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Ouro supera 2500 dólares

ouro e notas de euro

O papel de refúgio do ouro está assumir novos contornos e permanece uma opção atrativa

Publicado em: 22 agosto 2024
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ouro e notas de euro

O papel de refúgio do ouro está assumir novos contornos e permanece uma opção atrativa

O metal dourado valoriza 21% em 2024 e atinge novos recordes apesar de as bolsas estarem igualmente em máximos históricos. 

As principais justificações para a valorização recente do ouro assentam nos trunfos tradicionalmente atribuídos ao metal dourado. O primeiro é a concorrência do dólar. Por isso, com as taxas de juro dos Estados Unidos destinadas a descer (e, com elas, o interesse pelo dólar), o cenário torna-se mais favorável para o ouro.

Em segundo lugar, a forte queda das bolsas no início deste mês de agosto provocou uma fuga para ativos de refúgio. Por fim, as eleições nos EUA são sempre um momento de incerteza, o que, juntamente com a situação no Médio Oriente e na Ucrânia, constituem outro fator a favor do ouro.

Novo paradigma?

Contudo, atualmente, esses argumentos parecem pouco convincentes. Os mercados de ações já recuperaram todo o terreno perdido e estão novamente perto dos máximos. Aliás, praticamente desde 2023, as bolsas estão a bater recordes consecutivos.

Por seu turno, o rendimento (yield) das obrigações soberanas dos EUA pode estar a recuar, mas ainda permanecem nos níveis mais elevados desde a crise financeira e não vão recuar para os níveis tão baixos como os anteriores à pandemia. O ouro continuará com uma forte concorrência desse ponto de vista. Por fim, os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente já não são, infelizmente, uma novidade.

Os números também confirmam a mudança. Entre 2004 e 2019, os investidores em euros podiam contar com uma correlação negativa entre o preço do ouro e o mercado de ações global. Um fator crucial para ser uma diversificação eficaz.

Porém, nos últimos cinco anos, a correlação tornou-se significativamente positiva. Ou seja, o ouro começou a “mexer” mais em linha com o comportamento das ações globais, o que reduziu o seu potencial de diversificação de uma carteira de investimento (e de amortecer choques nas bolsas).

‘Desdolarização’

O principal fator para a valorização do ouro assenta agora noutra tendência. Muitos países emergentes têm vindo a diminuir deliberadamente a sua dependência do dólar dos EUA, cujos riscos se tornaram mais evidentes com as sanções à Rússia, após a invasão da Ucrânia. Há receios de que, em caso de conflito, os seus ativos financeiros possam ser congelados pelo Ocidente.

Neste cenário, o ouro constitui uma ótima alternativa para as reservas (além de outros metais preciosos e eventualmente até algumas formas de criptoativos). As reservas da China e da Rússia em ouro mais do que duplicaram em dez anos. Cada um destes países tem, atualmente, à volta de 2300 toneladas, ocupando o 5.º e 6.º lugares do ranking mundial.

Se o ouro pode ter perdido outros trunfos, esta tendência para a "desdolarização" emergente é inexorável e tenderá a suportar o valor do ouro nos próximos anos, independentemente de outros fatores.

Como investir?

A forma mais eficaz de apostar no ouro é através de ETC, produtos muito idênticos aos ETF, mas vocacionados para o investimento em commodities. São negociados em bolsa e seguem a cotação de matérias-primas, nomeadamente o ouro (carteiras constituídas por barras de ouro ou instrumentos financeiros derivados)..

Para investir, destacamos o Xetra-Gold (código ISIN: DE000A0S9GB0). Contudo, a oferta é vasta, e, dada a natureza do investimento, as diferenças entre o desempenho dos vários ETC, entre si e face à cotação do ouro, é reduzida. Por isso, como alternativa, pode optar por produtos como o Invesco Physical Gold (IE00B579F325), iShares Physical Gold (IE00B4ND3602) ou Xtrackers Physical Gold (DE000A1E0HR8).

Todos investem em ouro físico e qualquer um destes ETC é uma opção viável. Verifique os que estão disponíveis no seu banco ou corretora. Se houver mais do que um, compare os custos de corretagem, pois dependem da bolsa. Opte pelo mercado mais acessível e, de preferência, com cotação em euros. Não dedique mais do que 5% do valor total da sua carteira. O investimento em ouro está sujeito a flutuações de valor parecidas às do mercado global de ações, e não garante rendimentos nem o capital investido.

Veja os nossos conselhos sobre o potencial de outros metais preciosos que têm valorizado na esteira do metal dourado.

 

 

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