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Geopolítica não impede bom início de ano nas bolsas

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As ações reagiram pouco às conturbações políticas

Publicado em: 12 janeiro 2026
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As ações reagiram pouco às conturbações políticas

O aumento da tensão geopolítica mundial continua a favorecer o preço do ouro, e nos EUA, o cenário de um novo corte das taxas de juro saiu reforçado na semana passada.

O ouro (+4,2%) continua a beneficiar do aumento da tensão geopolítica e das compras efetuadas pelos bancos centrais dos países em desenvolvimento, que procuram reduzir a sua exposição ao dólar americano, neste período de política mais agressiva dos EUA. Por sua vez, as ações reagiram pouco a estes acontecimentos. 

Nos EUA, onde os números dececionantes do emprego reforçam o cenário de um novo corte das taxas de juro, o S&P 500 subiu 1,6% e o Nasdaq ganhou 1,9%. O setor dos semicondutores subiu 0,8% (+3,7% desde o início do ano) graças a resultados melhores do que o previsto da Taiwan Semiconductor (+6%). A ASML valorizou 9,7%, a Texas Instruments 7,2% e a Intel 15,7%. 

A Europa (+2,3%) também fechou em alta, impulsionada pelos setores farmacêutico (+4,1%) e da defesa (+15,6%). A BAE Systems subiu 17%, beneficiando do compromisso de Trump de aumentar o orçamento da defesa e das crescentes tensões geopolíticas. 

Relativamente pouco afetado pela intervenção dos EUA na Venezuela, o preço do petróleo subiu 4,2%, já que a situação no Irão está a deteriorar-se e os EUA ameaçam intervir. A Venezuela pode ser uma nova fonte de crescimento para as petrolíferas, com a Chevron a subir 4% e a Exxon 1,6%. 

O setor das matérias-primas subiu 4,9%, com a Rio Tinto (+0,3%) e a Glencore (+10,7%) a negociarem uma fusão. Os recursos alocados a esta operação não estarão disponíveis para a abertura de novas minas, o que agravará a escassez. A Anglo American valorizou 5,8%.

Lisboa em alta com a Galp a liderar 

A bolsa nacional teve um bom início de ano, com o índice PSI a subir 1,4% na semana passada. A Galp (+5,5%) liderou os ganhos, após anunciar que está a negociar um acordo com a Moeve para combinar as suas operações na refinação e distribuição na Península Ibérica. O acordo poderia gerar boas sinergias e reforçaria a posição da Galp no mercado ibérico. 

No top três das subidas, estiveram ainda a REN (+3,7%) e a Jerónimo Martins (+3,2%). NOS (+2,3%), EDP (+2,2%) e Sonae (+1,7%) foram outros títulos que contribuíram para o bom desempenho da praça lisboeta. 

Apenas dois títulos fecharam em queda, o BCP, que corrigiu 2,5%, e os CTT (-0,4%), que anunciaram que João Bento decidiu reformar-se e irá abandonar a liderança executiva do grupo no final do mandato em abril, sendo substituído pelo atual CFO, Guy Pacheco.

Esta alteração não terá implicações significativas na estratégia dos CTT, que continuarão focados em ser um líder em logística na Península Ibérica. 

Números da semana

609,67     

As bolsas europeias continuam num bom momento, estimuladas em parte pelo boom no setor da defesa. Prova disso é o novo máximo histórico fixado pelo índice Stoxx Europe 600, na sexta-feira, nos 609,67 pontos.  

1081,60 €      

Novo máximo histórico da cotação da ASML, que reforçou o estatuto de empresa mais valiosa da Europa, com uma capitalização bolsista de cerca de 420 mil milhões de euros. O bom momento do setor de semicondutores, aliado à posição de quase monopólio da empresa holandesa no fabrico dos seus equipamentos, justificam a valorização. 

Top subidas

BAE Systems +17,1%
Intel +15,7%
Novo Nordisk +15,5%
Thales +13,2%
Atenor +12,4%

Top descidas

Reanault -7,0%
Corning -6,0%
Aperam -5,0%
Waste Connect -4,5%
BMW -4,5%

A semana em números

Principais Bolsas
Europa Stoxx 600 +2,3% 
EUA S&P 500 +1,6% 
EUA Nasdaq +1,9% 
Lisboa PSI +1,4% 
Frankfurt DAX +2,9% 
Londres FTSE 100 +1,7% 
Tóquio NIKKEI 225 +3,2% 

Variação das cotações entre 02/1/25 a 09/1/25, em moeda local.

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