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António Ribeiro

Analista financeiro

O teu PPR pode ser melhor do que o meu

Há 2 meses - quinta-feira, 28 de março de 2019
António Ribeiro

Analista financeiro

Quanto rende o seu plano de poupança-reforma? Alguma vez o comparou com outros PPR, eventualmente mais rentáveis? Más notícias: é possível que esteja a perder dinheiro.

Há quase 700 planos de poupança-reforma (PPR) mas contam-se, literalmente, pelos dedos os que merecem um voto de confiança em termos de investimento para a sua reforma. A conclusão dos nossos especialistas é de que 99% dos PPR contratados não são a melhor aposta para criar um complemento para a reforma. E o problema é que muitos destes investidores nem sequer o sabe, porque tão simplesmente desconhece o rendimento do seu produto, nem nunca comparou com outros PPR, eventualmente mais rentáveis. 

Tratando-se de uma poupança de longo prazo, pequenas diferenças de rendimento repetidas ao longo de vários anos ou décadas podem representar milhares de euros perdidos. Basta uma diferença de 1% no retorno: aplicar 100 euros por mês, ao longo de 30 anos, num produto que renda 3% e noutro que renda 4%, significa chegar à idade da reforma com uma diferença de quase 11 mil euros no montante acumulado.

No site Ganhe Mais no PPR pode comparar o seu PPR com as nossas Escolhas Acertadas e descobrir se vale a pena transferir para um plano poupança-reforma mais rentável.

Pode estar a perder dinheiro com o seu PPR 

As diferenças na rentabilidade dos PPR podem ser muito grandes. Os produtos sob a forma de seguro (que garantem o capital) ganharam 1,6%, em média, variando entre 0,1 e 4,2 por cento. Nos três anos anteriores até 2017, conseguiram, em média, 1,8% ao ano, sendo que o PPR mais rentável apresentou um retorno de 4,4% e o menos rentável não registou qualquer ganho. Nos PPR sob a forma de fundo (sem capital garantido) a diferença é ainda maior. Em 2018, as discrepâncias na rentabilidade destes produtos, que, note-se, investem em ações (daí o fator risco), chegaram aos 12 por cento. 

Considerando um histórico mais alargado, nos últimos cinco anos – período que permite uma análise mais consistente da rentabilidade –, os fundos PPR ganharam, em média, 0,9%, mas a nossa Escolha Acertada obteve 6,7% ao ano. Ou seja, por cada 10 mil euros investidos, os aforradores perderam 580 euros ao ano, em média, por não terem elegido a melhor opção. Mas as perdas podem ser superiores, pois o fundo PPR menos rentável escorregou para terreno negativo, obtendo -1,2%, e, nesse caso, as perdas totalizaram 790 euros ao ano.

O fardo das comissões

Não é só o rendimento que varia consoante o PPR. Os valores das comissões cobradas pelas entidades gestoras – subscrição, gestão e depósito e resgate – também dependem do produto. 

A média das comissões de subscrição é de 1,2% do montante que o investidor entrega nesse primeiro momento, mas há vários PPR que cobram 5 por cento. Ou seja, por cada 100 euros entregues, a entidade fica com 5 euros. O que significa que ao desejado pé-de-meia – nem é preciso fazer grandes contas – o investidor juntou apenas 95 euros. 

Se, hipoteticamente, aplicasse esses 5 euros num produto com uma taxa de rentabilidade de 5%, durante 30 anos, teria um retorno superior a 4 mil euros. É natural que as entidades gestoras sejam remuneradas pela sua atividade. Mas é fundamental escolher um produto que não tenha uma estrutura de custos muito pesada. A média das comissões de gestão e depósito é de 1,7%, mas há PPR que cobram 4 por cento. E, para resgatar, o custo médio é de 1,1%; porém, há comissões que podem atingir 5% sobre o montante a resgatar.  

Portugueses preferem o seguro 

O montante total aplicado em PPR ultrapassa os 19 mil milhões de euros. Quase 17 mil milhões estão canalizados para PPR sob a forma de seguro. Só em 2018, foram investidos quase 3,5 mil milhões de euros: um crescimento acima de 55% em relação ao ano anterior. 

Estes PPR garantem o capital e, na maior parte dos casos, um rendimento mínimo, mas têm o revés de oferecer retornos tímidos. Muitos aforradores que detêm este tipo de PPR não obteriam rendimentos muito diferentes com depósitos a prazo... E ainda arcam com o fardo das comissões, por norma elevadas. 

Além disso, falha a transparência: as seguradoras apenas divulgam o rendimento dos produtos uma vez por ano. Com os fundos PPR, é possível acompanhar, diariamente, o desempenho do produto. 

Razões de sobra, portanto, para querer conhecer melhor o seu PPR, compará-lo com os melhores e quem sabe transferi-lo para um mais vantajoso.

 

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