As turbulências geopolíticas ditaram a evolução das bolsas na semana passada. A crise no Médio Oriente fez subir novamente o preço do petróleo (+0,3%) para mais de 104 dólares por barril, alimentando os receios de uma inflação persistente e o risco de novas subidas das taxas de juro.
Ainda assim, a esperança da reabertura do estreito de Ormuz e a valorização das tecnológicas permitiram às bolsas terminar em alta. O S&P 500 e o Nasdaq avançaram 1,2% e 2,1%, respetivamente. A resiliência da economia americana reforça a perspetiva de aumento das taxas de juro por parte da Fed. Com a taxa das obrigações a 10 anos nos 5,2%, a concorrência da dívida pública americana limita o desempenho das ações.
Na Europa, os índices seguiram a mesma tendência, com um ganho de 0,5% para o Stoxx Europe 600. Amesterdão subiu 1,6%, impulsionada pela ASML (+5,3%).
Os resultados promissores do agente de IA Muse da Meta (+12,9%) reavivaram o otimismo em torno da IA e da rentabilização dos elevados investimentos realizados. A multiplicação dos agentes de IA e o consequente aumento do tráfego de dados irão sustentar a procura de processadores, não apenas os GPU da Nvidia (+1,3%), mas também os CPU da AMD (+12,6%) e da Intel (+13,3%). Além disso, em teoria, o Muse poderá transformar os setores financeiro (-1,1%) e do turismo (-0,9%), facilitando a mudança de fornecedor.
O setor farmacêutico subiu 1%. A Novartis e a Eli Lilly avançaram 4,1% e 2,6%, respetivamente. A Roche ganhou 1%.
O setor energético recuou 1,7%, apesar da subida da Repsol (+3,9%; +93,1% em 2026). O setor automóvel subiu 0,5%, mas acumula uma queda de 10,8% em 2026.
Lisboa soma e segue
A praça nacional voltou a fechar em alta na semana passada, com o índice PSI a valorizar 1,7%, elevando a valorização acumulada em 2026 para 17,4%.
A Mota-Engil liderou os ganhos com uma subida de 5,3%, a beneficiar da angariação de uma obra de grande dimensão no México. Seguiram-se o BCP (+2,9%), que atingiu um novo máximo desde abril de 2015, e a Galp (+2,8%), que, à boleia do elevado preço do petróleo, fixou um novo máximo histórico acima dos 23 euros. O setor da distribuição também esteve em bom plano, com a Sonae a progredir 2,4% e a Jerónimo Martins a recuperar 1,3%.
Numa semana novamente com poucas novidades para as empresas nacionais, os CTT (-1,7%), a Ibersol (-1,6%) e a Semapa (-0,2%) foram as únicas ações em queda.
Números da semana
23,18 euros
Novo máximo histórico da Galp Energia fixado na passada quinta-feira. O elevado preço do petróleo e as boas perspetivas de crescimento do grupo justificam esta valorização. Pode manter o título em carteira.
7764,70
Apesar de ter fechado ligeiramente abaixo deste valor, o principal índice da bolsa de Nova Iorque (S&P 500) fixou no dia 21 de setembro um novo máximo histórico. As perspetivas de bons resultados das empresas continuam a sobrepor-se aos receios da inflação e de subida das taxas de juro.Top subidas
Intel +13,3%Meta Platforms +12,9%
VF Corp +10,6%
Applied Materials +9,1%
MTU Aero Eng. +8,8%
Top descidas
Novo Nordisk -10,1%BMW -7,7%
Telecom Italia -6,5%
Volkswagen VZ -6,3%
Mercedes-Benz -6,2%
A semana em números
Principais Bolsas:
Europa Stoxx 600 +0,5%
EUA S&P 500 +1,2%
EUA Nasdaq +2,1%
Lisboa PSI +1,7%
Frankfurt DAX +0,4%
Londres FTSE 100 +0,3%
Tóquio NIKKEI 225 +2,1%
Variação das cotações entre 18/09/26 a 25/09/26, em moeda local.