Aperam, Harley-Davidson, Repsol, Telecom Italia
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Harley-Davidson apresentou resultados trimestrais acima das expectativas
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A Harley-Davidson apresentou resultados trimestrais acima das expectativas
Aperam
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Os resultados ficaram aquém das previsões. O EBITDA recuou cerca de 25% em termos homólogos e a Aperam registou prejuízo no trimestre. A queda do lucro deveu-se à diminuição dos volumes na Europa, à pressão contínua sobre os preços de venda e a resultados menos dinâmicos nas ligas de aços.
Estes fatores deverão manter-se e a Aperam antecipa uma nova diminuição do EBITDA no último trimestre. Em contrapartida, há sinais positivos. A Aperam prossegue o programa Leadership Journey (2024-26) e já atingiu uma redução de custos de 165 milhões de euros. O objetivo até final de 2026 deverá ser superado.
Outro ponto favorável foi a geração de liquidez (138 milhões de euros) e que melhora as perspetivas de redução da dívida. Se a ArcelorMittal aposta numa estratégia de crescimento e multiproduto, a Aperam foca-se nos aços inoxidáveis e de liga.
Em 2025, esta abordagem concretiza-se com a aquisição da Universal Stainless, reforçando a presença no mercado americano e expandindo a oferta para os segmentos de ligas e aeroespacial. A estagnação na Europa leva a Aperam a acelerar a internacionalização e a consolidar-se em nichos de mercado.
As perspetivas deverão melhorar gradualmente em 2026, beneficiando do reforço das barreiras comerciais na Europa e de uma recuperação da procura.
Harley-Davidson
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A Harley-Davidson apresentou resultados trimestrais acima das expectativas. As receitas atingiram 1070 milhões de dólares face à estimativa de 1000 milhões. O lucro por ação foi de 3,10 dólares, muito superior às previsões de 1,58 dólares.
Apesar do bom desempenho, a Harley-Davidson referiu sinais de fraqueza na procura e custos adicionais relacionados com as tarifas aduaneiras. Revemos em alta as nossas previsões de lucros por ação para 2025, de 3,3 para 4,1 dólares. Mantemos a estimativa de 3,6 dólares para 2026.
Repsol
Manter
Os resultados da petrolífera espanhola superaram as expectativas no terceiro trimestre, impulsionados por margens de refinação mais elevadas e que compensaram a descida do preço do petróleo. O resultado operacional aumentou 47%.
Na área de exploração & produção, o lucro avançou 10,5%, apesar de uma ligeira redução da produção (-0,4%), onde os concorrentes mostraram maior dinamismo. A subida dos preços do gás atenuou a queda do preço do petróleo. A surpresa veio da refinação, onde as margens registaram uma forte subida.
A procura por produtos refinados em Espanha continua dinâmica, apoiada pela economia. Estas margens deverão compensar a volatilidade do preço do Brent no trimestre em curso.
Nos últimos meses, a Repsol concentrou esforços na reestruturação do portefólio de exploração, alienando ativos na Colômbia e na Indonésia e privilegiando zonas mais estáveis, como o Brasil, EUA e Reino Unido. O grupo agrupou ainda os seus ativos no Mar do Norte com a britânica NEO Energy, uma decisão mais defensiva do que agressiva.
Com estas transformações, a Repsol prepara uma possível venda em bolsa da atividade de exploração em 2026. O objetivo é valorizar melhor a atividade e financiar o desenvolvimento das energias verdes. Uma estratégia distinta da Shell e BP, que têm reduzido a aposta nas renováveis.
Telecom Italia
Manter
No terceiro trimestre, a Telecom Italia voltou a registar lucros, ainda que modestos, de 23 milhões de euros. Considerando também o primeiro semestre, a perda reduz-se para 109 milhões de euros (0,01 euro por ação). Estes resultados não foram particularmente surpreendentes, tal como as receitas.
Nos primeiros nove meses de 2025, o volume de negócios total aumentou 2,3% face ao mesmo período de 2024, com desempenhos distintos entre divisões.
O Brasil continuou a impulsionar o crescimento, com +4,7% e a Tim Enterprise (a divisão dedicada aos serviços para empresas) apresentou também uma boa evolução, com +4,4%. Já a Tim Consumer (a divisão de clientes particulares em Itália) ficou para trás, com uma queda de 0,4% nas receitas.
Perante estes dados, a Telecom Italia confirma as previsões, antecipando uma melhoria dos resultados no quarto trimestre. Mantemos igualmente as nossas estimativas, que, em linha com as da administração, apontam para um regresso ao lucro em 2025, com 0,01 euros por ação. Para 2026 e 2027, prevemos lucros de 0,02 euros em ambos os anos.