O mundo dos investimentos e dos mercados financeiros é, por natureza, complexo, com conceitos técnicos, produtos sofisticados e dinâmicas que mudam rapidamente.
Para quem está a começar, essa complexidade pode gerar dúvidas, insegurança e a procura constante por respostas rápidas. E é justamente nesse momento de vulnerabilidade que muitos investidores iniciantes se tornam alvos fáceis para burlões, esquemas fraudulentos e promessas de enriquecimento fácil.
A falta de experiência, aliada ao desejo legítimo de obter retornos elevados, cria o cenário ideal para que golpistas explorem expectativas irrealistas, ofereçam produtos não regulados ou manipulem informações para enganar os mais desprevenidos.
Atualmente, os riscos são ainda maiores devido à sofisticação das burlas: desde plataformas falsas e esquemas em pirâmide, até finfluencers que promovem produtos duvidosos e burlões que utilizam inteligência artificial para criar conteúdos altamente convincentes.
É, por isso, fulcral verificar se as entidades estão registadas e reguladas. Se detetar ou for alvo de uma fraude financeira, denuncie à Polícia Judiciária e ao Ministério Público.
Seis tipos de fraudes
Esquemas em pirâmide
Um esquema em pirâmide é uma fraude em que os participantes ganham dinheiro principalmente ao recrutar novos membros, e não através de qualquer atividade económica real.
Parte do valor investido pelos novos recrutas é distribuída para os níveis superiores. O sistema precisa de um fluxo constante de pessoas para se manter. Quando o recrutamento abranda, a pirâmide colapsa e a maioria perde o dinheiro investido.
Recomendação
Verifique se existe uma empresa com produtos e valor real por detrás desses sistemas de afiliação.
Esquemas Ponzi
São prometidos retornos altos e "garantidos" sobre um investimento, mas não existe atividade real que gere lucro. Ao contrário do esquema em pirâmide, os participantes não precisam de recrutar outros, basta investir e aguardar os supostos lucros.
O modelo depende exclusivamente de um fluxo constante de novos investidores para continuar a operar, o que o torna insustentável a longo prazo.
Recomendação
Não acredite em promessas de retornos garantidos e altos. Pesquise a empresa e confirme se há atividade real.
Plataformas falsas
Existem ainda aplicações e plataformas falsas de negociação que simulam a compra de ativos financeiros, ações, índices ou até de criptomoedas, mas na realidade não efetuam qualquer transação.
As vítimas acreditam que estão a investir e até veem lucros simulados, mas ao tentarem levantar os fundos, descobrem que o dinheiro desapareceu.
Recomendação
Confirme se têm autorização dos reguladores para operar. Veja reviews e teste levantamentos antes de investir.
Pump and Dump
Neste esquema, criminosos compram um ativo pouco líquido (muitas vezes criptomoedas pequenas) e espalham informação falsa ou exagerada para aumentar o preço.
Quando o preço sobe devido ao hype que gerou, retiram toda a liquidez, deixando os ativos sem valor, causando um colapso e prejuízos para os outros investidores.
Recomendação
Não invista com base em hype, isto é, promoções intensas e exageradas. Evite ativos pequenos e pesquise fundamentos reais.
Finfluencers não certificados
Nesta era digital, proliferam influencers que promovem diversos ativos, criptomoedas, NFT… e até cursos para saber como fazer cursos. A publicidade que fazem está muitas vezes interligada a esquemas de pump and dump.
Recebem comissões para divulgar projetos, mesmo sabendo (ou desconfiando) que são fraudulentos. Por exemplo, promovem esquemas Ponzi disfarçados de plataformas de investimento. Muitos não têm formação financeira, não explicam os riscos e fazem afirmações enganadoras.
Todavia, nem todos os finfluencers estão de má-fé. Alguns acreditam no projeto, mas divulgam sem fazer verificação séria. Recentemente, os ativos prediletos para este tipo de burlas têm sido criptoativos. Cuidado!
Recomendação
Não siga conselhos de finfluencers não certificados. Evite cursos "milagrosos" e desconfie se promoverem plataformas não reguladas, prometerem retornos sem risco, ou de publicidade disfarçada de opinião pessoal.
Burla com utilização de inteligência artificial
Com o avanço da tecnologia, tornou-se cada vez mais fácil criar conteúdos falsos que parecem totalmente reais. Burlões utilizam ferramentas de IA para gerar deepfakes – vídeos ou imagens que fazem alguém parecer dizer ou fazer algo que nunca aconteceu.
Estas ferramentas conseguem simular vozes, criar perfis falsos nas redes sociais e até desenvolver supostos "robôs de investimento" que prometem retornos garantidos. Estes esquemas recorrem a anúncios altamente personalizados, feitos com base nos dados dos utilizadores, tornando a fraude mais convincente.
A combinação de realismo técnico e manipulação emocional faz com que estes esquemas sejam difíceis de detetar, exigindo ainda mais vigilância por parte dos consumidores.
Recomendação
Verifique a fonte de vídeos e áudios. Não confie em robôs de investimento com ganhos garantidos elevados. Desconfie de pedidos de dinheiro urgente.
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