ETF de obrigações high yield
As obrigações high yield têm, em geral, uma volatilidade inferior à dos mercados de ações
As obrigações high yield têm, em geral, uma volatilidade inferior à dos mercados de ações
Conhecidas como junk bonds, as obrigações high yield são títulos de dívida emitidos por empresas com menor solidez financeira.
Por um lado, devido ao maior risco de crédito, estas obrigações oferecem taxas de juro mais elevadas do que as da dívida soberana ou de grandes empresas para atrair investidores.
Por outro lado, as obrigações high yield apresentam, em geral, uma volatilidade inferior à dos mercados de ações, o que pode contribuir para diversificar e aumentar a rentabilidade da carteira.
- Em euros, a taxa de rendimento anual (yield) destas obrigações ronda atualmente 5,5%, um nível bastante superior ao das obrigações dos Governos europeus com prazos semelhantes (2,4%).
- No dólar norte-americano (USD), o panorama é idêntico. A yield anual deste tipo de dívida está nos 6,5%, um valor bem acima dos 3,7% oferecidos pelas Treasuries do Governo Federal dos EUA com maturidades semelhantes.
Enquanto a dívida soberana se baseia na capacidade de pagamento dos Estados, que têm o poder de cobrar impostos e, em muitos casos, a possibilidade de emitir moeda, a dívida das empresas depende exclusivamente dos resultados do negócio, geração de dinheiro e da resiliência à conjuntura económica por parte dos emitentes.
Ao contrário da dívida pública de países desenvolvidos, como os EUA e a Alemanha, considerada uma das formas de investimento em obrigações mais seguras pelos investidores, a dívida high yield apresenta um nível de risco superior porque é emitida por empresas com uma qualidade de crédito mais fraca.
Este risco é refletido por piores notações de rating (BB ou menos), o que significa uma maior probabilidade de incumprimento (não pagamento dos juros ou do reembolso do capital).
Por essa razão, estas empresas são obrigadas a oferecer yields mais elevadas para compensar o risco assumido e atrair investidores. Em períodos de desaceleração económica ou de elevados custos financeiros, é um segmento que está ainda mais vulnerável à deterioração dos negócios e dos lucros. High yield implica naturalmente “higher risk”.
Uma grande empresa tem, por norma, uma boa reserva de meios financeiros para atravessar fases menos boas. Nas empresas menos sólidas ou mais pequenas, uma quebra dos resultados pode ser suficiente para não haver dinheiro para pagar a tempo aos seus obrigacionistas.
Os picos dos juros neste segmento aconteceram sobretudo na crise financeira de 2008 e na pandemia e o período de inflação subsequente. As fortes oscilações das taxas de juro HY implicam uma elevada volatilidade do valor destes títulos, por exemplo, em comparação com as obrigações soberanas.
Nessas alturas, a dívida high yield perdeu bastante valor, mas os investidores mais disciplinados e diversificados foram recompensados.
A diferença entre o rendimento proporcionado por estas obrigações high yield e a dívida soberana é denominada de spread.
Na prática, corresponde ao prémio de risco exigido pelos investidores relativamente a uma taxa de referência tipicamente de baixo risco (emissões dos Estados).
Por outras palavras, o spread reflete a perceção dos investidores quanto à maior probabilidade de incumprimento, mas também pode incorporar elementos como liquidez do título e incerteza associada à conjuntura macroeconómica.
Este diferencial não é estático. O spread evolui ao longo do tempo em função do ciclo económico, das condições financeiras, da política monetária, do grau de apetência pelo risco, entre ouros fatores.
Quanto maior a incerteza, maior é o spread. Quando a confiança dos investidores melhora, diminui o spread.
Em euros, o spread da dívida high yield está em 3,2%. Nos títulos em dólares, o prémio de risco, ronda os 2,8% ao ano.
Estes prémios de risco em torno de 3% são interessantes, mas são historicamente reduzidos. Ou seja, os investidores estão a ser menos recompensados pelo risco acrescido do que no passado.
Por este prisma, não seria, à partida, o momento ideal para investir em títulos high yield. No entanto, há outros fatores importantes.
O Banco Central Europeu já cortou acentuadamente as suas taxas diretoras e a Reserva Federal ainda está nesse ciclo, esperando-se juros mais reduzidos nos próximos meses.
Estas medidas não se repercutiram totalmente nos juros de prazos mais longo, mas permitiram um alívio face aos máximos de anos anteriores. Aliás, as empresas beneficiaram mais da diminuição dos custos financeiros do que os Estados devido às preocupações com o endividamento público dos dois lados do Atlântico.
A oferta de dívida high yield é reduzida, com poucas novas emissões, e a procura que permanece elevada por parte dos investidores. Neste enquadramento, o mercado deverá continuar a sustentar a valorização da dívida de alto rendimento.
O maior risco desta classe de ativos passa por uma crise económica acentuada nos Estados Unidos e/ou na zona euro. No entanto, as economias têm mostrado uma excelente resiliência, como demonstra o seu desempenho apesar da política comercial da Casa Branca.
Mesmo na Europa, o ritmo de crescimento é suficiente para manter os níveis atuais de solvabilidade das empresas. E, caso o plano de investimento da Alemanha, comece a produzir resultados, as perspetivas até serão um pouco melhores.
O nível atual das yields é igualmente atrativo, apesar do baixo spread. E, embora não haja garantias, são um bom indicador para o rendimento médio oferecido pelas obrigações nos anos seguintes, ou seja, em torno de 5% a 6%.
Subsiste uma incerteza importante para o mercado de dívida do dólar norte-americano. De facto, o enfraquecimento da nota verde penaliza, há cerca de um ano, os rendimentos dos respetivos mercados obrigacionistas quando convertido para euros.
Os fundos e ETF dedicados às obrigações em dólares, incluindo o segmento HY, estão a perder terreno devido ao efeito cambial negativo no último ano.
A prazo, este risco cambial pode, no entanto, ser relativizado. Com uma taxa de câmbio em torno de 1,18 dólares por 1 euro, a moeda norte-americana encontra-se próxima do que estimamos ser o seu valor de equilíbrio, o que limita o potencial de uma depreciação adicional para o euro.
Para um investidor que procura uma rentabilidade atrativa sem se expor à volatilidade dos mercados acionistas, o segmento das obrigações de alto rendimento (high yield) constitui um bom complemento para a carteira.
Mas se é possível comprar diretamente obrigações high yield em bolsa, não é a melhor opção. O investimento direto tem inúmeros inconvenientes, sobretudo uma insuficiente diversificação e a dificuldade de reinvestir os cupões recebidos.
A melhor via é apostar através da subscrição de fundos de investimento ou a compra de ETF. Estes produtos, acessíveis a partir de pequenos montantes, oferecem uma vasta e diversificada carteira (dezenas ou centenas de obrigações de diferentes setores), imprescindível para compensar o maior risco de incumprimento destas obrigações.
Destacamos três produtos para cada moeda (EUR e USD) com melhor avaliação nas respetivas categorias, de direito europeu (UCITS) e que capitalizam dos rendimentos.
Aconselhamos, no entanto, a limitar o peso dos títulos high yield a 10% do total da sua carteira.
Xtrackers II EUR High Yield Corporate Bond ETF (LU1109943388)
iShares € High Yield Corporate Bond ETF EUR (IE00BF3N7094)
UBS Bond Fund Euro High Yield P acc (LU0086177085)
PIMCO US Short Term High Yield Corporate Bond ETF Acc (IE00BVZ6SQ11)
UBS Bond SICAV Short Duration High Yield P acc (LU0577855355)
Nomura Funds US High Yield Bond A (IE00B3RW7J78)