2026: ETF de ações com começo incerto
As bolsas emergentes têm beneficiado com a debilidade do dólar
As bolsas emergentes têm beneficiado com a debilidade do dólar
Os ETF de ações globais avançaram, em média, 1%. Por exemplo, o iShares Core MSCI World (IE00B4L5Y983) valorizou 0,9% e JPM Global Research Enhanced Index Equity Active (IE00BF4G6Y48) progrediu 1%.
Este desempenho deve-se ao acentuado peso do mercado norte-americano e à depreciação do dólar em janeiro (-1,3%). De facto, os resultados dos fundos e ETF dedicados às ações dos EUA foram reduzidos. O ETF Amundi Nasdaq-100 Swap (LU1681038243) recuou 0,1% e ETF UBS S&P 500 Scored & Screened (IE00BHXMHL11) avançou apenas 0,5%.
Contudo, é preciso não esquecer a considerável valorização que o mercado global acumula desde 2023. Nos últimos três anos, o ganho médio anual dos fundos/ETF mundiais está nos 22% ao ano!
Quem mais tem lucrado com a debilidade do dólar são as bolsas emergentes. Um dólar mais barato oferece grandes vantagens, nomeadamente, financiamento mais barato aos países emergentes. Em termos globais, os ETF dedicados a estes mercados valorizaram 7% em janeiro.
Destaque para a América latina. Nas ações brasileiras, o ETF Franklin FTSE Brazil (IE00BHZRQY00) ganhou 15,6% no mês passado. No México, o ETF iShares MSCI Mexico Capped (IE00B5WHFQ43) avanço 8,1%. O Brasil estreia-se a partir deste mês na nossa carteira equilibrada.
Porém, as maiores progressões mensais ocorreram em dois outros mercados. Em primeiro lugar, as ações turcas, tendo o fundo HSBC GIF Turkey Equity EC (LU0213962813) obtido um ganho 16,8% em janeiro. Esta valorização surge após um ano de 2025 pouco favorável. Os investidores parecem, finalmente, estar mais confiantes na eficácia do combate à elevada inflação e à recuperação da independência do banco central turco.
Em segundo lugar, os fundos de ações sul-coreanas disparam mais 25,7%, em média, num único mês. Num ano duplicaram de valor. Este fenómeno assenta no esforço regulamentar para uma melhor governance das empresas locais, mas sobretudo em ações associadas à produção de semicondutores, ou seja, à euforia em torno da Inteligência Artificial.
Só a Samsung Electronics pesa cerca de 30% no índice bolsista coreano e, no total, as tecnológicas representam 60%. Por esse motivo, a bolsa de Seul não propicia uma eficaz diversificação aos principais índices ocidentais, nomeadamente às ações norte-americanas.
Destaque positivo também para as ações polacas, cujo desempenho continua a demonstrar consistência. O ETF iShares MSCI Poland (IE00B4M7GH52) valorizou 5,6% em janeiro e acumula e um ganho de 44,6% nos últimos doze meses. É atualmente um dos nossos mercados emergentes preferidos.
Pela negativa, em janeiro, estiveram as ações indonésias. Os fundos e ETF dedicados à bolsa de Jacarta perderam, em média, 5,1%. A queda deveu-se ao aviso da gestora de índices, MSCI.
Ou as autoridades tomam medidas para melhorar a transparência e o free float das empresas, ou a Indonésia é retirada dos índices de mercados emergentes da MSCI. Essa despromoção seria bastante negativa para as ações indonésias, mas a “ameaça” também pode servir de catalisador para acelerar as necessárias reformas no mercado. Para já, os reguladores locais já deram passos na direção certa.
A redução gradual das taxas de juro na zona euro também se está a refletir nos prazos mais longos, o que beneficia a cotação das obrigações já emitidas. Assim, em janeiro o ETF Xtrackers II iBoxx Eurozone Government Bond Yield Plus (LU0524480265) valorizou 0,8% e o Amundi Euro Lowest Rated Investment Grade Government Bond (LU1681046774) obteve 0,7%.
Na dívida denominada em dólar americano, o panorama foi inverso. O ETF iShares USD Treasury Bond 7-10 year (IE00B3VWN518) recuou 1,5%. As taxas longas nos EUA não estão a diminuir, mas a performance negativa resulta essencialmente da depreciação cambial.
Apesar da retórica do Presidente Trump não é muito provável que o dólar venha a perder muito mais terreno para o euro e outras moedas. Com efeito, depois do choque e de uma depreciação muito significativa aquando do anúncio das tarifas comerciais, em abril de 2025, o dólar tem permanecido volátil, mas não agravou a perda inicial.