Setor automóvel europeu: bom investimento?
Apesar de algum entusiasmo no setor automóvel europeu, os investidores continuam cautelosos
Apesar de algum entusiasmo no setor automóvel europeu, os investidores continuam cautelosos
Em vez de impor uma transição completa para os VE, a União Europeia (UE) pretende agora reduzir as emissões de CO₂ em 90%, face a 2021, deixando uma margem de 10% para os modelos híbridos ou com motor de combustão que utilizem combustíveis sintéticos ou biocombustíveis neutros em carbono.
Esta mudança reflete a pressão dos fabricantes automóveis e de Estados-membros, como a Alemanha e a Itália, preocupados com os custos sociais de uma transição demasiado rápida.
Isto não sinaliza um regresso massivo aos motores de combustão interna, mas abre caminho a alguns modelos de nicho (premium, desportivos, veículos comerciais específicos), que têm uma complexidade tecnológica e regulamentar acrescidas.
A curto prazo, esta flexibilização alivia os fabricantes:
• Impede a depreciação prematura da sua ainda significativa capacidade de produção térmica, limitando o risco de encerramento de fábricas.
• Oferece mais tempo para vender plataformas térmicas já amortizadas e ainda rentáveis, enquanto a procura de VE puros diminui, penalizada pelos preços elevados e por infraestruturas de carregamento ainda insuficientes.
Porém, este alívio não cria um novo impulso estrutural, mas apenas prolonga uma atividade madura e cíclica, enquanto o cerne da batalha se centra agora em VE mais acessíveis, software integrado e serviços relacionados.
Grandes grupos europeus já investiram dezenas de milhares de ME em plataformas elétricas, baterias e software, com retornos ainda incertos.
A possibilidade de prolongar a vida útil dos motores de combustão interna representa um risco de dispersão: os orçamentos de I&D, marketing e investimentos de capital terão de abranger tanto a gama de veículos de combustão interna/híbridos, como a de VE, sem um aumento da procura global.
Num contexto de volumes baixos, pressões sobre os preços e altos custos de mão-de-obra e de energia, esta estrutura dual pode reduzir permanentemente as margens de lucro.
Os fabricantes chineses estão a ganhar rapidamente terreno na Europa com VE 20 a 30% mais baratos, impulsionados por um ecossistema integrado de baterias e por políticas industriais agressivas. Apesar das tarifas da UE, estas empresas estão a investir localmente e a conquistar os segmentos de gama média e baixa.
Se os grupos europeus mantiverem durante muito tempo a combinação de veículos de combustão interna e elétricos, arriscam-se a ficarem presos numa posição intermédia não rentável, enquanto a China domina os segmentos em crescimento e a Coreia do Sul e o Japão os híbridos.
Os investidores continuam cautelosos mesmo com as ações do setor automóvel europeu a serem negociadas com um desconto significativo face à média do mercado, por vezes de 40% a 60%. Este desconto só desaparecerá se surgirem perspetivas fiáveis de crescimento das vendas e margens:
• A transição energética é cara e incerta, com regulamentos instáveis, que complicam o planeamento estratégico.
• A concorrência asiática continua feroz e a capacidade dos fabricantes europeus de produzir VE acessíveis em larga escala e com margens aceitáveis tem de ser comprovada.
• A pressão sobre as margens é persistente, devido à guerra de preços no mercado dos VE, à procura enfraquecida na China e aos elevados custos fixos na Europa.
Apesar da flexibilização do calendário de transição, aconselha-se prudência para investir neste setor. Pode manter Volkswagen VZ, Porsche, Mercedes, BMW e Ferrari, mas venda Renault e Stellantis.
Preferimos a exposição aos fabricantes chineses de VE através do ETF Global X China Electric Vehicle and Battery (ISIN: IE00094FRAA6). Mas invista só uma pequena parte da carteira (máximo de 5%).