 2026: as moedas com maior potencial
A queda do dólar reforça a perceção de que o sistema monetário internacional está a mudar.
A queda do dólar reforça a perceção de que o sistema monetário internacional está a mudar.
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão relevante nos mercados cambiais globais. Após mais de uma década de domínio do dólar norte-americano (USD), os investidores assistiram a um enfraquecimento significativo do USD, impulsionado por: cortes nas taxas de juro da Reserva Federal, pela deterioração das contas externas dos Estados Unidos e pelo avanço gradual, mas consistente, do processo de desdolarização no comércio internacional.
A queda de cerca de 12% do dólar face ao euro em 2025, aliada à crescente utilização de moedas alternativas em transações energéticas — como o uso do yuan chinês na venda de petróleo venezuelano, uma situação que fica agora em aberto depois da captura de Maduro e esperada abertura da exploração do petróleo venezuelano às empresas dos EUA — reforça a perceção de que o sistema monetário internacional está a entrar numa fase de maior bipolaridade cambial.
Neste contexto, torna-se essencial identificar quais as divisas que apresentam melhores perspetivas para 2026, seja em termos de potencial de apreciação, seja enquanto instrumentos de preservação de valor e estabilidade.
Durante décadas, o dólar beneficiou do seu estatuto de moeda de reserva global, sustentado pelo sistema do petrodólar, no qual o comércio internacional de petróleo era maioritariamente denominado em USD. Contudo, esse modelo começou a ser progressivamente desafiado.
Um dos principais catalisadores da desdolarização tem sido a utilização do dólar como instrumento geopolítico, nomeadamente através de sanções financeiras, restrições ao acesso ao sistema SWIFT e congelamento de reservas cambiais.
Estes episódios levaram várias economias emergentes e exportadoras de matérias-primas a procurar alternativas que reduzissem a sua exposição ao risco cambial e político associado ao USD. Países como a Rússia, o Irão e a Venezuela passaram a negociar energia e matérias-primas em moedas alternativas, como o yuan chinês, o rublo ou moedas regionais, acelerando a fragmentação do sistema monetário tradicional.
Além disto, também devido aos contextos de guerra, países como a China têm vindo a acumular as suas reservas de ouro para ter mais vias sem ser as que têm a supervisão dos EUA.
Em contextos de conflito e instabilidade geopolítica, os riscos para o sistema financeiro internacional aumentam, tornando sanções, congelamento de ativos e volatilidade cambial ameaças reais. Nestas circunstâncias, o ouro reassume um papel estratégico como reserva de valor. Analise os nossos conselhos sobre o ouro.
A China exemplifica esta tendência ao reforçar as suas reservas de ouro como forma de reduzir a dependência do dólar e proteger-se de riscos políticos e financeiros, usando o ouro como ativo físico, universalmente aceite e sem risco de contraparte.
Embora a desdolarização seja um processo lento e gradual, o seu impacto psicológico e estrutural é relevante: reduz a procura estrutural por dólares fazendo com que haja menos dependência do dólar americano no comércio internacional e uma redução do mesmo nas reservas cambiais dos bancos centrais. Além de aumentar a atratividade de outras moedas, sobretudo em contextos de política monetária mais disciplinada.
O dólar entra em 2026 numa posição fragilizada. Em 2025, a Reserva Federal efetuou três cortes consecutivos de 25 pontos base na taxa de juro, sinalizando uma mudança clara para uma política monetária mais maleável. Esta trajetória ocorre num contexto de: défices orçamentais e comerciais elevados; aumento do endividamento público; maior incerteza política e fiscal; e abrandamento do crescimento económico.
Apesar de o dólar poder beneficiar periodicamente de movimentos de aversão ao risco (efeito “safe haven”), o cenário base para 2026 aponta para continuação da pressão estrutural descendente, sobretudo se outros bancos centrais mantiverem políticas mais restritivas ou neutras.
Adicionalmente, a inflação nos Estados Unidos tem mostrado uma trajetória descendente, aproximando-se progressivamente da meta de 2% definida pela autoridade monetária, embora ainda esteja em torno dos 2,7%.
Com as expectativas de inflação de médio e longo prazo relativamente ancoradas, a necessidade de manter taxas de juro elevadas torna-se menos premente. Neste contexto, novos cortes podem ser encarados como uma forma de evitar um aperto excessivo das condições financeiras e de mitigar o risco de uma desaceleração económica mais pronunciada.
Assim sendo, o enquadramento macroeconómico atual sugere que a Reserva Federal (Fed) poderá abrir espaço para novos cortes nas taxas de juro, mas de forma mais moderada.
Contudo o USD continua a desempenhar um papel fulcral nos mercados financeiros globais, sobretudo devido à sua elevada liquidez, profundidade dos mercados de capitais e estatuto dominante como moeda de reserva internacional.
Conselho: Embora o dólar continue a ser indispensável enquanto moeda de liquidez, reserva e financiamento global, o equilíbrio entre crescimento económico, inflação controlada e sustentabilidade financeira sugere que a Fed poderá prosseguir com cortes graduais nas taxas de juro, o que poderá manter o USD sob alguma pressão relativa nos mercados cambiais nos próximos períodos. Mas achamos mais provável que estabilize ou até recupere parte do território perdido, do que continue a desvalorizar contra o euro.
O euro emerge como um dos principais beneficiários do enfraquecimento do dólar. Em 2025, a moeda única registou ganhos expressivos face ao USD, sustentados por uma política monetária do Banco Central Europeu mais previsível e cautelosa.
Apesar de o BCE ter iniciado cortes nas taxas de juro a partir do início de 2025, estes foram graduais e antecipados pelo mercado, evitando choques cambiais negativos. Para 2026, o euro beneficia de um/a:
• Menor volatilidade monetária face aos EUA;
• Melhoria gradual das contas externas da Zona Euro;
• Crescente diversificação de reservas cambiais globais;
• Perceção de maior disciplina institucional;
Embora o crescimento económico europeu permaneça mitigado, o euro apresenta-se como uma moeda de estabilidade, com potencial para ganhos adicionais moderados caso o dólar continue a perder relevância relativa.
Conselho: o EURO destaca-se como uma das divisas mais sólidas para 2026, adequada tanto para valorização moderada como para preservação de valor.