À luz dos dados e da oferta do mercado, será que a remuneração bruta das obrigações 4,6% compensa o risco?
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Quais são as condições das obrigações Mota-Engil 2026-2031?
A Mota-Engil vai emitir até 200 000 novas obrigações, cada uma com um valor nominal de 250 euros, totalizando-se num financiamento de 50 milhões de euros, o qual poderá ser aumentado até 14 de maio.
O montante mínimo de investimento são 2 500 euros, ou seja, 10 obrigações. A maturidade destas novas obrigações estende-se até 22 de maio de 2031, prazo de 5 anos.
O período de subscrição toma início às 8h30m de 6 de maio, e termina às 15h do dia 19 de maio. A data de emissão das obrigações é 22 de maio, dia para o qual está prevista a admissão à negociação dos títulos na Euronext Lisboa.
Cada destinatário da oferta de subscrição pode revogar ou alterar uma ordem de subscrição já transmitida até às 15h00 de 19 de maio de 2026, inclusive. O código ISIN que vai identificar estas obrigações é PTMENAOM0029.
Quais as datas a saber?
Início do período de subscrição: 8h30m de 6 de maio de 2026.
Fim do período de subscrição:15h00m de 19 de maio de 2026.
Limite para revogações ou alterações de ordens:15h00m de19 de maio de 2026.
Data de emissão: 22 de maio de 2026.
Apuramento e divulgação do número de obrigações a atribuir: 14 de maio de 2026.
Data de reembolso: 22 de maio de 2031.
Qual é o juro pago?
A taxa de juro das Obrigações Mota-Engil 2031 será fixa e igual a 4,60% ao ano (taxa anual nominal bruta). Os juros, calculados com base em meses de 30 dias e num ano de 360 dias, vencer-se-ão semestralmente a 22 de maio e 22 de novembro de cada ano.
Depois de deduzido o imposto, estas obrigações darão uma taxa anual nominal líquida (TANL) de 3,312%, contudo tem ainda de suportar encargos no seu intermediário financeiro, que depende de banco para banco.
Assim, a taxa anual efetiva líquida é de 3,337% mas deduzida dos encargos pode ser bastante mais reduzida sobretudo para montantes abaixo de 5000 euros. É sempre preferível pedir uma simulação da rentabilidade líquida de custos para o montante que pretende aplicar.
Os obrigacionistas terão ainda direito a receber uma remuneração adicional de 0,75 euros por cada Obrigação Mota-Engil 2031, a pagar na data de reembolso, caso ocorra uma situação de não verificação da Sustainability Performance Target (SPT) definida para o Key Performance Indicator (KPI) selecionado ou se se verificar uma ou mais das situações definidas que se encontram no relatório anual da empresa.
Caso esta meta não seja cumprida, o acréscimo de rentabilidade em termos anuais líquidos é de apenas +0,04%. Assim, no máximo a TAEL será de 3,378%.
Obrigações ligadas à sustentabilidade
As Obrigações Mota-Engil 2031 são ligadas à sustentabilidade, na medida em que a construtora compromete-se a atuar de forma a promover a melhoria de 1 KPI (índice de frequência de acidentes de trabalho não mortais com baixa - LTIFR), tendo em vista alcançar uma SPT definida por referência a 31 de dezembro de 2030 (redução do LTIFR ao nível do Grupo Mota-Engil para 5, sendo que o Grupo Mota-Engil registou um LTIFR de 7,1 em 2024 (queda de 41,3% desde 2021), e no último ano de 2025 registou 6,4 acidentes de trabalho no grupo.
Qual a situação financeira da empresa?
A Mota-Engil registou em 2025 um lucro de 133 milhões de euros o que representou um crescimento positivo de 9% face ao ano anterior. Apesar de ter registado uma queda de 11% no volume de negócios derivado da conclusão de grandes projetos no México e de alguns atrasos noutros, a empresa conseguiu crescer em África e na sua unidade de negócio Ambiente. Além disso, dia 11 de março apresentou um plano estratégico de crescimento do volume de negócios de, pelo menos, 10% ao ano até 2030.
No fecho de 2025 a dívida líquida situava-se em 1,9 mil milhões de euros, tendo subido 12,06% face ao período homólogo. O rácio dívida líquida/EBITDA subiu para 1,98x, contudo ainda se mantém abaixo do limiar estratégico de 2x.
O rácio de autonomia financeira situa-se nos 12%, o que, apesar de baixo (recomendável 30%), é relativamente comum no setor da construção. Este indicador mostra que a empresa depende maioritariamente de capitais alheios para financiar a sua atividade, sendo que apenas uma pequena parte dos seus recursos provém de capitais próprios, algo frequente neste tipo de indústria devido às elevadas necessidades de financiamento.
Comparação com o mercado
A Mota-Engil ainda não dispõe de notação de risco de crédito atribuída por nenhuma das principais agências de rating mundiais, a Moody´s, Fitch ou Standard & Poor's.
Consideramos que o nível de risco situa-se entre o nível BB e BBB, ou seja, risco substancial, no limiar de ser considerado nível de investimento, pelo que iremos comparar com dois benchamarks diferentes: um com rating de BB, outro BBB.
Primeiramente para uma comparação com um rating BB, vamos utilizar o índice de obrigações high yield com ratings BB, o “Markit iBoxx Euro Liquid high yield BB” que atualmente apresenta um rendimento bruto de 4,51%. Portanto ligeiramente abaixo dos 4,65% (TAEB) oferecidos pela obrigação Mota-Engil 2026-2031.
Este índice Markit iBoxx Euro Liquid high yield BB” foi concebido para refletir o desempenho da dívida corporativa com elevada liquidez, o que seria uma vantagem face à opção de investir no mercado obrigacionista português, onde as obrigações de empresas são tendencialmente bastante ilíquidas.
Comparando com um benchmark com um melhor rating (BBB), a diferença ainda é superior visto que a Taxa Anual Efetiva Bruta (TAEB) da Mota-Engil está a 4,65% enquanto a TAEB da Eurozone Corporate BBB está a 3,84%.
Comparando a TAEL das obrigações da Mota-Engil (3,34%) com a taxa de rentabilidade efetiva da OT EUR 0,475% outubro (ISIN: PTOTELOE0028) a 4 anos e meio (2,67%) a rentabilidade das obrigações da Mota-Engil é superior em 0,65%, mas também o risco é muito mais elevado e ainda terá de pagar comissões e outros encargos. As obrigações do Estado Português são menos arriscadas, pois é menor o risco de não cumprimento.
Em suma, estas novas obrigações da Mota-Engil estão ligeiramente acima do mercado, pelo que podem ser uma opção a considerar pelos investidores que aceitem risco mas apenas para uma pequena parte do seu património.
Contudo, comparando com outras alternativas com menos risco, pode não compensar para quem procura segurança, pois a diferença de remuneração líquida ao ano não é assim tão significativa de uma OT de prazo aproximado (0,65%).
Qual o nosso conselho?
A taxa bruta de 4,6% da Mota-Engil fica um pouco acima daquilo que é oferecido no mercado para níveis de risco semelhantes, ao contrário do que acontecia em 2025.
De facto estas obrigações estão ligeiramente acima do mercado para risco idêntico, pelo que poderão ser uma opção desde que aceite algum risco elevado. A TAEL de 3,34% é apelativa.
Contudo, para quem prefere segurança, não recomendamos uma vez que existem outras alternativas mais seguras e cujas diferenças de rendimento não são assim tão significativas.
Nas obrigações Mota-Engil 2026-2031, além do risco de incumprimento existe também o maior risco de liquidez. Visto que estas obrigações de empresas em Portugal são tendencialmente menos líquidas, pode ter dificuldades em desfazer-se delas no mercado, de uma forma rápida, caso queira sair antes da maturidade que só ocorrerá em 2031.
Alertamos para que antes de decidir investir, faça sempre uma simulação no seu banco pois um investimento mínimo nestas obrigações pode não ser atrativo devido aos custos e encargos. Logo, o investimento de apenas 2500 euros não é recomendável. De qualquer forma, não coloque mais do que 5% a 10% da sua carteira neste produto.
Se não for o seu caso ou se não estiver disposto a aceitar este nível de risco, consulte os nossos conselhos sobre alternativas de capital garantido, como as Obrigações do Tesouro, Certificados de Aforro e produtos similares. Por outro lado, se aceita mais risco, para o longo prazo, um investimento em fundos ou ações pode ser o mais indicado para si.